terça-feira, outubro 18, 2005

Património de Boassas II


A capela da "Casa do Fundo da Rua"

«O templo religioso integrante da Casa do Fundo-da-Rua é designado vulgarmente por Capela de Nossa Senhora. Esta encontra-se adossada ao edifício principal e contém na sua frontaria o brasão, magníficamente esculpido, de Serpa, Costa, Pinto e Brito.
Trata-se de uma bela construção de características absolutamente barrocas, na sua melhor tradição, em que a profusão ornamental e a textura do granito contrastam com a superfície lisa e austera do reboco caiado.
Todo o trabalho em granito é de uma delicadeza e perfeição exemplares e confirma plenamente a fama dos antigos canteiros e pedreiros de Boassas, donde será de salientar a cruz localizada ao centro e os dois pináculos que a ladeiam e encimam a frontaria, bem como os cunhais, singularmente tratados como se de colunas coríntias se tratasse, encimadas com motivos fitomórficos.
No interior, bastante despojado se comparado com o exterior, será de salientar o retábulo em magnífica talha barroca em madeira à vista e o coro, que permitia aos donos da casa assistir às celebrações religiosas sem terem que sair.»

[In "Boassas, Uma aldeia com história", de Manuel da Cerveira Pinto, publicado préviamente no Jornal Miradouro n.º 1213, de 13 de Agosto de 1999]

2 comentários:

xipsocial disse...

Olá,
qual é a localização geográfica da aldeia de Boassas?
Descrevem-na com cores tão bonitas que a curiosidade em a visitar invade qualquer um!

APOBO disse...

Olá...
Boassas localiza-se na margem sul do rio Douro, no concelho de Cinfães, a cerca de 75 Km da cidade do Porto. Na entrada da zona classificada como Património Mundial. Claro que nós, boassenses que somos, pintamos a aldeia com as cores mais bonitas que imaginar se possa. Contudo, o alerta tem que ser referido. A aldeia ESTÁ MUITO ESTRAGADA e a visita pode mesmo ser um pouco decepcionante se não for correctamente acompanhada. Muitos factores têm contribuído para a degradação e descaracterizaçao de Boassas, nomeadamente: a falta de cuidado na construção/reconstrução; o despovoamento e abandono das edificações; a falta de apoio ao património construído, sobretudo à arquitectura popular; etc. etc. A APOBo intenta, neste momento, chamar a atenção para estes problemas, para que, pelo menos, se salve o que ainda resta. Com a ajuda de todos talvez seja ainda possível. A ver vamos. Oxalá!