segunda-feira, maio 16, 2005

O último dos "fulineiros"


«Rui Teixeira é o último representante de uma das mais nobres actividades artesanais da povoação de Boassas e uma das poucas ainda existentes - a latoaria. Não vão ainda muito longe os tempos em que na povoação eram mais de uma dúzia os latoeiros e funileiros em actividade. Recordo-me ainda de, em miúdo, no regresso da escola, passar no “Casal” e invariavelmente, parar na oficina do Sr. Constantino “fulineiro”, a observar espantado a destreza com que manejava, em as mãos calejadas, o compasso, a tesoura, o maço, a bigorna, a folha de Flandres, o estranho ferro de soldar que fazia a solda prateada e sólida derreter, e ainda todos aqueles utensílios que serviam para que, em poucos minutos, como que por magia, um amontoado disforme de chapas metálicas, se transformasse num belo e útil regador, numa luminosa candeia ou numa esbelta almotolia. (...)
Apesar de todas as contrariedades o Sr. Rui Teixeira não esmorece e actualmente é um dos grandes divulgadores do nome de Boassas e do concelho de Cinfães noutras regiões do país, nomeadamente através de algumas célebres feiras de artesanato onde vai participando, como a de Vila do Conde, tendo já sido distinguido em exposições e mostras de artesanato. Invariavelmente está também presente em feiras como as de Cinfães, Baião e Marco de Canavezes, mas é o seu trabalho, as suas graciosas e autênticas peças de artesanato genuíno que são a sua maior bandeira, a sua marca pessoal que projecta o seu nome e divulga a sua qualidade de artesão. A arte de Rui Teixeira foi já, também, alvo de interesse e estudo em publicações ligadas à etnografia.
Numa dessas recentes publicações faz-se menção da necessidade imperiosa de haver “um olhar diferente sobre o artesanato e as artes tradicionais na região, com criação de postos de venda e estímulos à produção...”. [1] Mesmo assim, apesar destes apelos quase desesperados, últimas diligências e esforços para que as artes tradicionais sobrevivam à globalização e massificação, tudo continua por fazer e, desta forma, um dia, o cantar do martelo sobre a bigorna vai-se calar definitivamente, empobrecendo irremediavelmente a sinfonia pastoral das artes e tradições da região, que um poder autárquico (e não só) insensível e inculto não sabe ou não quer preservar.»

[1] RIBEIRO, Nicolau / MARINHO, Sandra - Artesãos e artesanato no Douro-Tâmega, p. 57

(Excerto do livro "Boassas - Uma Aldeia com História" de Manuel da Cerveira Pinto)
(Photo . Sofia Beça . all wrights reserved)

quarta-feira, maio 11, 2005

Conferência de Valência


Ainda o "I Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas", desta feita para falar um pouco da conferência decorrida no Museu Nacional de Cerâmica González Martí, em Valência - Espanha. O encontro referido, deu origem a duas exposições, uma na Maia (Portugal) e outra em Valência (Espanha). Esta segunda foi um verdadeiro sucesso. Ao fim de um mês haviam visitado a exposição cerca de 25.000 pessoas, segundo dados do próprio museu. De tal forma que este pediu à organizadora (Sofia Beça) para que a exposição se prolongasse por mais tempo. O museu acabou ainda por convidar os artistas participantes no evento a realizar uma conferência onde falassem sobre "a experiência de Boassas". É esse o momento que a foto documenta. Na foto vemos (da esquerda para a direita): Fernando Malo (Esp.); Xavier Fanlo (Esp.); Juan Ortí (Esp.); Rafael Pérez (Esp.); Sofia Beça (Port.); Arcadio Blasco (Esp.); Kaori Yamauchi e Yasuyuki Ise (Jap.). Faltaram a pintora/ceramista Rute Marcão e o músico/compositor Gustavo Costa. Esperemos que para o ano se possa realizar um novo encontro, que tenha pelo menos tanto sucesso e repercussão quanto este. Ainda hoje tivemos conhecimento de que o ceramista Rafael Pérez pretende fazer uma exposição em Boassas no próximo mês de Junho. A ver vamos se se confirma...

(Photo . C. Guzmán . all wrights reserved)

domingo, maio 08, 2005

Vista da "Lapa da Chã"


É, sem dúvida, um dos mais bonitos locais da região de Boassas, autêntica atalaia natural sobre o Douro. Infelizmente, actualmente, é praticamente impossível aceder ao local porque não há um caminho mínimamente limpo. Da última vez que visitamos o alcantilado rochedo, com um casal amigo de Espanha, a Miriam e o Juan Orti, ficamos extenuados e todos arranhados... Impossível repetir. Não fosse o local ser o que se vê na foto e teríamos ficado seriamente arrependidos... As autarquias não se podem apenas preocupar com as estradas. Há muita gente que gosta de andar a pé...

[Photo . Manuel da Cerveira Pinto . all wrights reserved]

"Portugal a vôo de pássaro"

Ao compulsarmos, como habitualmente o magnífico "Dias com árvores" tropeçamos com este artigo de José Pacheco Pereira (e demais comentários), chamado "Portugal a vôo de pássaro". Vale a pena ler. Não é nada que já não saibamos e que não nos tenhamos já apercebido há muito. Estranha-se é como só agora, pessoas como Pacheco Pereira, pareçam dar-se conta da situação catastrófica do país em termos ambientais, de (des)ordenamento territorial, de destruição de recursos, da fealdade e falta de qualidade no património construído (90% da construção continua a ser feita por não arquitectos...), da degradação da paisagem; etc. etc..., ainda assim mais vale tarde...

Também não admira que o país esteja assim, com situações como esta...
Por outro lado, os exemplos positivos vêm, como de costume, ou de particulares, ou de movimentos associativos...

O movimento das "Ecoaldeias"

Os estatutos da Associação Por Boassas [APOBO] mencionam que esta tem por fim o desenvolvimento, salvaguarda, promoção e divulgação da aldeia com especial incidência em algumas áreas, entre as quais aquelas de tipo ambiental e ecológico. Deste modo, gostaríamos que o desenvolvimento de Boassas se começasse a fazer tendo como orientação alguns dos princípios ecológicos e éticos que norteiam o movimento das "ECOALDEIAS". Assim, nesta perspectiva, penso que fará todo o sentido transcrever o artigo intitulado:

"O Significado global do movimento das ecoaldeias"

Por Ted Trainer (Faculdade de Letras da Universidade de Nova Gales do Sul, Kensington, Austrália)

«Defendi com ardor, em várias situações, que o destino do planeta depende do sucesso do Movimento das Ecoaldeias. A sociedade actual, assente no triângulo indústria-riqueza-consumismo, é insustentável e injusta, envolvendo taxas de utilização de recursos per capita que são impossíveis de atingir por toda a população. Os países ricos apenas podem manter esses níveis porque estão a retirar muito além da parcela dos recursos mundiais a que têm direito, condenando assim, milhões de seres humanos a níveis extremos de pobreza. Contudo, o objectivo último da sociedade em que vivemos continua a ser o crescimento económico! Isto é, trabalha-se para aumentar ilimitadamente os níveis de produção e de consumo, o nível de vida e o PIB.

Alguns simples indicadores bastam para percebermos a impossibilidade e o absurdo deste tipo de mentalidade (para uma análise mais detalhada ver Trainer, 1995, 1998). Se, em 2070, todos os habitantes do planeta tivessem a possibilidade de atingir o nível de vida que se tem hoje nos países ricos, necessitaríamos de 8 vezes mais terra produtiva no planeta do que a que possuímos agora, e teríamos de produzir 8 a 10 vezes mais quantidade de minério e de combustível do que no presente.

Quando a magnitude desta realidade for compreendida, chegar-se-á à conclusão que não será possível atingir uma ordem mundial justa e sustentável sem uma mudança drástica para um “modo mais simples de viver”, ou seja, para um estilo de vida mais despojado materialmente, utilizando apenas o estritamente necessário a uma boa qualidade de vida, assente na cooperação, e em comunidades relativamente auto-suficientes inseridas num sistema económico totalmente novo.

De que forma poderemos contribuir para que se faça a transição para um ordem mundial sustentável? Na minha opinião, a resposta está em desenvolver ecoaldeias de tal modo exemplares que, quando o modelo actual de sociedade de consumo falhar, as pessoas possam perceber que existe outra alternativa, uma alternativa mais sã, viável, atractiva, justa e ambientalmente sustentável.

A responsabilidade do Movimento das Ecoaldeias é, por isso, enorme. O “modo mais simples de viver” não será desenvolvido pelos governos, corporações, economistas ou entidades oficiais. Só se disseminará se pequenos grupos de indivíduos resolverem construir estas novas comunidades pelos seus próprios meios. Provavelmente, teremos apenas cerca de 20 anos para fazer desta alternativa uma alternativa viável e globalmente aceite, pois é possível que ainda antes de 2020 enfrentemos uma grave crise de falta de petróleo (Campbell, 1997).

Pessoalmente, penso que este cenário fornece vários pontos importantes nos quais o Movimento das Ecoaldeias se pode focar. Em primeiro lugar, devemos centrar a nossa atenção, mais especificamente, em conceitos como a simplicidade, a auto-suficiência e a cooperação no âmbito de sistemas económicos não movidos pelo lucro e crescimento económico gerados pela economia de mercado. Tenho conhecimento de que muitas das comunidades que se autodenominam "ecoaldeias", não têm verdadeiramente em conta este tipo de princípios. Na verdade, muitas albergam estilos de vida e habitações típicas do mais puro consumismo, e ainda individualismo, pouca produção colectiva e auto-suficiência, e propriedades comunitárias.

Em segundo lugar, desenvolver apenas algumas aldeias modelo não servirá de muito. A tarefa essencial é fazer com que a sociedade de consumo perceba que existem realmente comunidades e estilos de vida que permitem uma ordem mundial sustentável e também uma boa qualidade de vida. Por essa razão, devemos levar a cabo uma incansável campanha pedagógica, mas, até à data, o Movimento das Ecoaldeias não conseguiu resultados satisfatórios neste domínio. Muitos de nós continuam a gozar um estilo de vida alternativo, sem se preocupar demasiado em fazer com que as pessoas que vivem na sociedade de consumo percebam o significado global do movimento.

Em terceiro lugar, é necessário estabelecer ligações mais eficazes com outros focos existentes de oposição à sociedade de consumo, tal como organizações ambientalistas, grupos do Terceiro Mundo, e organizações de Esquerda. O importante é demonstrar a estes grupos que a possibilidade de atingirem os seus objectivos (eliminação da pobreza, libertação do Terceiro Mundo, paz global e salvar o ambiente) passa necessariamente pela adopção do estilo de vida vivido nas ecoaldeias.»

Ted Trainer

sexta-feira, maio 06, 2005

O nome de Boassas

Um comentário deixado aqui no "blog" ao nosso artigo "O cipreste da Casa do Outeiro", por Manuela D. L. Ramos, do notável "Dias com árvores", questionava-nos sobre a origem do nome de Boassas. Começo por referir que não há um consenso sobre esta questão, sendo indubitável que a povoação é muito antiga e que já era mencionada antes da nacionalidade, no tempo de Ordonho II, rei de Leão. Há uma ruína de uma azenha com data de 1072 e a aldeia teve foral em 1253. Sobre a origem do nome há uma lenda (que oportunamente contaremos), que predomina, e consegui identificar dois autores com duas versões diferentes, embora com um ponto comum. Ambos remetem o nome para uma origem árabe...
Já mais do que uma vez escrevi sobre este assunto e aproveito a deixa para fazer uma auto-citação da recente tese «O Douro no Garb al-Ândalus. A região de Lamego durante a presença árabe»...
Assim, "o primeiro indício de que o topónimo Boassas (talvez fosse mais correcto grafar-se Boaças) seria de origem árabe e que me despertou a curiosidade, foi dado pela leitura do livro de Manuel Gonçalves da Costa, “História do Bispado e Cidade de Lamego”, num parágrafo em que refere o seguinte:“...Boassas. Este último topónimo não deriva de “boa assás”, mas possivelmente da arábica Habaxa, com o significado de «aldeia negra», como opinou Pinho Leal, e o lugar foi vila e cabeça de couto, regulado por uma carta de foral de D. Afonso III, passada a 15 de Março de 1253.” [1] Tal significado e proveniência, contudo, não se nos afigura muito credível, parecendo-nos mais lógica, bem documentada e coerente, a hipótese proposta por Almeida Fernandes. Significativamente, porém, mantém-se a origem árabe do topónimo, remetendo o autor, no entanto, uma análise mais profunda para um arabista, e refere:“Boaças: freguesia de Oliveira do Douro, concelho de Cinfães. (...)
A forma Boaças é a correcta: 1258 Avoazas IS 981 este mesmo lugar. (...) Avoaças < > Aboaças, a forma antiga, parece-me ser antroponímica arábica, embora de Abolace (1041 Zidi Abolace DC 314) fosse de esperar «Abolaces», o plural - ou melhor, Aboaces: mas não é raro -es >-as: cp. Máceras (Tarouca) <>
[2]

Espero ter sido elucidativo e não demasiado maçador. A lenda terá que ficar para outra altura. Será apenas de salientar que, ao contrário do que é uma ideia feita, os indícios da presença árabe na região são prolíferos e evidentes...

Siglas utilizadas
IS - Inquisitiones; DC - Diplomata et Chartae. (Portugaliae Monumenta Historica)

Bibliografia consultada

[1] COSTA, M. Gonçalves da - História do Bispado e Cidade de Lamego, vol. II, (6 volumes), Lamego, 1977-1984, pág. 368[2] FERNANDES, A. de Almeida - Toponímia portuguesa (exame a um dicionário), Arouca, Associação para a Defesa da Cultura Arouquense, 1999, pág. 96

terça-feira, maio 03, 2005

Boassas . "Aldeia de Portugal"


Ainda não é oficial, mas é de fonte segura. Boassas integra, desde a passada semana, o projecto nacional designado "Aldeias de Portugal". A Associação de Turismo de Aldeia [ATA] votou favoravelmente a adesão de Boassas. Motivo, portanto, de júbilo e regozijo. Boassas está de parabéns. Oxalá saibamos ser merecedores de tal distinção...

O moleiro e o seu burro


Andávamos há já algum tempo para colocar uma fotografia que referisse algum aspecto da cultura e tradição boassense. O comentário ontem deixado neste espaço pela Sónia Constante acabou por acelerar o processo. De facto (já o havíamos referido no artigo "O cipreste da Casa do Outeiro") são tão importantes, enquanto bens patrimoniais, as tradições, a gastronomia, os usos e os costumes como a paisagem, o artesanato ou a arquitectura... Assim (à falta de uma foto da Festa de Boassas - que ficamos a aguardar) optamos por escolher uma fotografia obtida no "desfile etnográfico" organizado pela Comissão de Festas de Boassas, em Julho de 2002. Nela podemos ver o moleiro (Marcelo de Sousa) trajando indumentária tradicional e o seu burro, devidamente engalanado para o evento festivo.

[Photo . Manuel da Cerveira Pinto (all wrights reserved)]

segunda-feira, maio 02, 2005

Feira Internacional de Turismo de Sevilha

Tal como já havíamos referido, vai decorrer entre os próximos dias 5 e 8 deste mês, a Feira Internacional de Turismo de Sevilha - Espanha. A APOBO tem possibilidade de facultar entradas (convites) para os associados que se queiram deslocar a essa magnífica cidade andaluza... A ATA (Associação de Turismo de Aldeia) vai lá estar presente com material promocional das povoações que integram o projecto "Aldeias de Portugal", entre as quais Boassas. Vai haver um stand de 35 m2, com aspectos alusivos às Aldeias, entrega de material promocional e passagem de slides em powerpoint.

Assembleia Geral

Decorreu ontem, dia 1 de Maio, a 1.ª Reunião ordinária da Assembleia Geral da APOBO. O evento foi apenas medianamente concorrido, para o que muito terá contribuído a chuva intensa que se fazia sentir. Contudo a participação foi deveras animada, interessante e positiva... Foi aprovado o plano de actividades e respectivo orçamento. Por unanimidade... As questões colocadas foram, regra geral, pertinentes e elucidativas. Uma das realidades mais notadas e sentidas foi a necessidade do apoio aos idosos e a pessoas incapacitadas, o que acaba por ir de encontro ao estabelecido no próprio Plano de Actividades agora aprovado. Ficamos também, sem dúvida, a conhecer um pouco melhor a realidade actual de Boassas. Obrigado e bem haja a todos os participantes.

sexta-feira, abril 29, 2005

Associação Terramada abre portas...

A Associação Terramada [associação de Permacultura como apoio à recuperação de solos desertificados] vai abrir as suas portas, para um dia de confraternização. É já no próximo dia 1 de Maio.

quinta-feira, abril 28, 2005

AHH! Agora sim...

Embora ainda com algumas deficiências e certa dificuldade conseguimos, finalmente, colocar fotografias decentes neste "blog"... Já não era sem tempo. Continuamos à espera da vossa participação. Façam comentários e sugestões. Nem que seja para dizer mal...

sexta-feira, abril 22, 2005

Cipreste da Casa do Outeiro...


O património de Boassas não é apenas construído. Há um magnífico conjunto de riquezas naturais que merece ser valorizado e preservado. Desde o rio Bestança, à floresta da Quinta do Paço da Serrana, às tradições ainda em uso e às próprias árvores, algumas delas notáveis como este multissecular cipreste da "Casa do Outeiro".

[Photo . Manuel da Cerveira Pinto (all wrights reserved)]

terça-feira, abril 19, 2005

I Assembleia Geral da APOBO

Informam-se todos os associados da Associação Por Boassas, que irá ter lugar, no próximo dia 1 de Maio, na Escola primária de Boassas, pela 15.30 horas, a 1.ª Assembleia Geral Ordinária da APOBO. Os associados, cuja situação se encontrar devidamente regularizada irão, contudo, ser convocados formalmente para o efeito. A assembleia será constituída para debater a seguinte ordem de trabalhos:
1. Aprovação do plano de actividades para o ano 2005.
2. Aprovação do orçamento para o corrente ano.
3. Esclarecimentos eventuais sobre as actividades desta associação e seus propósitos.
Contamos com a vossa participação. Obrigado.

domingo, abril 17, 2005

Novas de Boassas no "Público"

O jornal "Público" trouxe, na sua edição de Sábado, dia 16 de Abril, no suplemento "Fugas" um destaque de quatro páginas, sobre o projecto "Rotas de Cerâmica", do qual a associação de Boassas (APOBO) faz já parte integrante e no qual se incluía o artigo, assinado por Carlos Cipriano que, com a devida vénia, passamos a transcrever:
«Em Boassas, junto ao rio Douro, as placas toponímicas da aldeia são feitas em cerâmica. Uma recordação do I Encontro Internacional de Ceramistas, no qual estiveram presentes artistas de Portugal, Espanha e Japão.
A APOBO é a mais recente adesão às Rotas da Cerâmica. Trata-se de uma associação de desenvolvimento local que tem como objecto a realização de actividades que visem o desenvolvimento e a preservação da aldeia. Foi criada em Maio de 2004 em colaboração com a ceramista portuense Sofia Beça, que ali também tem o seu atelier. A Associação encontra-se já a organizar o II Encontro Internacional de Ceramistas, que terá lugar em Abril de 2006.
Na aldeia pode-se visitar uma galeria de arte e um atelier de demonstração que está aberto a todos os turistas e ceramistas que ali queiram trabalhar. O objectivo mais dilatado será o de criar na região o gosto pela cerâmica e atrair jovens para esta actividade. Para breve está a participação no projecto "Villages of Tradition" que inclui um encontro de ceramistas na aldeia holandesa de Dwingeloo, cujo coordenador já mostrou interesse em que Boassas e os encontros de cerâmica passem a ser um "marca" das VOT "Villages of Tradition".
Fazemos, no entanto, um parêntesis para corrigir algumas "inverdades", inclusas neste artigo, nomeadamente. 1. A ceramista Sofia Beça organizou o I Encontro de Ceramistas mas não participou no nascimento da APOBO. 2. O atelier e "galeria de arte" mencionados não se encontram abertos ao público, sendo necessária uma marcação prévia para efectuar a visita. 3. O coordenador das Villages of Tradition na Holanda, Sr. Frits Schuitemaker, e que recentemente visitou Boassas, referiu, de facto, a possibilidade de os "Encontros de Ceramistas" serem uma marca das VOT, mas para isso Boassas terá ainda que integrar, primeiramente, as "Aldeias de Tradição" de Portugal, o que parece, contudo, estar em vias de suceder...

sexta-feira, abril 15, 2005

Património de Boassas I


Abrimos aqui uma rubrica para falar de algum do mais notável património de Boassas. Começamos pela arquitectura e pela "incontornável" Casa do Cubo, o ex-libris da aldeia. Edifício muito antigo, integra, aparentemente, elementos românicos, barrocos e pós-barrocos. Destes, os que merecem maior destaque são: a imponente fachada norte, com a sua magnífica varanda assente sobre uma sucessão de arcos abatidos. Ao cimo da escada do lado poente destaca-se uma fantástica figura antropomórfica, esculpida na pedra, de carácter românico. De notar também a escadaria barroca, do lado poente, com o corrimão a terminar numa voluta que integra uma cruz de Cristo. O tanque, também de carácter barroco, com a monumental fonte cuja água brota da boca de um leão. No interior sobressai a cozinha tradicional (em funcionamento), com lareira e forno e a sala de estar com um tecto de masseira, octogonal. Nas proximidades, no local chamado "Lameirinhos" fica a capela da casa, também muito antiga, datada de 1650, denominada Capela de Nossa Senhora do Amparo. É também de salientar a riqueza paisagística do lugar...

[Para mais informação sobre a Casa do Cubo, consultar a revista "Terras de Serpa Pinto, n.º 6", de 6/1/1997 da Câmara Municipal de Cinfães; o Jornal Miradouro no.s 1201, 1205, 1210 e 1303; de 7/5/1999, 4/6/1999, 9/7/1999 e 18/5/2001, respectivamente; assim como o livro "Boassas - Uma Aldeia com História", de Manuel da Cerveira Pinto. Fotografia . Manuel da Cerveira Pinto (all rights reserved)]

Novas da Holanda - "News from the Netherlands"

O Sr. Frits Schuitemaker, coordenador na Holanda do projecto "Villages of Tradition" e que esteve recentementemente de visita a Boassas, mandou-nos uma mensagem com o seguinte teor:
"I want to tell the people of Boassas that they live in a beautifull village which, very much has deserved the title 'village of tradition'. The quality is still very good and great, but... they have to take care, because many valuable things will disappear if you don't pay attention. I understand it that some things have no value at the moment, but realise that they will have value in the future, and they also have value for people from other countries, from other cultures. So be proud on what you have and keep it in good condition; this will attract people/tourist and they do spend money in the hotels, restaurants, shops, etc. so this will give new impulses to the liveability.
I hope to visit Boassas again within a short time.
Frits Schuitemaker"


Vamos tentar traduzir da melhor forma possível, pedindo desde já desculpa por algum erro. O nosso inglês não é "brilhante".
"Gostaria de dizer às pessoas de Boassas que vivem numa aldeia muito bonita, que em muitos aspectos merece o epíteto de "Village of Tradition". A qualidade é ainda muita e grande, mas... vocês têm que tomar cuidado, pois muitas coisas valiosas irão desaparecer se não tomarem atenção. Eu percebo que achem que muitas coisas não têm valor neste momento, mas acreditem que, no futuro, elas terão muito valor, e tê-lo-ão também para as pessoas de outros países e de outras culturas. Portanto tenham orgulho naquilo que têm e mantenham-no em boas condições. Isto atrairá pessoas/turistas, os quais irão gastar dinheiro na região, em hotéis, restaurantes, lojas, etc. Então, isto irá trazer novos impulsos para a "viabilidade" da aldeia.
Espero visitar Boassas novamente dentro em breve.
Frits Schuitemaker"
Só podemos dizer: Obrigado Mr. Frits Schuitemaker, esperamos novamente a sua visita. Boassas terá sempre enorme gosto em recebê-lo.

quarta-feira, abril 13, 2005

Permacultura

A Associação Terramada vai realizar um "Curso de Planificação em Permacultura", no Porto, de 16 a 24 de Julho. Para mais informações, consultar o site das "Ecoaldeias". Permacultura é um sistema de planificação positivo e globalmente reconhecido baseado na ética de Cuidar da Terra, das Pessoas e dos Limites ao Consumo.

terça-feira, abril 12, 2005

Turistas em Boassas

Pelos vistos, durante a passada semana andaram a visitar Boassas turistas algarvios, que se encontravam hospedados na Estalagem Porto Antigo. Perguntaram pela Casa do Cubo e por "postais ilustrados". Seria bom que se começasse a pensar que irá ser necessário haver quem possa estar disponível para mostrar a aldeia e dar indicações aos nossos visitantes... Quanto aos postais, é uma ideia que integra os próprios estatutos desta associação. Iremos tentar fazer um concurso fotográfico em que as melhores fotos serão, então, escolhidas para fazer uma colecção de postais...

sexta-feira, abril 08, 2005

Arquitectura tradicional em perigo

Assim era a antiga loja e "Casa do Casaca". O mais recente alvo da "incúria" do poder político local. Algumas mentes "letradas" chamaram-lhe "tugúrio malcheiroso". Não tanto, decerto, como o lixo que se faz transportar dentro de determinadas cabeças... Resta-nos a memória da documentação fotográfica. Ainda assim, uma outra forma de preservar o património...

[Photo . Manuel da Cerveira Pinto (all wrights reserved)]

Novidades

Boassas vai ser divulgada como uma das "Aldeias de Portugal" na próxima Feira Internacional de Turismo de Sevilha, em Espanha. É já no próximo mês de Maio. Esperemos que seja a confirmação de que a nossa candidatura foi aceite... Oxalá!...

Um exemplo...

Quando, no fim-de-semana passado, com o Sr. Frits Schuitemaker, visitamos a aldeia, não pudémos deixar de notar o mau estado geral em que se encontram os caminhos de Boassas. A surpresa veio quando, ao passarmos pelo caminho que medeia entre o quintal da Casa do Cerrado e a Casa do Cubo, notamos que o caminho que leva à Fonte-da-Pedra havia sido limpo. O contraste é de tal forma acentuado, que convida imediatamente a percorrê-lo. E vale bem a pena. A vista que se tem sobre Boassas e sobre a Casa do Cubo é muito interessante. Um exemplo notável de como há ainda quem se preocupe com estas antigas veredas que proporcionam belos passeios a pé e que o poder local teima em não ver... (Obrigado Nascimento. Bem hajas...)

segunda-feira, abril 04, 2005

"Villages of Tradition"

Boassas recebeu este fim-de-semana [dias 1, 2 e 3] o Sr. Frits Schuitemaker, representante e coordenador na Holanda das "Villages of Tradition". O correspondente às nossas "Aldeias de Portugal" e ao qual Boassas é neste momento candidata. Na sexta-feira, depois de uma curta passagem pelo Porto e de um frugal jantar no "Abadia", chegamos a Boassas já bastante tarde. No Sábado o tempo, felizmente, melhorou um pouco e permitiu-nos uma grande caminhada de manhã, até à "Quinta do Paço" e à Granja, passando pelo Lodeiro.
Almoçamos na "Casa do Cerrado" um magnífico repasto que a Sofia preparou, regado com bom vinho da "Casa do Cubo", que a Paula e o Nascimento tiveram a amabilidade de oferecer. A sobremesa, filhós confeccionadas em Boassas pela Sra. do Céu, foi companhada por um magnífico vinho do Porto biológico "Casal dos Jordões". Fomos tomar o café ao Sr. Fernando Gregório e seguidamente passeamos por Boassas. Descemos a "Arribada", vimos as placas toponímicas, que Frits muito apreciou. Visitamos a "Casa do Fundo-da-Rua" e fomos ao "Fornelo de Baixo" ver as vistas. É lamentável a má condição em que se encontram os caminhos (quando não estão sujos e arruinados, foram bárbaramente "assacimentados", uma nota fortemente negativa notada pelo nosso visitante) e a quantidade de casas em ruínas. O percurso terminou na incontornável "Casa do Cubo", com a prova de um exótico licor.
O jantar, que diga-se de passagem estava excelente, foi na "Quinta da Ventozela", local que pelas suas inusitadas qualidades, impressionou o nosso visitante. Juntaram-se a nós o Fernando Calhandro; a Olga e a Mariana. Passava da meia-noite quando voltamos a Boassas. Foi o que se pode chamar "um grande dia"...
O Domingo decidiu obrigar-nos a ficar a manhã em casa, na amena cavaqueira, o que se por um lado foi mau, pois não nos permitiu fazer a programada visita à "Casa do Lódão" e ao rio Bestança, por outro lado facultou-nos a possibilidade de ficar a conhecer melhor o Sr. Frits Schuitemaker. Ao fim da tarde fomos levá-lo ao Porto. Disse-nos ir impressionado com Boassas, com a região, com a "Quinta do Paço", com o acolhimento... Esperemos que volte dentro em breve.
"Thank You Mr. Frits Schuitemaker, you're always welcome."

sexta-feira, abril 01, 2005

Aspecto da página

Gostaríamos de saber a opinião dos nossos visitantes sobre o aspecto desta página. Este irá ser alterado no início de cada semana, até termos uma ideia das vossas preferências. A página branca com o título em azul alternará com uma outra cujo título aparece em branco sobre fundo laranja. Assim, para deixar a sua opinião basta "clicar" abaixo desta mensagem, onde diz "comments" e escrever o respectivo comentário, o qual irá ser publicado e ficará disponível para outros leitores/visitantes... Obrigado pela vossa participação.

Fotografias

Pedimos desculpa aos nossos associados, eventuais leitores e visitantes. Aparentemente as fotografias colocadas neste "blog" não estão a ser visualizadas, facto que muito nos constrange e pelo qual pedimos desculpa. Iremos tentar resolver o problema o mais rapidamente possível. Muito obrigado pela vossa compreensão.