terça-feira, dezembro 27, 2005

Assembleia Geral ordinária - Convocatória

Está a ser enviada aos sócios da APOBO a convocatória para a Assembleia Geral ordinária do corrente ano, a realizar no próximo dia 30 (sexta-feira), pelas 15.30 h, na sede provisória da Associação Por Boassas, sita na Casa do Cerrado, em Boassas, com a seguinte ordem de trabalhos:
1. Discussão, votação e aprovação do Orçamento para o próximo ano.
2. Discussão, votação e aprovação do Plano de Actividades para o próximo ano de 2006.
3. Ponto da situação e informações eventuais sobre as actividades recentes da associação. Agradecemos, desde já, a comparência de todos os associados.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Sustentabilidade e Eficiência Energética na Arquitectura e Construção

Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos promove um seminário sobre "Sustentabilidade e Eficiência Energética na Arquitectura e Construção".
O seminário decorrerá entre os dias 19 e 28 de Janeiro de 2006, no Espaço Cubo, em Lisboa. No dia 19, pelas 16h45, o Professor Doutor Jacinto Rodrigues irá fazer uma palestra sobre o «Padre Himalaya e o Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável». Seguidamente será apresentado o filme documentário «A Conspiração Solar do Padre Himalaya». Para mais informações clique aqui.

Aprender em Curitiba

(Uma experiência urbana no brasileiro estado do Paraná, que faz fronteira com o Paraguai e com a Argentina)

Curitiba, capital do Estado do Paraná, tem quase um milhão e meio de habitantes. A sua situação geo-estratégica coloca-a num lugar privilegiado.
O Estado do Paraná faz fronteira com o Paraguai e com a Argentina.
Para além de ter uma boa abertura fronteiriça com esses países, Curitiba encontra-se numa situação específica onde, num raio de 1300 Km, estão situados os maiores pólos económicos do Brasil, ficando assim situada no centro da região mais industrializada da América do Sul. Mas, ao mesmo tempo, o Estado do Paraná confina com uma das maiores e mais belas reservas naturais: as espectaculares cataratas de Iguazú.
A experiência de Curitiba nada tem a ver com uma "utopia" ecológica desligada da envolvente social brasileira. Não é portanto um "modelo" fechado que vive por exclusão esquizofrénica da restante realidade brasileira.Contudo, contendo no seio da sociedade-cidade todos os contrastes e contradições da sociedade brasileira (a pobreza e a opulência) assiste-se também a uma realidade singular que não deixa de nos surpreender. Aqui, nesta experiência urbana, existe uma estratégia envolvente que sem rigidez nem purismos vai entrelaçando desejos e realidades, vai despoletando a participação das populações num movimento de pedagogia social, em que a utopia se concretiza e a realidade vivida tem referências românticas dum idealismo cívico e ecológico que o pessimismo conservador julgava impossível.
Duma forma sintética julgo que o segredo desta experiência reside no facto de se ligarem aspirações sociais aos interesses individuais e esses mesmos interesses às aspirações, graças a uma mobilização contínua na solução dos problemas, gerando-se pela prática a consciência acrescida das populações e do seu papel na transformação e mudança de vida.
O paradigma exemplar desta pedagogia social pode revelar-se em algumas das actuações que referiremos em seguida:

1. Reciclagem dos lixos
A campanha "lixo que não é lixo - lixo que é riqueza" promoveu, à escala do bairro, uma mobilização popular forte. Os mais desfavorecidos, com o apoio de carrinhos distribuídos pela municipalidade, transformaram-se nos "catadores de papel" e descobriam que o lixo era assim moeda de troca no "câmbio verde" organizado pelo município.
O "camião verde" apanhava, em pontos estratégicos, várias recolhas de bairro efectuadas pelos populares e "pagava" o lixo com os certificados que permitiam a troca por alimentos, livros, bilhetes culturais, brinquedos, etc. Nascia também, neste contacto entre a população e a instituição camarária, uma nova realidade: a recolha do papel em Curitiba salvava 1516 árvores por dia.

2. Apoio aos excluídos
A progressiva consciência das populações carenciadas desenvolveu-se também com a experiência da "Fazenda Solidariedade" - quinta agrícola de Campo Magro, onde se faz a reintegração social de desempregados e se promove, graças aos produtos rurais que aí se produzem, a elaboração de uma sopa distribuída por um autocarro refeitório que atende cerca de 92.212 pessoas carenciadas, por ano.

3. 0 Jardim e o Museu Botânico de Curitiba
Para além dos especialistas que investigam e coordenam os trabalhos notáveis do jardim botânico, são também convidadas escolas para o trabalho no jardim, com a orientação de professores. Aí se educa o amor pela terra e a formação ecológica das crianças e jovens.Uma das actuações no jardim botânico foi a criação de um jardim medicinal que propiciou a plantação de espécies fitoterápicas em pequenos vasos que constituem viveiros didácticos que apoiam as "farmácias" caseiras e a "farmácia verde" em conexão com os serviços de saúde.

4. A Universidade Livre do Meio Ambiente
Reciclando postes de eucalipto, que anteriormente serviam de postes telefónicos, construiu-se um equipamento em madeira que serve de logística para a universidade livre, integrada num parque ecológico. Graças ao "design" criativo do arquitecto Domingos Bongestabes, foi possível gerar-se, com materiais pobres, uma interessante estrutura arquitectónica que se integra maravilhosamente no "sítio".
Neste local funciona uma organização não governamental, a Universidade Livre do Meio Ambiente, cuja iniciativa tem sido essencial na investigação ecológica e na formação de quadros promotores do eco-desenvolvimento.
Não se pode deixar também de falar de várias outras experiências sociais, que contribuem para este envolvimento pedagógico entre a municipalidade, as instituições, as associações não governamentais e a sociedade civil: as Feiras Livres de Agricultura, que aproximam os produtores agrícolas dos consumidores; a Feira Verde, onde se comercializam produtos naturais, sem químicos; e o "Shopping Popular", cooperativa de consumo. São iniciativas em que a vida económica se manifesta numa óptica de solidariedade, procurando não apenas respostas quantitativas mas enunciando estratégias qualitativas para um modo alternativo de sociedade. O "Farol do Saber" é também mais um exemplo para melhor se entender este processo que se constrói todos os dias no seio de clivagens sociais antagónicas, entre esperanças e ilusões, num desafio permanente à recuperação estagnante e à mudança. O "Farol do Saber" está a generalizar-se pelos diferentes bairros. É um centro polivalente que funciona como Escola/Biblioteca/Sala de convívio cívico e centro da polícia municipal.
Trata-se de uma arquitectura emblemática. Referenciando-se ao "farol de Alexandria", pretende ganhar visibilidade na cidade. Implantaram-se já alguns desses edifícios modelos em vários bairros. Do lanternim cimeiro da torre, durante a noite, espelham-se os clarões luminosos, assinalando o local da cultura, do encontro cívico e da segurança social.
São estas algumas das sementes desta experiência social. Acompanham e catalizam experiências espaciais.
Na cidade, surgem zonas verdes, parques, redes de transportes públicos que pretendem em comodidade e serviço, dissuadir o tráfego automóvel no centro da cidade. Vão surgindo as propostas de concretização e melhoramento do plano director.
Fizeram-se saneamentos especiais, limparam-se ribeiros e criaram-se novos loteamentos com casas sociais, numa grande diversidade de linguagens e materiais. Está-se a promover, depois do bairro novo e no seguimento da rua das tecnologias, a cidade verde ou a eco-cidade que, distendendo-se ao longo da periferia de Curitiba, acumula experiência, multiplica dinâmicas sociais e aponta para novos modelos de espaços públicos, energias renováveis e sistemas integrados de transportes. Curitiba não é um paraíso, nem um modelo acabado onde se eternizaram ideais imutáveis de uma utopia sem falhas. Curitiba é um processo. Mas um processo onde todos os dias se tentam ganhar mais actores à construção de uma cidade onde se experimentam e inovam mudanças numa sociedade de contradições e antagonismos.

A. Jacinto Rodrigues, professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
(Artigo publicado no Jornal "a Página", ano 8, nº 76, Janeiro 1999, p. 16.)

terça-feira, dezembro 20, 2005

No país do "chico-espertismo"... Para ler e reflectir...


Por Eduardo Prado Coelho - in Público de 17 de Novembro de 2005

"A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados.... igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!"

Eduardo Prado Coelho - in Público de 17 de Novembro de 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005

A Averróis (1126-1198)


Recordamos a passagem do 807 º aniversário da morte de Averróis, cujo verdadeiro nome era Abu al-Walid Muhammad Ibn Ahmad Ibn Munhammad Ibn Ruchd (أبو الوليد محمد بن احمد بن محمد بن احمد بن احمد بن رشد), notável filósofo árabe, nasceu em Córdova (Espanha) em 1126 e morreu em Marrakech (Marrocos) em 10 de Dezembro de 1198. "Foi um dos maiores conhecedores e comentaristas de Aristóteles. Aliás, o próprio Aristóteles foi redescoberto na Europa graças aos árabes e os comentários de Averróis muito contribuíram para a recepção do pensamento aristotélico. Averróis também se ocupou com astronomia, medicina e direito canônico muçulmano." A ler na Wikipedia.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Douro Património Mundial em risco...

Quatro anos após a elevação do Alto-Douro vinhateiro a "Património Mundial da Humanidade", a candidatura encontra-se em risco, devido à "má construção e às lixeiras" que proliferam sem controlo pela zona classificada... Recordamos de imediato as palavras e atitudes de um dos autarcas da região, que na altura aqui comentamos, e que dizia assim: "Não aceitamos que venha alguém de Lisboa ensinar-nos a governar a paisagem que foi construída por nós. Se ela é bonita, foram as gentes da terra que a construíram e preservaram e não as de Lisboa"... Pois, pelos vistos não seria a "mesma paisagem" e não basta vir alguém de Lisboa. Terá mesmo que ser de Bruxelas, lá da distante Europa... Assim que haja oportunidade haveremos de voltar a este assunto. Por ora concluimos apenas que é a triste sina de um país que caiu na mão de...(digamos)...ineptos! Notícia de última hora, a ler no "Público".

segunda-feira, dezembro 05, 2005

«Glosa de Natal»


“A estação dos Natais comercializados chegou. Para quase toda a gente - fora os miseráveis, o que faz muitas excepções - é uma paragem quente e clara no Inverno cinzento. Para a maioria dos celebrantes de hoje, a grande festa cristã fica limitada a dois grandes ritos: comprar, de maneira mais ou menos compulsiva, objectos úteis ou não, e empanturrar-se a si e às pessoas da sua intimidade, numa mistura indestrinçável de sentimentos em que entram igualmente a vontade de dar prazer, a ostentação e a necessidade de se divertir. E não esqueçamos os pinheiros, símbolos antiquíssimos que são da perenidade do mundo vegetal, sempre verdes, trazidos da floresta para acabarem morrendo ao calor dos fogões, e os teleféricos despejando esquiadores na neve inviolada.
Embora não sendo nem católica (excepto de nascimento e de tradição), nem protestante (excepto por algumas leituras e influências de alguns exemplos), nem mesmo cristã no sentido pleno do termo, nem por isso me sinto menos levada a celebrar esta festa tão rica de significados e seu cortejo de festas menores, o São Nicolau e a Santa Lúcia do Norte, a Candelária e os Reis. Mas limitemo-nos ao Natal, esta festa que é de nós todos. Trata-se de um nascimento, de um nascimento como todos deveriam ser, o de uma criança esperada com amor e respeito, trazendo em si a esperança do mundo. Trata-se dos pobres: uma velha balada francesa canta Maria e José procurando timidamente em Belém uma hospedaria para as suas posses, sempre desprezados em favor de clientes mais ricos e reluzentes e por fim insultados por um patrão que «detesta a pobralhada». É a festa dos homens de boa vontade, como dizia uma admirável fórmula que infelizmente já nem sempre se encontra nas versões modernas dos Evangelhos, desde a serva surda-muda dos cantos da Idade Média que ajudou Maria no parto até ao José aquecendo as fraldas do recém-nascido diante de um pequeno fogo, aos pastores cobertos de sebo mas julgados dignos da visita dos anjos. É a festa de uma raça tantas vezes desprezada e perseguida, porque é judeu o recém-nascido do grande mito cristão (falo de mito com respeito, e emprego a palavra no sentido dos etnólogos modernos, significando as grandes verdades que nos ultrapassam e de que precisamos para viver).
É a festa dos animais que participam no mistério sagrado desta noite, maravilhoso símbolo de que São Francisco e alguns outros santos sentiram a importância, mas que os cristãos comuns desprezam, não procurando neles inspiração. É a festa da comunidade humana, porque é, ou será dentro de dias, a dos três Reis cuja lenda quis que um fosse preto, alegoria viva de todas as raças da Terra levando ao menino a variedade dos seus dons. É a festa da alegria, mas também da dor, pois que a criança adorada será amanhã o Homem das Dores. É enfim a festa da própria Terra, que nos ícones da Europa de Leste vemos tantas vezes prosternada à entrada da gruta onde o Menino nasceu, a mesma Terra que na sua marcha atravessa neste momento o ponto do solstício de Inverno e nos arrasta a todos para a Primavera. Por esta razão, antes que a Igreja tivesse fixado o nascimento de cristo nesta data, ela era já, nos tempos antigos, a festa do Sol.
Parece que não é mau lembrar estas coisas que toda a gente sabe e que tantos esquecem.”

Marguerite Yourcenar em: “ O tempo esse grande escultor” - 1976

quarta-feira, novembro 30, 2005

Mais uma vez Cinfães é notícia pelos piores motivos...

Mais um brilhante (e oportuno) artigo de JRF, no seu Sargaçal, em que se dá conta de notícia sobre Cinfães vinda recentemente a lume no Jornal de Notícias. Retrata a situação calamitosa do interior do país, cada vez mais assimétrico relativamente ao litoral em que o caso de Cinfães é dos mais gritantes nos tempos que correm. Nada que "Planos Tecnológicos" e outras poeirentas núvens, lançadas por megalómanos "parques eólicos" consigam dissipar da visão dos habitantes mais atentos deste "mundo perdido" que é o rural. Este aspecto, do despovoamento e da fuga das populações do interior para o litoral foi, inclusive, um dos motivos pelo qual nasceu a APOBO. O citado artigo chama-se "No interior, o Outono veio para ficar" e é de leitura urgente e obrigatória.

segunda-feira, novembro 28, 2005

«Quem conta um conto...»


Variadas vezes temos visto, nos últimos tempos, em publicações de vária índole, referências à aldeia de Boassas como sendo a "2.ª Aldeia Mais Portuguesa de Portugal". Ora como não pretendemos ser "donos" do que nos não pertence, nem queremos ter louros que se sustentem em falsas verdades, teremos que providenciar o esclarecimento que se impõe acerca deste assunto. É que se a publicação de tais erros em opúsculos de divulgação turística, como o que lançou a Câmara Municipal de Cinfães em 2003 (Cinfães, Roteiro Turístico), são apenas lamentáveis e não têm repercussão, outros , manifestamente já não serão tão aceitáveis, como por exemplo nos "sites" "Portal Turístico do Douro" e SCETAD-"Espigueiro" (também da responsabilidade da Câmara Municipal de Cinfães); ou ainda no "site" da ADVBestança (e ficamo-nos apenas pela "internet" para não ferir a susceptibilidade de supostas "honrosas" publicações e trabalhos académicos). Abreviando, uma vez que seria fastidioso e dispiciendo enumerar agora todos os escritos onde vamos encontrando a mesma torpe afirmação, vamos então tentar explicar o que realmente terá sucedido, deitando mão, como vem sendo hábito, ao "Uma Aldeia Com História". Assim:

«Um dos momentos mais altos da história da povoação de Boassas foi, sem dúvida, a sua participação em 1938, no concurso “A aldeia mais portuguesa de Portugal”. No Largo da Capela ou Avenida Pinto Branco, em frente à Casa do Cerrado, ainda hoje se pode ver uma lápide comemorativa da efeméride, com a seguinte singela inscrição - “VIVA BOASSAS - 1938". Deste acontecimento são ainda hoje recordados pela população mais idosa alguns acontecimentos, nomeadamente a participação activa e empenhada da célebre escritora Carlota de Serpa Pinto. De facto tudo parece ter contribuído para que o momento tenha sido excepcional e para que a participação de Boassas tenha sido memorável.
A aldeia atingia o seu apogeu.
O caminho de ferro não tinha conseguido dar ainda o golpe de misericórdia nos bojudos barcos rabelos e consequentemente nos seus intrépidos marinheiros, tarefa postergada nos carrascos portentosos que haveriam de ser as barragens do Douro das vindouras décadas de 60 e 70. As sardinheiras galgavam lestas o caminho da serra de Montemuro, fazendo uma ponte humana entre as margens do Douro e “da Paiva”. O comércio florescia em dezenas de mercearias, tascos e lojas. A agricultura desenvolvia-se em torno da povoação, que parecia uma autêntica cascata num idílico jardim e os seus frutos, com que se atulhavam os ditos rabelos, eram trocados, no Porto, por outros bens e produtos que aportavam constantemente à aldeia.
Ainda não havia chegado a emigração (e imigração) e com ela(s) o despovoamento, o abandono das terras, das casas, dos campos e da própria alma dos que, por um motivo ou outro sobreviveram a esta autêntica sangria. Terá sido, provavelmente, a época em que mais população houve na aldeia. Esta, fervilhava de bulício e animação. Os bandos de crianças, em algazarra, brincavam e corriam pelas ruas e calçadas. Ouvia-se o martelar sincopado dos latoeiros, o escopro dos pedreiros, a plaina do marceneiros, o malhar do milho e do centeio pelas eiras, o cantar alegre das moças que iam buscar a água à “Fonte-da-Pedra” e o chilrear irritante dos carros-de-bois. O alfaiate, o “Toca-o-fê”, tirava as provas dos fatos com que se iriam abrilhantar festas e cerimónias, o barbeiro cuidava de melhorar a aparência de algum mais hirsuto transeunte e o retratista captava para a posteridade os momentos desses momentos únicos. Da Gralheira, do cocuruto da belíssima serra do “Monte de Mouros”, vinham os entendidos nas artes de moer a azeitona e fabricar o precioso e dourado líquido com que então se iluminavam ainda muitas casas. Pelo “Caminho da Costa”, o moleiro e seu cavalo traziam do moinho a farinha com que, nos fornos, se iria confeccionar o pão, em broas enormes de casca estaladiça e também os bolos de sardinha, que impregnavam o ar de aromas de fazer crescer água na boca aos mais incautos gargântuas e pantagruéis.
A vida decorria sem grandes sobressaltos... Nas portas das casas viam-se as chaves nas respectivas fechaduras. Barulho e refregas também as havia de quando em vez, sobretudo ao fim da tarde, quando Baco fazia os seus etéreos efeitos, à porta das tascas e tabernas. Mas também quando no verão, havendo falta de água, começava também a faltar a paciência pela espera, provocada por alguém que havia exagerado a quantidade de cântaros que um mísero fio de água iria encher. E então, porque este era um serviço de mulheres, era uma gritaria, um alvoroço, um vê-se-te-avias de cacetada, cabelos puxados e insultos de fazer corar as pedras da calçada. Acontecimentos logo esquecidos e perdoados no dia seguinte à saída da missa, pois que o Sr. abade, fazia questão de salientar que “verdadeiro cristão só aquele que sabe perdoar”.
E assim se passavam os dias nessa época já longínqua, em que, malogradamente, não quis a sorte que o famoso “Galo de Prata” viesse cantar para o cimo do campanário da capelinha de Nossa Senhora da Estrela, mas sim para as longínquas e graníticas paisagens da Beira, onde ainda hoje abrilhanta a capela local da aldeia de Monsanto.
O próprio evento do concurso da “Aldeia mais portuguesa de Portugal” é ainda referido e lembrado de quando em vez, por homens de letras e jornalistas, como faz, por exemplo, o escritor Guido de Monterey:

«Apesar de todos os pergaminhos com que, desde sempre, se adornou, o lugar de Boassas apenas se abriu para o país ao ser seleccionado para o concurso “A aldeia mais portuguesa de Portugal”, no ano de 1938. Promovido tal concurso pelo Secretariado de Propaganda Nacional, Boassas teve a honra de ser a povoação escolhida para representar a província do Douro Litoral, dado o afastamento prematuro de uma outra do concelho de Arouca (MERUJAS). Como prémio, um “galo de prata”. O Júri que, há dias esteve neste concelho, escolheu o populoso e comercial lugar de Boassas para concorrer ao “Galo de Prata”. Oxalá tenhamos, em breve, o prazer de ver o referido “Galo” na torre da linda capelinha de Nossa Senhora da Estrela. (Do jornal “O Comércio do porto”, notícia de 23 de Junho de 1938).
Participando, por escolha, 22 povoações do Continente, dez foram eliminadas de início, por não possuírem os requisitos exigidos pelo referido concurso. Ficaram, portanto, doze. Entre estas, Boassas. Após a visita do júri, a cada uma das aldeias concorrentes, reuniu este, em Lisboa, a 7 de Outubro de 1938. Em tal sessão, das doze em confronto, mais seis foram eliminadas. Boassas fazia parte destas.»
[MONTEREY, Guido de - Terras ao léu, CINFÃES, (págs. 331/332)]

Assim, o cobiçado “Galo de Prata”, símbolo da “Aldeia mais Portuguesa de Portugal”, acabaria pois, como foi referido, por ir parar à povoação de Monsanto da Beira, que com isso beneficiou de significativa projecção e relevância, encontrando-se hoje devidamente preservada, sendo visitada diariamente por centenas de turistas, estabelecendo um violento contraste com Boassas, que se despovoou, perdeu grande parte das suas tradições, dos seus usos e costumes, e cujo património continua constantemente a ser destruído. Isto, com o beneplácito das próprias autarquias, quando não com a sua própria colaboração, perdendo-se assim as (poucas) possibilidades de desenvolvimento e de melhoria da qualidade de vida da população que, desta forma, não cessa de abandonar a aldeia.
Será caso para afirmar, tivesse Boassas ganho o concurso e, com certeza, “outro galo cantaria”...» (in "Boassas Uma Aldeia Com História" de Manuel da Cerveira Pinto)

É esta, pois, a história da "2.ª Aldeia Mais Portuguesa de Portugal" que, na realidade poderia, quando muito e na melhor das hipótese ter apenas direito a um honroso 7.º lugar. O que se poderá dizer, certamente, é que Boassas foi à meia-final do referido concurso. Nunca que ficou em 2.º lugar. Mas é assim, "quem conta um conto"...

A ler no Sargaçal...

HDRA Encyclopedia of Organic Gardening - A sempre atenta e sugestiva indicação bibliográfica de JRF e ainda o artigo "POSITIVO", porque a crítica positiva também é desejável e tem sempre lugar. Possamos nós ter sempre aspectos positivos para enaltecer e divulgar...

"Portugal vai ser a horta da Europa"

Um artigo muito interessante a ler, urgentemente, no TERRAFORMA sobre esta notícia vinda a público na última edição do "Expresso". Ou como a agricultura intensiva pode trazer graves danos ambientais. Continuamos, insistentemente, a copiar os "erros" dos outros. Com tantos bons e notáveis exemplos, porque haveremos sempre de optar pelas mesmas soluções?...

sábado, novembro 26, 2005

Notas para uma estratégia de Ecopolis (3)

3.ª e última parte do artigo do Professor Doutor Jacinto Rodrigues, publicado na revista «Arquitectura e Vida» de Março de 2004

7. AGRICULTURA E INDÚSTRIA ECOLÓGICA

Em articulação com a actividade construtiva e também em função de outras actividades como a industrial, deveria proceder-se a uma eco-agricultura que complementarizasse a abertura de novos postos de trabalho às exigências simultâneas da agricultura e indústria numa base ecológica. Um exemplo que me parece interessante estudar é o do incentivo da cultura do cânhamo. Queremos aqui referir, evidentemente, o cânhamo industrial, isto é, a planta Cannabis Sativa L. cujo teor de T.H.C. é inferior a 0,3, não sendo por isso susceptível de ser utilizada como droga. Refira-se ainda que o cultivo desta planta industrial é subvencionado pela União Europeia.A cultura do cânhamo foi praticada no Norte, Centro e Sul de Portugal, ao longo de várias épocas, nomeadamente no fabrico das velas e do cordame para os barcos à vela.
Tem a seguinte particularidade: é uma produção agrícola de fácil manutenção, beneficia os solos e permite, para além da tecelagem, o fabrico de papel e outros materiais. Acontece ainda que, através de processos recentes, esta planta está a ser utilizada na bioconstrução.
Também a transformação tecnológica do bambú chinês “miscanthus” poderá vir a possibilitar uma articulação entre a actividade agrícola e a bioconstrução.
São também possíveis outro tipo de actividades agrícolas (permacultura, agricultura biodinâmica) capazes de promover agro-pecuárias ecológicas.

8. TRANSPORTES ALTERNATIVOS

Os transportes públicos não poluentes deveriam constituir uma alternativa à invasão do trânsito urbano.Com os corredores verdes, para além da função depuradora, criam-se circuitos pedonais e ciclovias que poderão permitir conexões entre várias zonas.As passarelas constituem atravessamentos fáceis, permitindo logradouros por onde se espraiam paisagens urbanas.Os centros da cidade, em particular os centros históricos, são avessos ao uso de automóveis.No estado actual, os veículos são poluentes e constituem uma oposição ao uso de hortas urbanas e espaços públicos de lazer e cultura.

9. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE DAS POPULAÇÕES

A prática do urbanismo numa perspectiva ecológica deverá ter em conta a mobilização das populações na detecção dos problemas e sua resolução.
Assim, o eco-urbanismo é, antes de tudo, desígnio estratégico sujeito às múltiplas interacções surgidas ao longo dum percurso que deve ser entendido como processo permanente embora com faseamentos nos objectivos mas que serão sempre sujeitos a constantes avaliações e retroacções.
A “investigação-acção” e o “trabalho de projecto” são as práticas sociais que melhor se coadunam com esta filosofia. A mobilização consciente da população é decisiva. Volto ainda à experiência de Curitiba:
Nalguns festivais culturais, encontros de cinema, teatro ou música promovidos pela municipalidade dessa cidade brasileira, a entrada dos espectáculos é paga com garrafas usadas ou papel para reciclar. Este tipo de mobilização pela positiva é uma forma educativa que sendo alheia a qualquer processo administrativo-repressivo, liga as aspirações às necessidades, promove solidariedade e cooperação num clima social, lúdico e festivo tão necessário à participação popular nos objectivos de interesse público.
Através desse processo, a população vai tomando consciência da problemática ecológica e o planeador deixa de ter a arrogância dum tecnocrata autoconvencido dum qualquer “modelo” estático e “ad eternum...”.

Assim, o eco-urbanismo é um caminho que se faz caminhando, parafraseando o poeta Machado.

No entanto, qualquer intervenção deve ser reflectida e inserida numa óptica projectiva, futurante, pois os dispositivos topológicos são, por natureza, resistentes à mudança. E quando se constroem dispositivos errados, estes funcionam como travão às mudanças, podendo mesmo transformar-se em mecanismos de reprodução de hábitos opostos à necessária e permanente metamorfose social.

Por, Jacinto Rodrigues . Professor catedrático da Universidade do Porto

quinta-feira, novembro 24, 2005

II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas



Encontra-se em preparação a 2.ª edição do Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas, estando já elaborado o respectivo programa que, seguidamente, damos a conhecer. Foram já contactadas diversas entidades, entre as quais o Museu Nacional de Cerâmica González Martí (Valência), na pessoa do seu director, Jaume Coll. Está, neste momento, confirmada a presença dos seguintes artistas/ceramistas: Arcadio Blasco; Rafael Pérez; Myriam Huertas; Juan Ortí; Fernando Malo; Sofia Beça; Javier Fanlo e do músico português, Gustavo Costa. Lembramos que na exposição da 1.ª edição, do Museu González Martí, ao fim de um mês o museu havia registado 25.000 visitantes, tendo pedido o prolongamento do prazo da mesma... As grandes inovações desta próxima edição serão: a criação de um espaço de aprendizagem para as crianças com o acompanhamento de um professor (duas hora por dia, durante a semana); um concerto de encerramento e a abertura de um espaço de exposição. Esperemos que o sucesso se repita. Neste momento, está a ser comercializado em Espanha, através da revista Ceramikarte, o vídeo do 1.º encontro. O programa, para a próxima edição é o seguinte:

II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas
De 8 a 22 de
Abril de 2006

Dia 8 sábado: Recepção dos ceramistas
Apresentação da temática dos trabalhos a realizar.
Tarde: Reconhecimento do local, montagem da exposição e das bancadas de trabalho.
Dia 9 domingo: Sessão de abertura
Inauguração de mostra de trabalhos dos autores presentes.
Modelação (inclui amostras de paletas para experiências de vidrados).
Dia 10 segunda-feira: Modelação.
Dia 11 terça-feira: Modelação.
Dia 12 quarta-feira: Modelação. Acabamento e secagem das peças produzidas.
Dia 13 quinta-feira: Montagem de fornos de Papel, de fornos de lenha e de fornos a gás.
Dia 14 sexta-feira: Chacota das peças. Preparação dos vidrados. Experiências com os vidrados nos vários fornos, para elaboração das paletas de cor.
Dia 15 sábado: Chacota das peças. Vidragem e cozedura das peças.
Dia 16 domingo:[Páscoa] Dia de Descanso. (Passeio e confraternização entre os ceramistas participantes)
Dia 17 segunda-feira: Montagem de fornos de papel e Cozeduras
Dia 18 terça-feira: Cozeduras.
Dia 19 quarta-feira: Cozedura de peças
Dia 20 quinta-feira: Cozedura de peças
Dia 21 sexta-feira: Cozedura de peças.
Tarde: Mesa redonda. Reflexão sobre os resultados.
Noite: Concerto pelo Quarteto Gheegush (Gustavo Costa - bateria e percussão;
Henrique Fernandes - Contrabaixo; João Martins - Saxofone; Jonathan Saldanha - Electrónica)
Dia 22 Sábado: Sessão de encerramentoArrumação e limpeza do espaço de trabalho

Ainda sobre a primeira edição pode ler-se um interessante artigo no "Jornal do Centro", intitulado "Fazer cerâmica com vista para o Douro".

segunda-feira, novembro 21, 2005

Terra Sã 2005 . Lisboa



É já nos próximos dias 25, 26 e 27, em Lisboa. Ainda não sabemos se as "Aldeias de Portugal", à semelhança do que aconteceu no Porto irão estar presentes (e entre elas, Boassas, claro...) Esperemos que sim...

A propósito de turismo...











Temo-nos abstido de falar de turismo, porém estamos convictos de que o futuro de Boassas passa também, impreterivelmente, por um desenvolvimento neste sentido. Não vislumbramos outra alternativa que não esta, para que a aldeia possa sobreviver. Estamos em crer que a povoação possui todas as condições para que possa ser bem sucedida nesta área. Para que, porém, haja algum sucesso haverá que ter em conta que deverão ser, obrigatoriamente, observadas as seguintes premissas:
- Planear o desenvolvimento da região de forma integrada e sustentável
- Oferecer serviços turísticos de qualidade
- Preservar e valorizar a identidade local
- Preservar a natureza
- Promover os produtos e actividades endógenos
- Apostar no desenvolvimento dos valores antropológicos da região (através de todas as formas comunitárias; administrativas; agrícolas; religiosas e outras)
- Incentivar a valorização das culturas locais, incluindo-as na economia sustentável da região (agricultura; produtos biológicos; artesanato; gastronomia, etc.)
- Promover eventos e visitas orientadas e integradas em projectos de animação sócio-cultural, ambiental e outras...
- Contribuir para a organização de grupos culturais recreativos e eco-museus
- Promover a divulgação da região (e seus produtos) no país e no estrangeiro
Este é o desenvolvimento que almejamos para a aldeia e região onde se insere, tendo como certo que os primeiro passos estão já a ser dados neste sentido, estando a ter já alguma repercussão. Por outro lado, estamos convictos também de que a contrariação deste tipo de desenvolvimento e a continuação da aplicação do modelo das últimas décadas irá, seguramente, inviabilizar a possibilidade de desenvolvimento e de futuro da aldeia e sua região.

Um novo texto do Professor Jacinto Rodrigues...

A ler no Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável. Chama-se Emannuel Rolland - homem que planta hortas, jardins e florestas.

Reino do disparate... ou sinal dos tempos?

Depois do maior bolo de chocolate, da travessia do país em pé-coxinho, do maior banquete servido em cima de uma ponte e outras úteis façanhas, Portugal continua no seu melhor, agora com um monumental traste de metal e luzes... Que mais dizer?...

sábado, novembro 19, 2005

As doceiras de Boassas


















A senhora Joana Carmezim, na feira de Cinfães, última das afamadas doceiras de Boassas. Mais uma arte que se vai perdendo na voragem dos tempos, do "fast-food", do insípido e do vulgarizado em detrimento do genuíno, do autêntico e tradicional

«São célebres as doceiras de Boassas, presença célebre e constante em qualquer feira e Romaria de Cinfães ou dos concelhos vizinhos. Aí se instalam com as suas tendas, espécie de enormes guarda-sóis de madeira e toldo de pano, as iguarias dispostas nos compridos tabuleiros, protegidos por panejamentos alvos e decorativos.
Não há acontecimento, festa ou arraial digno de registo se não for acompanhado com um doce típico. A Páscoa será talvez a época do ano em que mais se fabricam e vendem. Nesta altura, em que as galinhas põem mais ovos, produz-se também o pão-de-ló.
Os doces mais típicos são, porém, os deliciosos bolos de manteiga, vulgarmente chamados de “matulos”, quiçá pela sua forma amorfa e desajeitada. Mas são também célebres as “fatias”, espécie de pão-de-ló, cortado em fatias rectangulares e com uma cobertura de açúcar branco, parecidos com as célebres “cavacas” de Resende, assim como uns pequenos bolos de pão-de-ló, redondos e achatados e totalmente recobertos de açúcar. Antigamente a manteiga com que se faziam os “matulos” era trazida da serra de Montemuro pelas sardinheiras de Boassas. Tanto a manteiga como os outros produtos da serra eram trocados directamente pelo peixe que levavam.»
[1]

Não poderia deixar de referir aqui outros doces típicos de Boassas, embora não comercializados nas feiras e festividades da região, mas mais ligados às festas familiares (no caso ao Natal), nomeadamente: as filhós (tão bem confeccionadas pela sra. Do Céu) e os "formigos" (espécie de açorda doce - ovos, pão, açúcar, sultanas e canela. - e, provavelmente, mais uma herança árabe...).

[1] Manuel da Cerveira Pinto in "Boassas, uma aldeia com história" - 2004

quinta-feira, novembro 17, 2005

O "Boassas" no "Mofo"...

O blogue de Oliveira de Frades "MOFO", dedica-nos um artigo em que transcreve duas linhas de um comentário que fizemos a propósito de cinema e cultura... Chama-se "O Mofo visto de Boassas, Cinfães".

segunda-feira, novembro 14, 2005

Novamente as eólicas do Montemouro

O Sargaçal continua a brindar-nos com oportunos artigos sobre as eólicas do Montemouro. Agora afirma que "para o Montemuro já é tarde"; "não há nada a fazer", mas... será mesmo assim?

sexta-feira, novembro 11, 2005

"O petróleo branco das serras"

O Sargaçal edita um oportuno texto sobre o novo parque eólico que vai ser implantado em Tendais (Cinfães) na já tão massacrada Serra de Montemouro... O tema anda a ser muito badalado e pode ser lido também no Ondas2 e no Ambiente Online. Quando será que os senhores governantes vão perceber que a questão ambiental passa, em primeiro lugar e impreterivelmente, pela gestão e ordenamento do território?...

quarta-feira, novembro 09, 2005

Notas para uma estratégia de Ecopolis (2)

2.ª parte do artigo do Professor Doutor Jacinto Rodrigues publicado na revista «Arquitectura e vida» de Março de 2004

3. BIO-CLIMATIZAÇÃO E BIO-DEPURAÇÃO
O verde urbano, através de corredores verdes, jardins e bosques urbanos, deve ter uma função ecológica decisiva para a bioclimatização e biodepuração.
Muito do lixo orgânico, resultante dos consumos urbanos, pode ser reciclado como fertilizante para hortas e bosques. Recorde-se o exemplo de Curitiba em que os fertilizantes orgânicos entregues pelos cidadãos, permitem a troca com produtos agrícolas criados nas hortas municipais.
Também a renaturalização dos rios não é apenas uma questão de estética.
Hoje conhecem-se bem os fenómenos da fito-depuração dos sistemas de lagunagem, da meandrização e das pequenas cascatas como factores de melhoria na qualidade da água.

4. ENERGIAS RENOVÁVEIS
As energias renováveis devem ser tratadas como uma questão central do ecodesenvolvimento. Devem ser utilizadas duma forma integrada e essencialmente numa escala regional. Por exemplo: mini-centrais que articulem várias energias complementares (solar/ eólica/ hídrica/ biogás, etc.) podem responder muito melhor do que estruturas gigantes monoenergéticas. A escala construtiva comunitária oferece também vantagens sobre o uso de protótipos energéticos à escala familiar. Todas estas estruturas devem inserir-se numa malha policêntrica do território, capaz de o cobrir, energeticamente, com o máximo de descentralidade e complementaridade.

5. BIO-CONSTRUÇÃO
A edificação deve pautar-se por uma legislação com preocupações ecológicas claras. O uso de materiais não poluentes, as preocupações pelos sistemas solares passivos, a articulação com a bioclimatização gerada pela eco-paisagem, devem ser um factor chave. A própria disposição espacial pode valorar o aproveitamento energético.
O exemplo francês pode ser implementado como processo pedagógico. O programa denominado construção de alta qualidade ambiental (H.Q.C.) estabelece concursos especiais na base de soluções ecológicas através da escolha de materiais não poluentes e soluções energéticas alternativas.
As edificações públicas, em particular as escolas e centros de formação cultural devem tornar-se experiências exemplares. Quando funcionam segundo o preceito da eco-construção, favorecem comportamentos e atitudes que são as melhores soluções para uma verdadeira educação ambiental.
A construção bioclimática exige novas formas, novos materiais, novos processos de implantação topológica. Estas novas morfologias complexas são dispositivos catalizadores duma outra civilização. (continua)

Jacinto Rodrigues
(professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto)

I concurso de fotografia da APOBO... já há prémios!


Já há prémios para o nosso concurso de fotografia. São os seguintes:
1.º prémio: 300 €
2.º prémio: 150 €
3.º prémio: 75 €
Caso se justifique, podem ser atribuídas Menções Honrosas.
Estamos à espera da vossa participação. Bom trabalho!

Lapsos...

Havíamos já reparado que o número de "comentários" havia diminuído drásticamente após a última reformulação do blogue. Atribuímos a causa ao facto de termos introduzido uma chave para evitar a entrada de mensagens automáticas ou publicidade. Afinal havíamos, inadvertidamente, seleccionado uma opção em que apenas os membros do próprio blogue poderiam fazer comentários. A todos aqueles que entretanto tentaram, infrutíferamente, colocar comentários aos nossos artigos formulamos o mais veemente pedido de desculpas. Esperamos, pois, voltar a ter muitos e construtivos comentários.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Mais "reciprocidades"...

A comunidade em torno de Boassas não pára de aumentar e de nos surpreender. A mais recente adesão vem dos lados de Oliveira de Frades e chama-se MOFO. Da visita ficou-nos uma muito boa impressão. Mais uma vez só nos resta agradecer e retribuir a deferência. Bem hajam!...

Poluição luminosa...

É espantosa a forma como prolifera a iluminação dos montes na região. Há casas e terrenos de particulares que têm mais iluminação que a aldeia de Boassas inteira. A necessidade de afirmação, o provincianismo saloio dos "senhores doutores" que chegam das cidades e querem mostrar as suas belas "maisons" de desenho caseiro em estilo "neo-português-suave" é um atentado á vista. E não bastava só sê-lo durante o dia. Agora nem à noite passam despercebidos, que o estatuto social não tem dia nem hora. Até porque eles nem sequer têm medo do escuro. Que culpa têm eles do atrazo existente no mundo rural, onde à noite não há carros, movimento e luzes para afastar lúgubres pensamentos. Estrelas?...Pássaros e animais nocturnos?...Aumento do consumo da energia eléctrica?...Aquecimento global?...«Quero lá saber disso. Quero é mostrar a minha casa nova, até porque o andar lá na cidade não se pode iluminar e mostrar "ao público"!... E a factura, afinal, é a dividir por todos.»
Isto a propósito do brilhante artigo "Poluição Luminosa", de Bernardino Guimarães, a ler no blog «Campo Aberto».

terça-feira, novembro 01, 2005

Afinal talvez seja esta a próxima vítima...



Capela de Nossa Senhora da Estrela

Este fim-de-semana reparamos que começaram a ser executadas obras na capela de Boassas, estando a ser retirado o reboco exterior. Esperamos, sinceramente, que sejam apenas obras de "restauro" e que nada vá ser alterado do seu aspecto exterior. Sabemos bem da apetência actual pela "pedra à vista", que nada tem que ver com este tipo de edifícios, nem com a época em que foram construídos e que há anos, infelizmente destruiu parcialmente o interior. Muito estranhamos que não haja o devido acompanhamento por técnicos especializados tratando-se de uma obra com quase trezentos anos e que integra o rol do património da aldeia, a qual, recordamos, se encontra classificada no PDM como "de Valor Patrimonial" e também, recentemente, como "Aldeia de Portugal". Esperamos que não seja esta a "próxima vítima" e aproveitamos para falar um pouco sobre este edifício, deitando mão, mais uma vez ao "...Uma aldeia com história".

«A Capela de Nossa Senhora da Estrela localiza-se ao cimo da Arribada, junto às casas patrimoniais do Cubo e do Cerrado, coroando a zona mais antiga da povoação e rematando o largo principal, a Avenida Pinto Branco ou Largo da Capela (como é mais conhecido). Trata-se de uma capela modesta, de singela arquitectura chã ou plana, mas com algumas particularidades, ainda assim, dignas de nota.
Não é, seguramente, a capela original da aldeia, cujos vestígios subsistem, quanto a mim, sob a majestosa Casa do Cubo, uma vez que me parece de todo improvável que a aldeia não tivesse uma capela já em 1253, data em que D. Afonso III lhe outorgou a sua honrosa Carta de Foral. Esta é uma construção bem mais recente, edificada, segundo a inscrição na sua frontaria por sobre a porta principal, no ano de 1710.
A esta edificação refere-se o historiador M. Gonçalves da Costa da seguinte forma:
“Na (capela) da Senhora da Estrela, em Boassas, deixou Timóteo Campelo, em testamento, um óbito de missas perpétuas às sextas-feiras e sábados, mas sem qualquer legado a favor da instituição. Supriu Francisco Botelho do Amaral, vinculando-lhe 200 mil réis a juros para a fábrica. A 11 de Julho de 1713, a cúria episcopal passou a licença para a
celebração da missa, pagando o P.e João Godinho da Costa a chancelaria.” [1]
Trata-se de um templo de uma só nave, com capela-mor, arco triunfal e sacristia.
O altar maior, de modesta talha com motivos vegetalistas, pintada a branco e ouro, integra no seu retábulo uma delicada imagem de Nossa Senhora, em pedra de ançã. Adossados ao arco triunfal estão dois altares, revestidos em artística talha de traço barroco, que integram formosas imagens de S. Francisco de Assis e S. Sebastião. Possui ainda uma “Imagem de Nossa Senhora de Fátima benzida a 8 de Dezembro de 1981” e terá sido “restaurada em 1929”.
[2]

Será ainda de salientar o curioso e peculiar pequeno coro, com acesso pelo exterior.
Sofreu recentemente obras de manutenção e aqui, lamentavelmente, este sofreu foi de facto doloroso, pois que as obras foram executadas sem qualquer critério ou orientação, tendo sido realizadas várias atrocidades, como por exemplo a eliminação do reboco das paredes, deixando a pedra à vista, contrariando a característica da época em que foi executada; a substituição do pavimento em soalho de madeira por outro de medíocres mosaicos cerâmicos vidrados e a eliminação das pinturas decorativas do tecto, subsistindo apenas a imagem central, horrivelmente desfigurada.
O exterior, felizmente mantém-se intacto, ou quase, não fosse o péssimo hábito que têm as pessoas de “adornar” o pequeno campanário que coroa a frontaria com a mais variada panóplia de trastes, que vão desde uma horrorosa cruz metálica com lâmpadas multicolores, até bandeiras e a uma parafernália incrível de altifalantes. Estes, assim que começam a debitar ruído, transformam aquele que deveria ser um local sagrado num autêntico “inferno”, capaz de enlouquecer o mais manso dos personagens bíblicos, afastando tudo e todos das suas imediações, mesmo os que a pretendam visitar.
“Xinfrim” à parte, a capela de Boassas, ou melhor a capela de Nossa Senhora da Estrela, destaca-se e sobressai, não pela sumptuosidade, riqueza ou grandiosidade, mas sim pela sua graciosidade despojada, pela escala, rigor e coerência das suas proporções e merece a pena, sem dúvida, ser visitada.
É, como comecei por referir, um exemplar digno da chamada arquitectura chã ou plana, cuja particularidade reside sobretudo no contraste entre os rugosos elementos de granito e a superfície lisa do reboco caiado. E aqui será também de salientar um outro aspecto também fortemente dissonante e negativo que é o rodapé negro que introduziram nas suas fachadas e que nada tem a ver com aquele tipo de edificação e com a sua época.
O elemento, no exterior, que mais realce adquire é, sem dúvida, o gracioso e proporcionado campanário. Este adorna a fachada principal, ao centro e é delicadamente esculpido em granito e encimado por uma cruz central e dois pequenos coruchéus, a fazer lembrar um pórtico de feição renascentista e constituindo uma opção muito curiosa e invulgar.
Os dois extremos da fachada são também ornamentados por dois coruchéus idênticos, mas de maiores proporções. Será ainda de referir as duas grandes cruzes de granito que ornamentam exteriormente as zonas do arco e da ábside na parte posterior do edifício, o que constitui também uma opção pouco frequente e invulgar. Todos os anos é costume realizar-se uma festividade em frente à capela em honra da Santa padroeira, Nossa Senhora da Estrela, em que a imagem é transportada em procissão.


Bibliografia consultada
[1] COSTA, M. Gonçalves da - História do Bispado e Cidade de Lamego, vol IV, págs. 374/375
[2] MONTEREY, Guido de - Terras ao Léu, Cinfães, pág. 292

Manuel da Cerveira Pinto
in "Boassas - Uma Aldeia com história", 2004

segunda-feira, outubro 24, 2005

Notas para uma estratégia de Ecopolis (1)


1. METODOLOGIA
A primeira reflexão metodológica é a necessidade de pensar em termos interdisciplinares e transdisciplinares nas intervenções urbanas. A abordagem deve ser integrada. Os vários elementos: a componente das energias, da produção, da circulação, dos consumos e da reciclagem, interagem uns nos outros. Assim, as questões naturais, técnicas e sociais são sistémicas e só podem ser abordadas segundo o pensamento da complexidade.
Essa abordagem deve ser mais profiláctica do que terapêutica. A cidade deve ser entendida como um eco-sistema. Tal perspectiva exige sair da visão “moderna” da cidade mega-máquina e procurar enquadrar a urbe como a expressão eco-sistémica da ligação da sociedade como componente da Biosfera. Este é o sentido lato com que se deve entender a paisagem antrópica.
A cidade como mega-máquina é dissipativa, consumista e contaminante. Tem como matriz o “Shoping Center”.
A eco-polis, cidade como eco-sistema regenerativo, funciona num processo integrado entre civilização, eco-técnica e biosfera.

2. CONCEPÇÃO DA PAISAGEM
Assim, a estrutura construída, o processo de urbanização, deve enquadrar-se na paisagem mais global e articular-se na cidade-região/cidade-natureza.
Como corolário deste ponto de vista procura-se então, em vez do uso de energias fósseis que levam ao esgotamento dos recursos naturais, criar uma produção de energias renováveis e eliminar uma produção com materiais poluentes e energias não limpas, evitando os resíduos contaminantes e tóxicos. Os lixos deveriam ser recicláveis, permitindo assim a substituição do metabolismo linear, próprio das máquinas, em metabolismo circular ou regenerativo dos seres vivos. Esta é toda a diferença existente entre um entendimento da cidade como máquina ou da cidade como “ecosistema”.

3. MULTIFUNCIONALIDADE
A monofuncionalidade, ou seja, a separação das actividades urbanas, característica dos zonamentos da cidade-máquina “moderna”,deve dar lugar a uma interacção onde os mesmos elementos podem constituir respostas multifuncionais.
Isto é particularmente importante no que diz respeito à relação entre paisagem natural e edificação. As árvores e os arbustos, a reorganização do planeamento vegetal em geral, e também a reorganização hidrológica, constituem factores não apenas susceptíveis de embelezamento estético mas de bioclimatização e de biodepuração.

Jacinto Rodrigues
Professor universitário

sexta-feira, outubro 21, 2005

Rio de ouro



Amo este e não outro
O de prata é lindo - ouço dizer
O brilho está em quem nas margens o vive

Quero este e não outro
O Tejo é mais imponente - há quem o julgue
A força está nas margens que lhe dão vida

Sinto este e não outro
O Ganges é local de oração - dizem as escrituras
Apenas este desperta a fé que preenche o meu coração

Adriana Carmezim in "No Silêncio do Amor", Junho 2005

quinta-feira, outubro 20, 2005

Guia Ambiental do Cidadão














Mais um livro para enriquecermos a nossa biblioteca. Via "Grupo Vida Urbana e Ambiente", a quem desde já agradecemos.
«O Guia Ambiental do Cidadão é um projecto da CIDAMB - Associação Nacional para a Cidadania Ambiental (fundada no ano 2000 pelas Associações Quercus, Geota e LPN), cujo objectivo é o de transmitir, de forma acessível a qualquer interessado, a informação fundamental sobre os direitos de cidadania existentes no ordenamento português por forma a possibilitar o seu exercício.
Esta informação também está disponível na rede aqui e é inteiramente grátis! Pode até descarregar aqui a versão PDF
Transcrição parcial do artigo publicado no blog referido e que pode ser lido na íntegra aqui.

Pequenas coisas... IV

Ainda sobre o automóvel e com a ajuda da "Ecosfera"
- Utilize transportes públicos e ande a pé ou de bicicleta sempre que possível.
- Convém conduzir a velocidades moderadas, sem pôr o motor em marcha demasiado lenta; uma aceleração rápida queima grandes quantidades de combustível e produz um maior nível de poluição do que a aceleração gradual.
- Tente descobrir quem, no seu emprego, faz o mesmo percurso que você. Em vez de quatro carros, poder-se-á utilizar apenas um.
- Mantenha os pneus com a pressão correcta. Assim, está a impedir o seu desgaste prematuro devido a uma maior flexibilidade ou aquecimento exagerado. Para além disso, poupa gasolina.
- Compre pneus mais duradouros.
- Não compre um automóvel maior do que as suas necessidades. Automóveis mais pesados utilizam até 50 por cento mais combustível do que os modelos mais leves.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Assembleia Geral Extraordinária

Realizou-se no passado Domingo, dia 16, a 2.ª Assembleia Geral da APOBO. A afluência foi bastante grande, estando presentes cerca de metade dos sócios actualmente inscritos. Foram votados os seguintes pontos:
- Criação de uma Empresa de Inserção para a limpeza e vigilância de matas, florestas e pinhais.
- Inclusão de funções de apoio e solidariedade social na empresa a criar.
- Designação dos responsáveis pela candidatura a apresentar ao centro de Emprego da região, Maria Alice da Cerveira Pinto; Sónia Constante e Fernando Cardoso Gregório.
Os três pontos votados foram aprovados por unanimidade, tendo-se assim conseguido alcançar todos os objectivos a que se propunha esta assembleia. Foram ainda esclarecidas algumas dúvidas aos presentes e foi também feito um resumo das actividades mais significativas da associação até à presente data.

terça-feira, outubro 18, 2005

Património de Boassas II


A capela da "Casa do Fundo da Rua"

«O templo religioso integrante da Casa do Fundo-da-Rua é designado vulgarmente por Capela de Nossa Senhora. Esta encontra-se adossada ao edifício principal e contém na sua frontaria o brasão, magníficamente esculpido, de Serpa, Costa, Pinto e Brito.
Trata-se de uma bela construção de características absolutamente barrocas, na sua melhor tradição, em que a profusão ornamental e a textura do granito contrastam com a superfície lisa e austera do reboco caiado.
Todo o trabalho em granito é de uma delicadeza e perfeição exemplares e confirma plenamente a fama dos antigos canteiros e pedreiros de Boassas, donde será de salientar a cruz localizada ao centro e os dois pináculos que a ladeiam e encimam a frontaria, bem como os cunhais, singularmente tratados como se de colunas coríntias se tratasse, encimadas com motivos fitomórficos.
No interior, bastante despojado se comparado com o exterior, será de salientar o retábulo em magnífica talha barroca em madeira à vista e o coro, que permitia aos donos da casa assistir às celebrações religiosas sem terem que sair.»

[In "Boassas, Uma aldeia com história", de Manuel da Cerveira Pinto, publicado préviamente no Jornal Miradouro n.º 1213, de 13 de Agosto de 1999]

segunda-feira, outubro 17, 2005

Pegada Ecológica II...

aqui havíamos falado em "pegada ecológica". Agora, graças à indicação do "Solariso" é possível calcular a "Pegada Ecológica". Basta clicar aqui e seguir as indicações...

domingo, outubro 16, 2005

Jogo ecológico do Greenpeace ganha prémio

O Jogo da Memória “Selva”, criado pela AlmapBBDO para o Greenpeace, levou o Bronze no prêmio MMOnline/MSN na categoria ‘Além do Banner’. "A brincar, a brincar dizem-se as verdades". Em Português...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Arquitectura popular desaparecida


A "Casa do Rêgo". Um notável exemplar de arquitectura vernácula, infelizmente já desaparecido. Mais um caso (depois deste já aqui mencionado) a engrossar a listagem da delapidação constante do património construído desta aldeia milenar...

quinta-feira, outubro 13, 2005

Para o Sargaçal...II

«Nem a preces nem a blasfémias lhes dá ouvidos o mar»
[Peter Pedersen - Escritor sueco]

quarta-feira, outubro 12, 2005

Guia de Acesso à Justiça Ambiental











Graças ao blogue do "Grupo Vida Urbana e Ambiente" ficamos a saber do lançamento, pela Euronatura, em Maio passado, deste livro. Será mais um a ficar na nossa lista de encomendas e esperamos venha a ser proveitoso. Entretanto, para quem quiser consultar, há uma edição em formato electrónico.

terça-feira, outubro 11, 2005

O Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado...

Alternativa ao Capitalismo na Era da Globalização

Por: Jacinto Rodrigues

Resumo
Não é possível construir uma sociedade de justiça social sem mudança do modelo territorial energético, baseado na sustentabilidade ecológica.
A ecologia, como fundamento substantivo da política e da técnica, torna-se essencial para a alternativa ao paradigma do capitalismo na fase da globalização.

Palavras-chave:

Desenvolvimento ecologicamente sustentado
Ecodesenvolvimento
Eco-ciência planetária


Mesmo para o cidadão comum, de hoje, é uma evidência constatar a evolução do capitalismo e reconhecer a especificidade desta etapa que se designa de globalização.
Porém, a questão essencial é saber se a natureza do sistema capitalista mudou.
a) Será que desapareceram a exploração, dominação e as injustiças sociais que advêm desse modelo social?
B) Encontrou este modelo capitalista um processo de concertação dos seus antagonismos, inerentes ao seu processo de funcionamento?
c) Que ocorreu em relação à capacidade de resposta dos grupos sociais explorados e dominados, aos novos processos de economia transnacionalizada na sua nova fase do capitalismo financeiro, “financiarização”, de cibernetização tecnológica, “informatização” e alargamento manipulatório “mediatização”? (AMIN 1997))
No estado actual, a etapa da globalização alargou a economia de mercado para uma fase cada vez mais gravosa para com o equilíbrio da biosfera. O valor de uso dos produtos tornou-se presa de interesses financeiros dominantes. O oligopolismo, ou seja, o capital financeiro sobrepôs-se à lógica de investimentos produtivos. A geopolítica do capital transnacionalizado impôs modelos sociais/militares e tecnológicos mundializados.
A generalização de uma tecnologia que produza um antagonismo crescente em relação à biosfera.
Esse antagonismo crescente revela-se essencialmente pelo facto de que este modelo tecnológico funciona como uma predacção exterminadora dos bens planetários criando simultaneamente resíduos superiores à reciclagem de que dispõe a biosfera.
Os eco-sistemas são violentados pelo alargamento duma tecnologia produtora de esgotamento energético e matérias-primas, ao mesmo tempo que gera lixos tóxicos.
A generalização desse antagonismo capitalismo versus natureza, acompanha e agrava outros antagonismos essenciais. Cresce o fosso ente os grupos cada vez mais reduzidos, detentores do meios de dominação, produção e alienação e o resto da sociedade que, por sua vez, se decompõe em grupos sociais integrados e outros excluídos.
Cresce o fosso entre regiões onde o crescimentos se realizou à custa da periferia despojada dos seus próprios meios naturais de subsistência.
Por outro lado, ocorrem antagonismos também entre os próprios detentores do capital porque a concentração e a concorrência inerente ao modelo mercantil acentua rivalidades em torno da conquista do poder dominante. A concentração faz-se através do aniquilamento dos mais fracos que têm de se sujeitar a essa geo-estratégia de concentração.
O modelo tecnológico, aparece com uma lógica de produtivismo quantitativo que insinua um progresso social. A tecno-ciência mecanicista/positivista (sem uma base ecológica e assente na energia fóssil e na poluição) constitui a trama essencial da produção. Com efeito, dos transportes à agro-indústria, o modelo tecno-científico hegemoniza o tipo de crescimento da economia capitalista.
O sistema de ensino do Estado, privado ou empresarial, constitui um pilar de reprodução do próprio sistema. A socialização cultural é substituída pela institucionalização escolar. Esses referentes paradigmáticos interferiram na estrutura cognitiva, criando e reflectindo uma concepção de ciência e de cultura. Os “epistemes” são produzidos e reproduzidos nesta “grelha de interpretação”(WALLACE 1963) que interessem a manutenção social.
A organização territorial consolida a integração social de maiorias e exclusão de minorias não adaptativas.
A concentração urbana caracteriza esse habitat alheado do eco-sistema. Mas a organização territorial desta fase de globalização tem gerado dispositivos topológicos (FOUCAULT, 1976)) que constituem formas de integração e de dominação cada vez mais sofisticadas. A maquilhagem formal, a espectacularidade das edificações, escondem adestramentos comportamentais das populações e marcam com geo-estratégias complexas, a reprodução alargada da força de trabalho, o domínio manipulatório e/ou compulsivo de hábitos (BOURDIEU-PASSERON, 1964)), de formas de vida e de consumo.
Durante o processo da mundialização da economia capitalista, através das formas coloniais ou neo-coloniais, as sociedades tradicionais de economia de subsistência apresentaram, e apresentam ainda hoje, resistências à imposição desse modelo capitalista, social, tecnológico, territorial e educativo.
Essas sociedades tradicionais não têm actividades puramente económicas. A caça e a agricultura são actividades familiares e comunitárias. Como refere Polanyi,(POLANYI, 1980)) os princípios dessas sociedades vernaculares são formas de reciprocidade que estabelecem um tecido de obrigações mútuas estreitando os laços entre os membros da comunidade. (Goldsmith, 1995)
A tecnologia e o habitat das sociedades vernaculares constituem as formas de estar duma sociedade em busca da auto-suficiência, que obedece às imposições do nicho ecológico em que a comunidade se insere
O processo educativo na sociedade, confunde-se com a socialização, vigorando o processo de adaptação à comunidade e ao eco-sistema de que são dependentes.
O processo colonial e neo-colonial instaura-se essencialmente pelo sistema tecnológico e pelos novos dispositivos territoriais. São estes elementos fortes que facilitam a “pilhagem” e produzem a catástrofe das populações nativas.
O habitat e a tecnologia tradicionais, não produziam esgotamento dos bens naturais. Os detritos eram reciclados pelo ecosistema local.
A transmissão de doenças era menos fatal nas comunidades isoladas do que em populações concentradas e em situações degradadas das aglomerações urbanas.
As relações de economia de mercado vieram acelerar a desintegração dos ecosistemas pois os valor de uso ao ser substituído por valor de troca, provocou a delapidação das florestas, aumentou a desertificação e intensificou processos de concorrência que levaram a conflitos étnicos e às guerras.
Ao estabelecermos estas constatações sobre as sociedades vernaculares não queremos, contudo, considerá-las isentas de limitações e portanto não é nosso ensejo apresentá-las como o paradigma alternativo ao modelo técnico-científico do capitalismo.
As ideologias colonial e neo-colonial esforçaram-se em tecer juízos de valor sobre as sociedades vernaculares, querendo ddemonstrar a supremacia do modelo cultural e civilizacional dos países de economia dominante. Foi o pretexto para legitimarem a colonização. Foi e é o discurso ideológico dominante.
Quisemos caracterizar a situação das sociedades vernaculares mostrando como as sociedades colonizadoras, contribuíram para o desequilíbrio entre o homem e a biosfera.
O que se pretende nesta comunicação é formular uma decifração ecológica dos paradigmas entre essas sociedades, que ultrapasse a mera análise “económica”. Por isso formular uma alternativa significa ultrapassar os quadros referenciais do paradigma científico e moderno. Significa também ultrapassar antigos paradigmas em que a sujeição da humanidade ao envolvimento ecosistémico era quase total.
Ultrapassar a atitude destruidora do modelo capitalista e ultrapassar a atitude adaptativa do modelo de sociedade tradicional é o desafio que se põe para a formulação dum paradigma futurante.
Entre destruição e sujeição existe a possibilidade de uma sociedade capaz de integrar os ecosistemas de um modo activo, de maneira a tornar mais conscientes as relações dos homens com os seres vivos e com o biótopo.
O alargamento da consciência planetária, o aparecimento de propostas ecotécnicas (energias renováveis e uma produção com resíduos recicláveis) e ainda o surgimento das novas formas de organização territorial ecologicamente sustentada, permitem apontar como possível, esta “utopia” social, baseada no desenvolvimento ecologicamente sustentado.
Para isso há que encarar as soluções para os antagonismos sociais mas também formular, simultaneamente, respostas às conflitualidades na biocenose e entre a biocenose e o biótopo.
Não existem portanto, soluções político-económicas em estrito senso. Política e economia enquadram-se numa eco-política mais geral, como seja a gestão do próprio planeta. Em última instância é de uma eco-sofia em processo a que teremos de recorrer para esta hipótese alternativa de paradigma.
A história da humanidade aparece apenas como um processo parcelar duma mais vasta aventura planetária. No entanto, para a humanidade, as experiências já vividas nos diferentes modos de produção, nos diversos complexos tecnológicos e energéticos, nos diversos paradigmas político-filosóficos, permitem experiência e teoria para o desenvolvimento futuro.
As aspirações por uma sociedade mais justa e solidária, ficaram assinaladas ao longo da história, por grandes movimentos de libertação. Estes movimentos sociais, só de uma forma vaga e às vezes paradoxal, referenciaram a problemática ecológica. Essas aspirações confundiram-se, umas vezes, com o mimetismo passivo à mãe terra, outras vezes, com o grito Prometaico, portador da sociedade industrial. Outras vezes ainda, ao contrário, orientaram-se para uma sabotagem do surto tecno-científico do sistema fabril.
Com o advento da teoria ecológica, reformulam-se os quadros da ciência positivista e das ideologias sociais. Reencontramos proximidades entre a geo-cosmogonia mágica nativista e as revelações duma complexidade holística da teoria ecológica. Mas há diferenças qualitativas no alargamento da consciência planetária e na capacidade de controlo da humanidade para o equilíbrio ou desequilíbrio entre a organização social e a biosfera.
Se, através da tecnociência se conseguiram autênticos massacres na biosfera, criando a poluição generalizada, a devastação das florestas, a desertificação dos solos, a contaminação das águas, a partir da investigação eco-técnica é possível a produção de protótipos de energias renováveis que não esgotem os bens naturais nem poluam o planeta.
A evolução do conhecimento nas ciências do território, permite a implantação de novos habitats integrados no ecosistema.
O habitat, território, desenvolvimento, bioagricultura, ecotécnica, produção e reciclagem, são corolários sistémicos para um desenvolvimento ecologicamente sustentado.
É nesta configuração territorial e com estes novos dispositivos eco-tecnológicos que se podem propiciar novos comportamentos e atitudes solidárias mais consentâneas com as aspirações de justiça social.
Estes lugares matriciais podem assim, facilitar uma socialização solidária, uma eco-territorialização e uma eco-técnica imprescindíveis para a concretização desta utopia realizável.
Esta utopia não é um “modelo”. É um processo de mudança alternativa à sociedade tradicional de subsistência e à sociedade de globalização do capitalismo neo-liberal.
No terreno prático, o que se pretende, neste artigo, é defender o eco-desenvolvimento (SACHS, 1995) como alternativa para qualquer das sociedades. Qualquer que seja a etapa de crescimento, terá que ter uma opção tecnológica e territorial ecologicamente sustentável que possa auferir experiência prática, teórica e científica da humanidade.
As sociedades vernaculares ou tradicionais, têm uma proximidade material das preocupações ecológicas. Mas, ao mesmo tempo, encontram-se longe das opções reflexivas que podem garantir pela eco-técnica actual, uma melhoria das tecnologias apropriáveis, tradicionais. Contudo, nas sociedades do capitalismo global, será necessária a reconversão da tecnociência à ecotécnica. Terá que surgir uma “medicina planetária” (LOVELLOCK, 1998) capaz de curar as mazelas do crescimento produtivista.
Cresceram os perigos gerados pelo modelo de crescimento. A vida quotidiana dos cidadãos é cada vez mais marcada pelos desastres ecológicos, quer sejam alimentares quer sejam climatéricos.
Há cada vez mais movimentos que tomam consciência planetária desses perigos e mais claramente surgem alternativas concretas no domínio da eco-técnica, da organização territorial e do modo de vida. São experiências exemplares que tendem a multiplicar-se.
Novas formas organizativas, como redes não hierarquizadas onde a unidade se estabelece pelo direito à diferença, despontam em todos os países. Da federação destas organizações e da participação duma “ciência cidadã” (IRWIN 1998) surgem já expressões dum internacionalismo solidário no desenvolvimento ecologicamente sustentado, visível em Seatle e Porto Alegre.

Jacinto Rodrigues
(professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto)

Referências bibliográficas
(1) Amin, Samir, “Imperialismo e Desenvolvimento Desigual”, 1998, Ed. Ulmeiro
“Eurocentrismo”, 1999, Ed. Dinossauro
“Desafios da Mundialização”, 2001, Ed. Dinossauro
(2) Bourdieu-Passeron, “Les Heretiers”, 1964, Ed. Minuit, Paris
(3) Foucault, Michel, “La gouvernementalité” in « Magazine Litteraire », nº 269, 1998
«Surveiller et Punir», 1976, Ed. Gallimard, Paris
(4) Goldsmith, Edouard “Desafio ecológico”, 1995, Ed. Inst. Piaget
(5) Irwin, Alane, “Ciência Cidadã”, 1998, Ed. Inst. Piaget
(6) Lovellock, James, “Ciência para a Terra”, 1998, Ed. Terramar
(7) Polanyi, K. “The Great Transformation”, 1980, N.Y.
(8) Sachs, Ignacy, “Norte-Sul: Confronto ou Cooperação?” in “Estado do Ambiente no Mundo”, 1995, Ed. Inst. Piaget
(9) Wallace, A.F.C. “Culture and Personality”, 1963, Ed. Rondon House, N.Y.

(Artigo publicado no Jornal MiraDouro n.º 1471, de 24 de Setembro de 2004)

segunda-feira, outubro 10, 2005

"Ao fim do dia, à soleira..." A propósito do I Concurso de Fotografia da APOBO


Esta imagem, com a qual se apresenta o regulamento do I Concurso de Fotografia da Associação Por Boassas, revela bem a capacidade de preservação da memória desta arte. O Sr. José Tendais, com o seu trajo característico (de notar os socos), conversa ao fim do dia com um casal de idosos, na soleira da "Casa do Pigarço", infelizmente, também ela já apenas uma memória, pois foi fruto do "vandalismo" que tem destruído este notável património da aldeia...
O regulamento do concurso é o que segue:

CONCURSO DE FOTOGRAFIA

Boassas . “Aldeia de Portugal”

A APOBO [Associação Por Boassas] vai promover o seu I Concurso Internacional de Fotografia, subordinado ao tema «Boassas . “Aldeia de Portugal”».
O concurso visa a promoção e divulgação da aldeia de Boassas e zona envolvente, alertando e sensibilizando as pessoas para a importância dos valores patrimoniais da povoação e da área rural que a envolve, incentivando-as para sua conservação e preservação.
Ao propormos nesta 1.ª edição o tema «Boassas . “Aldeia de Portugal”» pretendemos divulgar a figura turística de que, graças à APOBO, a povoação agora faz parte e salientar todos os aspectos, nas suas mais variadas vertentes, que levaram a esta recente classificação.

Regulamento

1. O I Concurso Internacional de fotografia, organizado pela Associação Por Boassas, é da responsabilidade da referida associação.
2. O concurso está aberto a todos os interessados, nacionais ou estrangeiros, à excepção dos membros do júri.
3. As inscrições são gratuitas.
4. O concurso tem como tema: «Boassas . “Aldeia de Portugal”»
5. Cada concorrente pode apresentar a concurso o máximo de três fotos.
6. As fotos, a cores ou a preto e branco, devem ter as seguintes dimensões:
- Dimensão mínima: 20x30
- Dimensão máxima: 30x40
Todas as fotografias devem ser montadas em janela de cartolina tipo “Bristol”, de modo a atingirem a dimensão de 40x50.
7. Cada trabalho deve conter no verso, em letra bem legível, o pseudónimo do concorrente e o título. As fotos a concurso devem ser acompanhadas da Ficha de Inscrição (ou fotocópia da mesma) devidamente preenchida.
8. a) Os trabalhos a concurso devem ser entregues em mão ou enviados pelo correio até ao dia 30 de Dezembro de 2005 (data de carimbo dos CTT), indicando no remetente apenas o pseudónimo, para:
I CONCURSO DE FOTOGRAFIA DA ASSOCIAÇÃO POR BOASSAS
CASA DO CERRADO, BOASSAS, OLIVEIRA DO DOURO
4690 – 405 CINFÃES
NOTA: A APOBO não se responsabiliza por quaisquer danos ou extravio dos trabalhos.
b) Conjuntamente com os trabalhos deve ser enviada uma carta fechada, contendo a Ficha de Inscrição e o pseudónimo (escrito em letra legível no exterior).
Haverá um júri para a selecção das provas e atribuição dos prémios e das suas decisões não haverá recurso.
Prémios:
1.º prémio: a definir
2.º prémio: a definir
3.º prémio: a definir
O júri pode ainda atribuir Menções Honrosas, de valor a definir
Todos os trabalhos premiados serão ainda publicados em forma de postal ilustrado.
O Júri pode deixar de conceder quaisquer prémios se entender que o nível dos trabalhos a concurso o não justifica.
Os autores dos trabalhos premiados serão avisados individualmente do prémio obtido.
Os trabalhos premiados ficarão propriedade da Associação Por Boassas, que os poderá usar para fim de exposição, publicação nos órgãos informativos e de divulgação da Associação por Boassas (APOBO) ou publicação de postais ilustrados, citando no entanto sempre o nome do autor e mantendo este os respectivos direitos.
Os restantes trabalhos serão devolvidos aos seus autores, desde que expressamente solicitado na ficha de inscrição. Para o efeito deve cada concorrente enviar a quantia de 3,50 € em cheque ou vale de correio.
Os trabalhos apresentados a concurso serão, no todo ou em parte, objecto de exposição (ou exposições) organizadas pela Associação Por Boassas.
Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos em definitivo pela Comissão Promotora. A simples participação no Concurso implica a aceitação total do regulamento.
A direcção da APOBO