
Há quatro anos lamentávamos
aqui a destruição parcial da Quinta do Paço da Serrana por um incêndio de grandes dimensões, que apesar de tudo não havia consumido a grande floresta. Hoje acabou de arder o que então remanesceu. O concelho de Cinfães perdeu o seu maior símbolo cultural e natural e também um dos espaços mais importantes de bio-diversidade e valor paisagístico de todo o distrito de Viseu. Claro que foi apenas "azar". Em quatro anos todas as medidas e mais algumas foram tomadas no sentido da preservação daquele espaço, para que não voltasse a suceder o mesmo. Por exemplo, a limpeza constante e assídua da floresta, para o qual contribuiu a classificação de todo o conjunto como área protegida pela Direcção Geral das Florestas, proposta pela APOBO (Associação Por Boassas) prontamente apoiada pela Câmara Municipal de Cinfães. Infelizmente "o azar" não permitiu sequer que fossem identificadas algumas das espécies assinaladas pelos técnicos da DGF... Agora será já impossível. Claro que é o azar. Pois, como dizíamos atrás, todas as medidas e mais algumas foram tomadas, até porque o espaço foi cedido a uma empresa para exploração turística, pelo que não só as autarquias, como os próprios investidores estavam plenamente empenhados na protecção de toda aquela riqueza. Vejamos, por exemplo, as medidas de prevenção e vigilância eram exemplares (havendo rondas pela floresta de guardas 24h por dia) e os acessos foram não só melhorados, como criados alguns novos, de forma a possibiltar o ataque rápido pelos bombeiros a partir da parte inferior da quinta. Também os pontos de água existentes na quinta estavam todos operacionais, para além do próprio sistema de distribuição de bocas de água ao longo de todo aquele espaço. Até nos passeios a Fátima proporcionados pela CMC aos idosos do concelho não tem sido descurada a salvaguarda da Quinta do Paço, sendo-lhes sempre lembrada a importância de uma "rezinha" para a preservação de todo aquele património. Por último, não nos esqueçamos do investimento em termos humanos e materiais com que os próprios bombeiros têm sido dotados no concelho, em que será de salientar o esforço enorme e que implicou o corte orçamental em 300.000 € de duas festas de S. João, que foi a aquisição de um helicóptero de ataque a incêndios, plenamente justificado pelo facto de este ser um concelho com uma área florestal considerável. Mas, enfim, o "azar" tem destas coisas e quando o destino assim o quer não há medidas, nem rezinhas, que nos valham... Mas ainda irão aí aparecer más-línguas a dizer que muito mais poderia ter sido feito, como se o destino pudesse ser contrariado. Enfim... os do costume!
(A fotografia que ilustra este artigo é da autoria do ceramista espanhol Fernando Malo)