segunda-feira, dezembro 28, 2009

Rio de Ouro


Rio de Ouro

Amo este e não outro
O de prata é lindo - ouço dizer
O brilho está em quem nas margens vive

Quero este e não outro
O Tejo é mais imponente - há quem o julgue
A força está nas margens que lhe dão vida

Sinto este e não outro
O Ganges é local de oração - dizem as escrituras
Apenas este desperta a fé que preenche o meu coração

Adriana Carmezim in "No Silêncio do Amor", 2005

terça-feira, dezembro 22, 2009

Natal


"Nascimento de Cristo", óleo sobre madeira Bartolomé Esteban Murillo . Obra realizada entre 1650-55 que pode ser admirada no Museu do Prado, em Madrid.

domingo, dezembro 20, 2009

Caminho da "Fonte da Pedra" por Xavier Monsalvatje


Uma verdadeira preciosidade esta placa toponímica do artista valenciano Xavier Monsalvatje e que assinala um dos mais típicos (e ainda relativamente bem conservado) caminhos de Boassas, o denominado "Caminho da Fonte da Pedra".
A obra de Xavier Montsalvatje pode ser vista aqui ("clicar" na palavra sublinhada).

sábado, dezembro 05, 2009

Francis Ford Coppola - "Tetro"


"Um reencontro familiar após dez anos de ausência. Tetro (Vincent Gallo) é um escritor amargurado e taciturno que um dia abandona a casa dos pais, jurando nunca mais voltar. Na época com apenas sete anos, Bennie (Alden Ehrenreich) manteve uma imagem idealizada do irmão. Até que o reencontro entre ambos traz o choque. Tetro vai fazer regressar velhos fantasmas que trarão à superfície segredos e rivalidades do passado nunca resolvidos. E, aos poucos, a personalidade idealista e inocente de Bernie vai-se alterando, tornando-se cada vez mais parecida com a do irmão.
Um filme de autor, a p/b, escrito e realizado por Francis Ford Coppola."
Acrescentaria: Um filme a não perder, após o também brilhante "Uma Segunda Juventude", de que também aqui falei.
In jornal "Público" (para ver o "site" oficial do filme clicar aqui, ou na imagem acima)

A visão de Portugal por António Barreto

"Portugal está à beira da irrelevância, talvez do desaparecimento"
Vale a pena ler:
http://www.ionline.pt/conteudo/35227-portugal-esta--beira-da-irrelevancia-talvez-do-desaparecimento
Um link que foi gentilmente endereçado por Nuno Resende e que agradeço.

sexta-feira, novembro 13, 2009

David Sylvian . "Darkest Dreaming"


Stay tonight
We'll watch the full moon rising
Hold on tight
The sky is breaking

I don't ever want to be alone
With all my darkest dreaming
Hold me close
The sky is breaking

I don't ever want to be alone
With all my darkest dreaming
Hold me close
The sky is breaking

segunda-feira, outubro 19, 2009

O "crime" da Quinta do Paço





Este foi (mais) um dos exemplares de genuína arquitectura popular existentes na Quinta do Paço que desapareceu no incêndio que devastou a quinta no final do verão. Não foi notícia, conforme o próprio desaparecimento de praticamente toda a mancha florestal também não. Não houve jantares, nem conferências, para que os nossos tão atentos jornalistas tomassem conta do facto, como fizeram, por exemplo, com o protocolo celebrado entre a câmara e a empresa construtora encarregue de cimentar aquele espaço (facto muito mais importante, está bom de ver...). Já se sabe que neste país as notícias correm melhor quando são bem "regadas" e "acompanhadas" por um bom naco. Por outro lado, duvido que alguém na própria câmara municipal soubesse da existência deste edifício, onde se localizava, ou como se chamava. É assim o país que temos...(e não saímos disto!)

quinta-feira, outubro 01, 2009

Epitaph for my Heart . The Magnetic Fields (ForM)



"Epitaph for My Heart" by the Magnetic Fields

"Caution: to prevent electric shock, do not remove cover. No user-serviceable parts inside. Refer servicing to qualified service personnel."

Let this be the epitaph for my heart
Cupid put too much poison in the dart
This is the epitaph for my heart because it's gone, gone gone
And life goes on and on, anon
And death goes on, world without end
And you're not my friend

Who will mourn the passing of my heart?
Will its little droppings climb the pop chart?
Who'll take its ashes and, singing, fling
Them from the top of the Brill Building?
And life goes on and on, anon
And death goes on, world without end
And you're not my friend

terça-feira, setembro 08, 2009

Quinta do Paço da Serrana...a vergonha!!!!


Cerca de duas décadas de domínio municipal foram suficientes para destruir um património inestimável, construído ao longo de séculos. Obviamente que o "azar" da Quinta do Paço não foi o incêndio que aí deflagrou ontem, mas sim o de ter passado a pertencer a uma autarquia acéfala, laxista; insensível e irresponsável... Uma instituição pública onde a palavra cultura não cabe sequer no vocabulário. Em cerca de duas décadas a Câmara de Cinfães nada fez para que aquele espaço fosse mantido e preservado. Pelo contrário, permitiu a sua vandalização e destruição, nada fazendo para evitar o que agora sucedeu, embora os alertas tenham sido lançados incessantemente...
Sei do que falo! Senão vejamos:
1. Fui talvez a primeira pessoa a escrever sobre as possibilidades da quinta no já longínquo ano de 1985, ainda a propriedade pertencia à Família Serpa Pinto.
2. No ano seguinte publiquei um novo artigo onde alertava para a degradação de todo aquele património (mal sabendo eu que seria muito melhor que as coisas se mantivessem como estavam...).
3. Em 1995, participei num concurso público de arquitectura, lançado pela câmara que foi de tal forma boicotado que, até hoje, não foi publicado o resultado. A minha era a única proposta que cumpria todos os requisitos... E a própria vice-presidente (que fazia parte do júri) afirmou publicamente, em determinada altura, que a minha havia sido a proposta escolhida!...
4. Posteriormente, aquando do 1.º Programa Leader para a região, em que foi criado o "Centro Rural de Ribadouro", propus o aproveitamento e adaptação da Quinta do Paço para os fins que estavam previstos no concurso camarário e ainda como pólo de residência e atelier de artistas, etc... A ideia acabaria por não ser sequer aproveitada pela câmara que acabou por perder o dinheiro para o vizinho concelho de Baião!...
5. Mais recentemente, a Associação Por Boassas (APOBO) propôs a classificação de todo o maciço arbóreo fosse classificado como Património de Interesse Público (parte já era Reserva Ecológica). Embora o parecer da Direcção Geral das Florestas tenha sido favorável (que publicamos aqui parcialmente), o processo nunca teve um desfecho porque a autarquia não se mostrou interessada na classificação.
6. Nesse mesmo documento a DGF propunha-se identificar as espécies arbóreas e arbustivas e também à própria limpeza dos espaço, o que, obviamente nunca veio a suceder!...
7. Em reunião com o próprio presidente da autarquia, apelando à sensibilidade e necessidade de classificação de todo aquele espaço, a resposta não se fez esperar: "a classificação poderia ser contrária aos interesses CONSTRUTIVOS dos projectos em curso" (!!!!!)....
8. Alertei também para a necessidade da elaboração de um plano feito pela própria autarquia para ser usado como fio condutor de qualquer projecto que ali pudesse ser feito, tendo-me sido dito, sintomaticamente, que: (sic) "não está no âmbito da câmara esse tipo de acções" (!!!!!)...
9. Posteriormente, falei ainda com a presidência sobre a possibilidade de uma parceria (com grandes possibilidades de financiamento) internacional com a Holanda, tendo-me feito acompanhar para uma reunião pelo responsável das "Villages of Tradition" e gestor do programa "Leader" daquele país o Sr. Frits Schuitemaker. A ideia era uma parceria internacional, já que na aldeia holandesa de Frits se estava a construir um museu dedicado a um explorador local chamado Abel Tasman (o descobridor da Tasmânia). O desinteresse demonstrado foi de tal modo constrangedor que a ideia praticamente morreu logo ali.
10. Devo ser das pessoas que melhor conhece o espaço e a que mais elementos possui sobre a quinta (possuo o levantamento de todas as construções, com fichas identificativas e descriminativas de materiais, estado de conservação, localização, etc.; levantamento fotográfico de todo o património construído; plantas de zonamento; de áreas agrícolas e florestais; rede e estruturas hídricas; etc...). Apesar disso NUNCA me foi pedida qualquer informação, parecer, ou opinião sobre aquele espaço!

Por tudo isto, hoje, e pela primeira vez, sinto vergonha de ter nascido em Cinfães!

Manuel da Cerveira Pinto
(Professor Universitário, Mestre Arquitecto, doutorando em arquitectura na Universidade de Valladolid e vice director do Jornal Miradouro)

segunda-feira, setembro 07, 2009

O "AZAR" DA QUINTA DO PAÇO...


Há quatro anos lamentávamos aqui a destruição parcial da Quinta do Paço da Serrana por um incêndio de grandes dimensões, que apesar de tudo não havia consumido a grande floresta. Hoje acabou de arder o que então remanesceu. O concelho de Cinfães perdeu o seu maior símbolo cultural e natural e também um dos espaços mais importantes de bio-diversidade e valor paisagístico de todo o distrito de Viseu. Claro que foi apenas "azar". Em quatro anos todas as medidas e mais algumas foram tomadas no sentido da preservação daquele espaço, para que não voltasse a suceder o mesmo. Por exemplo, a limpeza constante e assídua da floresta, para o qual contribuiu a classificação de todo o conjunto como área protegida pela Direcção Geral das Florestas, proposta pela APOBO (Associação Por Boassas) prontamente apoiada pela Câmara Municipal de Cinfães. Infelizmente "o azar" não permitiu sequer que fossem identificadas algumas das espécies assinaladas pelos técnicos da DGF... Agora será já impossível. Claro que é o azar. Pois, como dizíamos atrás, todas as medidas e mais algumas foram tomadas, até porque o espaço foi cedido a uma empresa para exploração turística, pelo que não só as autarquias, como os próprios investidores estavam plenamente empenhados na protecção de toda aquela riqueza. Vejamos, por exemplo, as medidas de prevenção e vigilância eram exemplares (havendo rondas pela floresta de guardas 24h por dia) e os acessos foram não só melhorados, como criados alguns novos, de forma a possibiltar o ataque rápido pelos bombeiros a partir da parte inferior da quinta. Também os pontos de água existentes na quinta estavam todos operacionais, para além do próprio sistema de distribuição de bocas de água ao longo de todo aquele espaço. Até nos passeios a Fátima proporcionados pela CMC aos idosos do concelho não tem sido descurada a salvaguarda da Quinta do Paço, sendo-lhes sempre lembrada a importância de uma "rezinha" para a preservação de todo aquele património. Por último, não nos esqueçamos do investimento em termos humanos e materiais com que os próprios bombeiros têm sido dotados no concelho, em que será de salientar o esforço enorme e que implicou o corte orçamental em 300.000 € de duas festas de S. João, que foi a aquisição de um helicóptero de ataque a incêndios, plenamente justificado pelo facto de este ser um concelho com uma área florestal considerável. Mas, enfim, o "azar" tem destas coisas e quando o destino assim o quer não há medidas, nem rezinhas, que nos valham... Mas ainda irão aí aparecer más-línguas a dizer que muito mais poderia ter sido feito, como se o destino pudesse ser contrariado. Enfim... os do costume!

(A fotografia que ilustra este artigo é da autoria do ceramista espanhol Fernando Malo)

quarta-feira, setembro 02, 2009

A poluição em Boassas

Não deixa de ser curioso como à medida que a aldeia se esvazia de pessoas e movimento a poluição aumenta na razão inversa. Será apenas coincidência?...Não, de todo! Não creio!... É uma razão de causa e efeito. O saneamento, para meia dúzia de pessoas, não funciona, as fossas (chamadas pomposamente pelo poder local de ETAR's - Estações de Tratamentos de Águas Residuais) são pura e simplesmente obsoletas, são focos de infecções; conspurcam os terrenos e o ar é nauseabundo e irrespirável. A poluição sonora é outra das catástrofes que começa pelas cornetas vociferantes colocadas no topo da igreja, que nos inferniza o juízo de meia em meia hora, que num desrespeito anti-cristão agride os ouvidos e o cérebro de qualquer transeunte e sobretudo de quem nas imediações vive... Durante os meses de Abril a Agosto e a propósito da festa, todos os domingos, durante a tarde é impossível estar no centro de Boassas, tal é o barulho causado pela música (!!!????) tonitruante que vociferam as cornetas encarrapitadas no campanário da capela. Outro flagelo é a poluição visual e luminosa provocada pela proliferação de "maisons" de pessoas que vindo da cidade passar uns dias no campo parece terem medo do escuro... Enfim, contributos para o despovoamento e desertificação daquela que é já uma das zonas mais pobres do país...

quinta-feira, julho 30, 2009

O Festival "Altitudes" está de volta!!!!...


Aí está mais uma edição do fantástico "Festival Altitudes". De 8 a 16 de Agosto todos os pretextos serão bons para se deslocar à congénere "Aldeia de Portugal" de Campo Benfeito, em plena serra de Montemouro, para assistir a mais um festival de teatro, recheado de eventos e surpresas... Para ver o programa completo basta "clicar" na imagem ou aceder a uma das seguintes páginas:

http://lobosnofojo.blogspot.com

http://teatromontemuro.com

sábado, julho 18, 2009

O Cipreste da Casa do Outeiro no "Venerables Árboles"


O cipreste (Cupressus sempervirens L.) da Casa do Outeiro, classificado como árvore de Interesse Público a pedido da Associação Por Boassas é mencionado no fantástico blogue espanhol "VENERABLES ÁRBOLES". Trata-se da única árvore classificada do concelho de Cinfães e não deixa de ser curioso como o facto (que é relevante em Espanha) é em Cinfães pura e simplesmente ostracizado e ignorado. Note-se que (para além do meu livro "Boassas. Uma Aldeia Com História") este não é mencionado, uma vez que seja, em qualquer publicação, roteiro, guia turístico ou cultural...
De qualquer forma ele aí está e as suas características podem ser vistas na página da Autoridade Florestal Nacional, donde se destaca a seguinte nota: "Este exemplar localiza-se no jardim de uma casa senhorial de época pós barroca, datada de 1733. O cipreste era não só na região, a árvore que identificava as casas de carácter senhorial daquela época, como servia também de ponto de referência a grandes distãncias. Este cipreste foi retratado pelo notável artista plástico Lima Machado Pereira, numa tela a óleo a que deu o nome de "O cipreste dos Cerveiras". Fonte (Memória descritiva apresentada pela Associação por Boassas)".
A fotografia é da escultora Carla Capela.

sexta-feira, julho 10, 2009

O "António Maria" visita Boassas

O autor do blogue de referência "O António Maria" visitou Boassas. Há já mais de um ano, é certo, mas ainda assim vale bem a pena ler os comentários que teceu acerca da sua estadia por terras cinfanenses. Também não posso deixar de me sentir um pouco lisonjeado, já que são mencionadas (e destacadas) duas obras minhas... Diz então assim:

"(:::) Seguimos depois para
Cinfães do Douro pela velha estrada marginal, cheia de curvas e aceleras malucos, mas belíssima como dantes. Pena foram os desvios forçados e sem aviso pelas obras que ainda decorrem à volta das duas novas pontes de Entre-os-Rios. Como sempre, a sinalização ausente permanece uma marca distintiva dos idiotas que pontificam nas Estradas de Portugal e um típico sinal de indolência da maioria dos autarcas. Enfim, por entre buracos e curvas apertadas, lá chegámos à Casa do Lódão, situada numa pequeníssima e muito antiga aldeia chamada Boassas, a meio caminho entre Porto Antigo e a vila de Cinfães. Um dos bons projectos de turismo rural da região, como que anunciando uma vocação em pleno desenvolvimento, de que há que destacar a Estalagem Porto Antigo, a Quinta de Ventuzela e o futuro Douro Palace Hotel em Santa Cruz do Douro, Baião. Chegámos já ao fim da tarde. Inspeccionámos a casa de caseiros remodelada onde iríamos passar duas noites e duas manhãs, o jardim, a quinta e as soberbas vistas sobre o rio Bestança, um dos poucos que até hoje sobreviveu à voragem hídrica do país.

O jantar no restaurante O Meu Gatinho, situado na horrenda zona nova da vila de Cinfães (só lá vou à noite!), faria as honras de encerrar o primeiro dia desta escapadela por entre terras do Douro Litoral e Vinhateiro. Pataniscas de bacalhau para acompanhar as clássicas Imperiais de abertura. Enquanto esperávamos pelo Polvo à Lagareiro e pelos Nacos e Postas de Vitela Arouquesa, abriram-se e puseram-se a arejar duas garrafas de tinto Churchill Estates 2004, enquanto íamos elogiando o Grande Porto, sobretudo a sua nova rede de metro (com estações desenhadas por Eduardo Souto Moura) e o remodelado Aeroporto Sá Carneiro (3.986.748 passageiros em 2007), a robustez da respectiva estrutura urbana, o Funicular dos Guindais e os novos ícones arquitectónicos da cidade: Casa da Música (Rem Koolhaas), Museu de Serralves (Siza Vieira), a Torre Burgo (Eduardo Souto Moura). A Mousse de Limão e um fofinho bolo de chocolate muito húmido fizeram ainda companhia ao Churchill que resistiu durante toda a degustação, apesar do depósito algo irritante detectado numa das garrafas. Claro que o café, num tão fino e inesperado restaurante, só poderia ser bom e adequadamente tirado. Pedi duas Italianas rigorosamente curtas. Souberam-me pela vida. Como sempre faço, reservei meio copo de tinto para o fecho definitivo do pequeno banquete. Resistiu! (...)"
O artigo completo pode ser lido aqui.

quinta-feira, julho 09, 2009

Boassas "Pela Positiva"

O blogue "Pela Positiva" de Fernando Martins, faz uma extensa apreciação crítica do livro "Boassas. Uma Aldeia com História", num texto chamado "Para todos os que cuidam da preservação da nossa identidade", donde colhemos o seguinte excerto:

"Viajei, então, graças ao trabalho de Manuel da Cerveira Pinto, por aquelas bandas com Douro à vista, desde a pré-história aos nossos dias. Calcorreei os caminhos de Boassas, familiarizei-me com apelidos que fizeram história, passei por monumentos e casario de várias épocas, senti a religiosidade do povo, saboreei lendas e tradições que perduram, umas, e se foram, outras. Os usos e costumes foram-me contados com graça e até com ternura, adivinhei superstições e apreciei a gastronomia, marca indelével do ser e viver de gentes que preservam a identidade da sua região.
Figuras históricas e políticas, do passado e do presente, pessoas simples e populares, artesanato e arquitecturas, casas nobres e roteiros turísticos podem visitar-se, graças ao excelente trabalho de Manuel da Cerveira Pinto..."

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

sexta-feira, julho 03, 2009

Património desaparecido...


As palavras que nos faltavam para acompanhar esta imagem chegaram-nos de Montão, pela mão de Campelo de Sousa, que no comentário que nos fez chegar, diz assim:

"(...) Quantas histórias estarão por trás desta bela imagem !
Será que tudo quanto os nossos antepassados nos legaram estará condenado ao desaparecimento?
Será que as novas gerações apenas sabem destruir ?
Pois é ! É tão fácil destruir aquilo que outros construiram! (...)"

quarta-feira, junho 17, 2009

Feira do cânhamo 2009



É já este fim-de-semana (dias 19, 20 e 21), no Centro de Congressos do Porto - edifício da antiga Alfândega). Para mais informação "clicar" na imagem ou aqui...
Sobre esta magnífica planta e as suas inúmeras potencialidades já também aqui havíamos falado.

terça-feira, junho 09, 2009

Carta do Brasil...

Eu conheci Boassas quando tinha 6 anos de idade. Lá passei 6 meses. Meus tios queriam que eu ficasse no Porto, mas eu queria a liberdade da aldeia!!
Boassas foi um marco em minha vida...
...Eu uma menina que vivia no Brasil acostumada a brincar só e dentro de um apartamento, me senti tal qual um passarinho que ganhava a liberdade fora da gaiola.
Aprendi a correr pelas ruelas de Boassas (antes nunca havia experimentado essa sensação prazerosa). Aprendi a nadar na Bestança. Morria de medo de descer até a Bestança por um caminho íngreme que não me recordo o nome.Também tremia de medo da Mariana!!!!
Adorava ir ao Campo de Além buscar água, e lavar roupa na Bestança ...
...Fazia magustos com meu avô, pisei uvas no lagar da sua casa ...
...Adorava dançar nos leilões de domingo...
...Comecei a catequese na Capela da Senhora da Estrela com a Armandina...
...Pegava umas moedinhas de tostão e corria a comprar um copinho de tremoços...
...Brincava com as miúdas no casal e era chamada por elas de " A brasileirinha".Todos achavam engraçado o meu sotaque brasileiro e adoravam me ouvir falar, mas após 6 meses voltei ao Brasil e aqui todos queriam me ouvir falar pois tomei um sotaque Portugês !!!
...Tantas recordações que ficaria aqui a noite toda descrevendo-as.
Voltei a Boassas em 2002 com meus filhos...mas Boassas já não tinha a " vida de outrora", quase não haviam pessoas no Casal, a minha Aldeia me parecia tão triste, solitária e ainda mais que eu retornei no inverno chuvoso de Janeiro.
Fiquei tão feliz ao pesquisar Boassas na Internet e encontrar alguns bons resultados.
...Acho que o senhor vai se lembrar de mim... Sou neta de João Gregório e Conceição Amaral...Moro no Brasil... Sou filha de Alcino Gregório e Maria do Céu, mas fui criada por Olga Estrela do Amaral Gregório... O Senhor já nos deu o prazer de visitar-nos em minha casa aqui no Brasil com sua esposa e filho. Infelizmente minha mãe Olga não mais vive nem meu pai Esterio Vieira...
Tenho uma tia que ainda vive na Aldeia... Lucília...
Vou parar por aqui pois assim isso deixa de ser um comentário e vira um testamento!!!!!
Gostaria de saber como posso adquirir o livro Boassas?
Um fraterno abraço!

Odete da Conceição do Amaral Gregório

sexta-feira, junho 05, 2009

"Anima Mundi" no Dia Mundial do Ambiente


Anima Mundi (1991) é um pequeno documentário realizado por Godfrey Reggio, com música de Philip Glass. A beleza do mundo na poesia da música e das imagens.

quarta-feira, maio 27, 2009

"Corrupção absoluta"

"A característica mais marcante destes quatro negros anos de maioria absoluta do PS é o reforço, generalização e consolidação do fenómeno da corrupção. Na legislatura que ora termina, nem Governo nem Parlamento produziram qualquer medida eficaz contra a corrupção. Pelo contrário, tentaram legitimá-la e até incentivá-la."

O artigo integral de Paulo Morais no Jornal de Notícias de hoje é uma denúncia, violenta,da forma despudorada com que poder político e construção se relacionam. Algo para o que, desde há muito venho, insistentemente, alertando.


Artigo completo a ler no Jornal de Notícias de hoje (27-05-09)

sexta-feira, maio 15, 2009

Confirma-se o fim do 73/73...

Após 36 (!!!!????) anos de luta os arquitectos viram finalmente revogado o inominável decreto 73/73 e reconhecida a obrigatoriedade dos projectos de arquitectura serem feitos por arquitectos.
A arquitectura aos arquitectos! A César o que é de César!.
Mais informações aqui (Ordem dos Arquitectos).

Phillip Glass . "Opening"


Parece que hoje, após 36 anos, vai finalmente ser revogado o famigerado decreto-lei 73/73, que permite que em Portugal os projectos de arquitectura possam ser feitos por não arquitectos. É motivo para comemorar, embora com (muitas) reservas... De qualquer forma, (enquanto se aguardam mais pormenores) aqui fica um tema de um dos maiores compositores da actualidade.

terça-feira, maio 05, 2009

Redução das coimas ambientais volta a ser notícia no "Público"

Desta vez é manchete. O artigo de Ricardo Garcia no Público intitula-se
"Redução das coimas: por infracções ambientais pode chegar aos 84%"
Que interesses estarão por detrás disto?... Isto já não é um Governo... É uma anedota!

segunda-feira, maio 04, 2009

A "Casa António Osório" no "O Diário do Alarife"


O blogue "O Diário do Alarife" publica imagens sobre um dos poucos edifícios de arquitectura tradicional recuperados em Boassas - A Casa António Osório. Trata-se de uma obra publicada e que integrou também o rol de edifícios de valor patrimonial que levou à classificação da povoação como "Aldeia de Portugal"...

sábado, maio 02, 2009

Governo quer reduzir as multas ambientais

O saque continua e aumenta de intensidade!... Depois de vilependiarem a Reserva Ecológica; a Reserva Agrícola e de permitirem construções escudados em supostos PIN's (projectos de interesse nacional), pretende agora o governo diminuir o peso das multas sobre os crimes ambientais. "Uma vergonha"... refere o jornal Público.

sexta-feira, maio 01, 2009

Contra as alterações à RAN (Reserva Agrícola Nacional)

Já aqui havíamos falado sobre mais este atentado ao ambiente, à ecologia, aos recursos do país e ao futuro das gerações vindouras, mas foi ao ler o sempre presente BIOTERRA que tivemos conhecimento do artigo de Ana Fernandes no jornal "Público" e da petição que se encontra a circular em defesa da Reserva Agrícola Nacional e que, com a devida vénia e agradecimento, transcrevemos a seguir:

Em defesa da Reserva Agrícola Nacional (RAN)

Por Ana Fernandes in Público de 29-04-2009

«Portugal já não é rico em solos férteis, mas uma recente legislação veio retirar a garantia de que os que existem serão preservados. É esta a principal crítica (e preocupação) de um grupo de cidadãos que pôs a circular na Internet uma petição em defesa da Reserva Agrícola Nacional (RAN).No final do mês passado, foram aprovadas alterações ao regime da RAN que, segundo os subscritores, não melhoraram a lei anterior, antes a alteraram por completo. Por isso, apelam a que os deputados à Assembleia da República introduzam alterações que permitam que os solos sejam salvaguardados para a produção de alimentos.

A petição foi posta a circular na segunda-feira em reserva-agricola-nacional e já conta com cerca de 450 assinaturas, entre as quais a do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, um dos ideólogos das reservas agrícolas e ecológicas nacionais.

Os subscritores da petição criticam algumas das alterações introduzidas, as quais, referem, foram escamoteadas ao escrutínio público durante a preparação do diploma. Permitir a incondicional florestação dos solos agrícolas, excluir da RAN áreas destinadas a habitação, actividades económicas, equipamentos e infra-estruturas (subalternizando a defesa dos poucos solos férteis do país a necessidades que podem ser colmatadas de outras formas) e as numerosas utilizações de áreas da RAN para outros fins são as principais questões apontadas.

Uma das principais críticas tem a ver com o facto de se prever que a delimitação da RAN tenha em atenção outros usos para o território. E argumentam que esses usos podem procurar localizações alternativas enquanto o solo agrícola tem uma localização única, cada vez mais rara no contexto nacional, e insubstituível.»

Petição aqui e aqui

"Campanha da EDP subverte realidade sobre barragens"

A QUERCUS chama a atenção para uma campanha publicitária multimilionária, produzida em larga escala e que utiliza a técnica do "greenwash" para vender a ideia de que a construção de barragens é benéfica para a bio-diversidade e para o meio-ambiente. Já nos tinha chamado a atenção o disparate. Trata-se indubitavelmente de tentar "vender gato por lebre". Uma empresa que apresenta lucros de milhões usa a estultícia com o maior despudor, tentando manipular a opinião pública, para que os (seus) interesses económicos não sejam prejudicados... Triste sinal dos tempos!...
(Para ler o artigo publicado no boletim informativo da QUERCUS, "clicar" na palavra sublinhada, ou aqui.)

quarta-feira, abril 29, 2009

"Fundamentalismo anti-ambiental"

(Mais) um excelente artigo de José Rui Fernandes no "Quinta do Sargaçal"... A ler!...
(Para aceder "clicar" na palavra sublinhada)

terça-feira, abril 28, 2009

Catálogo do II Encontro chega à Biblioteca Nacional de Portugal

O catálogo do II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas foi recenseado na Biblioteca Nacional de Portugal. Depois de Espanha, de Coimbra e do Município de Lisboa é agora chegada a vez da Biblioteca Nacional... e já não era sem tempo!...

quinta-feira, abril 23, 2009

Alemanha proibiu o cultivo de milho transgénico!...

"Mon 810 é cultivado em Portugal. Espanha é dos maiores produtores em toda a União Europeia."
"A Alemanha decidiu juntar-se ao grupo de países europeus que já proibiram o cultivo do milho transgénico por temer o impacto que este possa ter no meio ambiente e na vida humana. Na lista estavam já outros Estados membros como a França e a Grécia.(...)"

Artigo de Patrícia Viegas no Diário de Notícias de 14 de abril a ler na íntegra aqui...
Também no Bioterra

terça-feira, abril 21, 2009

A Casa Orlando Constante no "O Diário do Alarife"


O blogue "O Diário do Alarife" publica alguns textos e imagens sobre um dos raros exemplares de arquitectura contemporânea em Boassas - a Casa Orlando Constante/Graça Tendais. A obra encontra-se publicada em livros e catálogos e integrou algumas exposições de arquitectura.
Para aceder basta "clicar na imagem ou na palavra sublinhada.

terça-feira, abril 07, 2009

Perguntas

«Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport?
Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi?
Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido?
Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação?
Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro?
Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado?
Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa?
Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos?
Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no caso Freeport?
A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir?
Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional?
Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido?
Haverá duas justiças?
Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado?
Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport?
O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal?
O que é que dirão da justiça em Portugal?
O que é que estarão a dizer de Portugal?
Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país?
Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa?
Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora?
E cá dentro também?
Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses?
Quanto é que nos vai custar o caso Freeport?
Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou?
Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo?
Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport?
Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar?
E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada?
E o que é que vai fazer agora que o registo é público?
Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto?
Nem convoca o Conselho de Estado?
Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho?
Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?»


Mário Crespo

In Jornal de Notícias de 2009-03-30

sexta-feira, março 27, 2009

O Sr. Manuel Tavares, mestre carpinteiro de Boassas


Já o havia homenageado no livro "Boassas. Uma Aldeia Com História"... Volto a fazê-lo, agora pelo infeliz motivo do seu desaparecimento. Era, salvo erro, a pessoa mais idosa da aldeia. Aqui fica o pequeno texto que lhe dediquei no mencionado livro...

«O Sr. Manuel Tavares constitui um caso raro e “
sui generis”, na povoação de Boassas. Que se saiba é o único representante desta nobre actividade, pois ao invés do que sucede com a arte de trabalhar a pedra, não consta que tenha havido em Boassas uma grande tradição de carpintaria ou marcenaria.
Para quem tiver oportunidade de apreciar alguma das suas obras ou de o ver trabalhar a madeira, rapidamente se aperceberá estar em presença de um verdadeiro mestre, que alia um profundo saber, experiência e conhecimento empírico a uma grande imaginação e criatividade e que pode, por isso, ser considerado um autêntico artista. De facto o Sr. Manuel Tavares, quando jovem, chegou a ser convidado pelo professor catedrático e comendador Dr. Amílcar Tucídides, aquando de uma das suas visitas à “Casa do Cerrado” [1] para se inscrever no curso de escultura das Belas Artes do Porto. Repto este que foi recusado e é hoje lembrado e contado pelo Sr. Manuel Tavares, não sem uma ponta de mágoa e indisfarçável tristeza, que perpassa pelos seus olhos cansados.
Os tempos eram outros, a família necessitava do seu amparo e a cidade imensa, parecia muito longe, estranha e hostil. Hoje, já com mais de oitenta anos, o Sr. Manuel Tavares já raramente trabalha a madeira. Mantém ainda, contudo, uma pequena oficina junto à casa onde vive, na Calçada, em Boassas, onde toda a parafrenália de instrumentos se encontra disposta e guardada e que utiliza sobretudo para fazer os pequenos consertos de casa com que vai matando o vício e a saudade da arte.
Uma das suas obras mais significativas e importantes, da qual nos fala com indisfarçável sentimento de orgulho é, sem dúvida, o já referido retábulo e altar de talha, executado para a capela de Sto. António, da Casa da Calçada, em Oliveira do Douro. De facto, quase todas as grandes casas da região têm obra sua, sejam pequenas peças de mobiliário como as arcas, mesas e sanefas que concebeu para a Casa do Outeiro, ou o restauro tectos soalhos ou móveis como os que fez na Casa do Fundo da Rua. [2]»


[1] Ver capítulo III Património - Casas nobres. IV. A casa do Cerrado

[2] Ver capítulo III. Património - Casas nobres. II. A casa do Fundo da Rua e III. A casa do Outeiro

sábado, março 14, 2009

Blog "Boassas" impulsiona turismo

Já o suspeitávamos, mas tivémos agora a prova de que o blog Boassas (que já ultrapassou a 35.000 páginas visitadas!!!!...) é um impulsionador do turismo na aldeia, já que no blog "O Diário do Alarife" foi registado o seguinte comentário, a propósito de um artigo sobre a casa Fernando Ventura:
«Motivado por algumas das postagens do blogue “Boassas”, visitei a aldeia em 2008. Bem no centro da povoação, com um excelente enquadramento, deparei com aquela que agora sei chamar-se a “Casa Fernando Ventura”.
Estava longe de imaginar que o que se vê é fruto de uma remodelação recente. O recurso a elementos característicos da arquitectura tradicional local, foi feita com uma qualidade tal que fui induzido em erro. Afinal a “Casa Fernando Ventura” não esteve sempre lá, como eu na altura então julguei!»

O autor do comentário é Rafael Carvalho, professor, que vive em Armamar e que assina o notável blog: "Arquitectura D'ouro".
O edifício em questão já
aqui havia sido publicado

sexta-feira, março 13, 2009

Catálogo do II encontro chega a Lisboa

O catálogo do "II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas" (2006) foi recentemente recenseado pela Rede de Bibliotecas Municipais de Lisboa. Depois de Espanha e de Coimbra, agora foi a vez de Lisboa. A cultura dá sempre os seus frutos, mesmo que passado muito tempo... (Provavelmente a biblioteca de Cinfães, ou das escolas do concelho, não o têm!!!...). Para aceder à página da internet onde aparece a dita recensão "cllicar" aqui.

terça-feira, março 03, 2009

Crime e castigo

Noticia o JN que está marcado para o dia 20 de Abril, no Tribunal da Maia, o julgamento de um homem que, em 2007, terá arrombado um galinheiro e furtado duas galinhas no valor de 50 euros.

A Justiça tarda, mas chega.

O criminoso andou mal e merece justa punição, quer pela mediocridade de fins quer pela ruralidade de meios.

Gente como ele, que pilha galinhas em vez de fundar um banco e pilhar as contas dos depositantes, ou como aquela septuagenária que não pagou uma pasta de dentes num supermercado em vez de pedir uns milhões à Caixa, comprar o supermercado na bolsa e igualmente não o pagar, vendendo-o depois à Caixa através de um "offshore" pelo dobro do preço (ou vendendo-lho mesmo antes de o ter comprado), não tem lugar no Portugal moderno e empreendedor. Ainda por cima, deixou-se apanhar.

Se calhar, até confessou, em vez de invocar lapsos de memória.

E aposto que nem se lembrou de se divorciar antes de ser preso, pondo os 50 euros a salvo na partilha de bens.

Não queria estar na pele do seu advogado, não há Código de Processo Penal que valha a um caso destes.

É condenação mais que certa.

Manuel António Pina
(In Jornal de Notícias de 3 de Março de 2009)

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Artigo de Clara Ferreira Alves no "Expresso"

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.
Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.
Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.
A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda,*/coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Clara Ferreira Alves - "Expresso"/*

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Está bem... façamos de conta!

"Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.

Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês.

Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível.

Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das melhores posições no Mundo para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu.

Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média.

Façamos de conta que o Magalhães é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação.

Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo.

Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que quem se mete com o PS leva.

Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de malhar na Direita (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda).

Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport.

Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por onde é que eu ia começar a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal.

Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a falta de liberdade. E Manuel Alegre também.

Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus.

Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores.

Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República.

Façamos de conta que não há SIS.

Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso.

Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chavez, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa.

A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos."

(Mário Crespo in "Jornal de Notícias", via Bioterra)

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Cinfães...a ver passar os navios!


A notícia, divulgada recentemente, dá-nos conta da dotação de 37,5 milhões de euros para projectos no âmbito do Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro. A área abrange todos os concelhos do Alto Douro Vinhateiro, classificado como Património Património Mundial pela Unesco e inclui, pela primeira vez, os concelhos vizinhos de Baião e Resende. Do projecto fazem parte a requalificação de cais do rio Douro e o alargamento do projecto das Aldeias Vinhateiras, procurando gerar sinergias para a criação de emprego na região. Mas também o aumento da sinalização; o combate aos atentados ambientais e a (re)qualificação dos "espaços que marcam a identidade da região, bem como os centros históricos dos concelhos" abrangidos. Cinfães, mais uma vez, fica de fora... a ver passar os navios!
(In Repórter do Marão de 20-11-2008)

quinta-feira, janeiro 29, 2009

O "Freeport" de Boassas


Há algum tempo atrás denunciámos aqui uma situação gritante de desrespeito pelo meio ambiente, Plano Director Municipal, POARC e outros intrumentos legislativos e de ordenamento do território, inclusive obras em zona de Reserva Ecológica e Agrícola, efectudas sem licença e usurpação do domínio público. Passado quase um ano e embora as obras tenham sido declaradas ilegais e inclusive tenham merecido a atenção por parte das autoridades, tudo continua na mesma. Ou antes, pior... já que nada foi feito por parte das entidades competentes, nomeadamente das autarquias. Porque é que esta gente pode fazer tudo o que lhe apetece e um vulgar cidadão, que cumpra a lei, tenha o máximo respeito pelo domínio público e tente fazer as coisas pela via legal, enfrenta toda a espécie de entraves e dificuldades?... Alguém me sabe responder?... Terá alguma coisa a ver com o tal "Freeport"????... E as associações locais, porque estão tão caladas?...

terça-feira, janeiro 27, 2009

Que turismo em Boassas?


Numa altura em que a crise afecta praticamente todos os sectores da vida económica o turismo parece gozar ainda de boa saúde. Claro que esta área não está imune e a recessão também aí se irá fazer sentir. Creio porém que uma gestão racional e organizada dos recursos poderia atenuar fortemente esta tendência. No entanto é precisamente o contrário que vemos fazer. Aposta-se muito mais em indústrias poluentes, asfalto e betão, do que na manutenção dos recursos naturais e paisagísticos, na arte, ou na cultura... mesmo quando a aposta se faz nestas áreas, raramente impera o bom-senso. Preferem-se os grandes empreendimentos que favorecem as multinacionais e o capital centralizado nas grandes urbes, aos pequenos projectos turísticos locais, que trazem benefícios directos sobre a população residente.
Neste aspecto posso dizer que preconizei um certo pioneirismo em Boassas ao fazer o projecto, a expensas próprias, para a primeira unidade turística local - a denominada "Casa do Lódão". Têm-se dito muitas asneiras a propósito do surgimento desta unidade turística, nomeadamente que "surgiu para colmatar a falta de alojamento turístico na região". Na realidade a unidade surge por exclusiva ideia minha, no sentido de recuperar o edifício e torná-lo rentável economicamente. Decidi fazer e aprovar o projecto porque estava sentido e magoado com o meu pai, isto porque embora lhe tivesse pedido que não o fizesse, ele havia mandado demolir parcialmente o edifício, "para passar o tractor". Muitos anos depois de lhe oferecer o projecto aprovado, e após muita insistência da minha mãe, o meu pai decidiu então fazer a obra, que é hoje um caso de sucesso...
Contudo após todo este tempo (a obr
a está a funcionar há cerca de 5 anos) o exemplo ainda não colhe a opinião favorável da maioria da população, embora, e ao contrário do que auguravam todas as opiniões, seja, como dissémos, um assinalável caso de sucesso. De facto o mais difícil é mudar mentalidades!...
Cheguei a fazer ainda mais dois projectos de turismo para Boassas e um terceiro nas proximidades, no lugar do Lodeiro. Um foi a chamada "Casa dos Goivos", de que já aqui falei. Fiz, sem custos para os proprietários, a pré-inscrição na Direcção Geral do Turismo, que seria aprovada. No entanto, numa atitude incompreensível, a casa viria a ser demolida pouco depois pelos próprios donos... (Dá Deus nozes...!!!!!). O outro projecto que fiz e aprovei (tanto na Direcção Geral do Turismo, como na Câmara) foi para a multissecular "Casa do Cerrado" (na foto). A propriedade é também do meu pai e o projecto previa uma unidade de turismo rural com 6 quartos. O projecto acabou por ficar na gaveta e a inoperância e desleixo deixou que expirasse a validade do mesmo na câmara... (Mais uma vez, "as nozes"...!!!!). O terceiro projecto, da "Casa do Lodeiro", apenas chegou a ser esboçado. Ainda assim, mais uma vez de forma altruísta, cheguei a abrir o necessário processo, preenchi a ficha de inscrição no turismo e realizei o levantamento fotográfico... o levantamento arquitectónico apenas não foi realizado porque, embora planeada, não cheguei a acertar a data com o meu colega arq. Renato de Brito... E ainda bem!...

terça-feira, janeiro 20, 2009

Auto-censura


A pior censura é sempre aquela que impomos a nós próprios. Dei por mim a perguntar-me porque motivo não me apetecia escrever ou publicar o que quer que fosse. A resposta acabaria por chegar, de forma natural, quando ao conversar com alguém acabei por dizer que apenas me apetecia escrever sobre a Palestina. Nos tempos que correm, em que mal nos pronunciamos sobre a situação do povo palestiniano logo somos apelidados de anti-semitas, acabamos por nos impor este silêncio ensurdecedor... Em jeito de redenção, aqui fica um belíssimo poema do maior poeta palestiniano (perseguido pelas autoridades israelitas, pela sua intifada das palavras...), acompanhado de um expressivo desenho de José Emídio.

Para uma melhor informação ver o "dossier" do jornal "Público": "Guerra em Gaza"