segunda-feira, outubro 24, 2005

Notas para uma estratégia de Ecopolis (1)


1. METODOLOGIA
A primeira reflexão metodológica é a necessidade de pensar em termos interdisciplinares e transdisciplinares nas intervenções urbanas. A abordagem deve ser integrada. Os vários elementos: a componente das energias, da produção, da circulação, dos consumos e da reciclagem, interagem uns nos outros. Assim, as questões naturais, técnicas e sociais são sistémicas e só podem ser abordadas segundo o pensamento da complexidade.
Essa abordagem deve ser mais profiláctica do que terapêutica. A cidade deve ser entendida como um eco-sistema. Tal perspectiva exige sair da visão “moderna” da cidade mega-máquina e procurar enquadrar a urbe como a expressão eco-sistémica da ligação da sociedade como componente da Biosfera. Este é o sentido lato com que se deve entender a paisagem antrópica.
A cidade como mega-máquina é dissipativa, consumista e contaminante. Tem como matriz o “Shoping Center”.
A eco-polis, cidade como eco-sistema regenerativo, funciona num processo integrado entre civilização, eco-técnica e biosfera.

2. CONCEPÇÃO DA PAISAGEM
Assim, a estrutura construída, o processo de urbanização, deve enquadrar-se na paisagem mais global e articular-se na cidade-região/cidade-natureza.
Como corolário deste ponto de vista procura-se então, em vez do uso de energias fósseis que levam ao esgotamento dos recursos naturais, criar uma produção de energias renováveis e eliminar uma produção com materiais poluentes e energias não limpas, evitando os resíduos contaminantes e tóxicos. Os lixos deveriam ser recicláveis, permitindo assim a substituição do metabolismo linear, próprio das máquinas, em metabolismo circular ou regenerativo dos seres vivos. Esta é toda a diferença existente entre um entendimento da cidade como máquina ou da cidade como “ecosistema”.

3. MULTIFUNCIONALIDADE
A monofuncionalidade, ou seja, a separação das actividades urbanas, característica dos zonamentos da cidade-máquina “moderna”,deve dar lugar a uma interacção onde os mesmos elementos podem constituir respostas multifuncionais.
Isto é particularmente importante no que diz respeito à relação entre paisagem natural e edificação. As árvores e os arbustos, a reorganização do planeamento vegetal em geral, e também a reorganização hidrológica, constituem factores não apenas susceptíveis de embelezamento estético mas de bioclimatização e de biodepuração.

Jacinto Rodrigues
Professor universitário

sexta-feira, outubro 21, 2005

Rio de ouro



Amo este e não outro
O de prata é lindo - ouço dizer
O brilho está em quem nas margens o vive

Quero este e não outro
O Tejo é mais imponente - há quem o julgue
A força está nas margens que lhe dão vida

Sinto este e não outro
O Ganges é local de oração - dizem as escrituras
Apenas este desperta a fé que preenche o meu coração

Adriana Carmezim in "No Silêncio do Amor", Junho 2005

quinta-feira, outubro 20, 2005

Guia Ambiental do Cidadão














Mais um livro para enriquecermos a nossa biblioteca. Via "Grupo Vida Urbana e Ambiente", a quem desde já agradecemos.
«O Guia Ambiental do Cidadão é um projecto da CIDAMB - Associação Nacional para a Cidadania Ambiental (fundada no ano 2000 pelas Associações Quercus, Geota e LPN), cujo objectivo é o de transmitir, de forma acessível a qualquer interessado, a informação fundamental sobre os direitos de cidadania existentes no ordenamento português por forma a possibilitar o seu exercício.
Esta informação também está disponível na rede aqui e é inteiramente grátis! Pode até descarregar aqui a versão PDF
Transcrição parcial do artigo publicado no blog referido e que pode ser lido na íntegra aqui.

Pequenas coisas... IV

Ainda sobre o automóvel e com a ajuda da "Ecosfera"
- Utilize transportes públicos e ande a pé ou de bicicleta sempre que possível.
- Convém conduzir a velocidades moderadas, sem pôr o motor em marcha demasiado lenta; uma aceleração rápida queima grandes quantidades de combustível e produz um maior nível de poluição do que a aceleração gradual.
- Tente descobrir quem, no seu emprego, faz o mesmo percurso que você. Em vez de quatro carros, poder-se-á utilizar apenas um.
- Mantenha os pneus com a pressão correcta. Assim, está a impedir o seu desgaste prematuro devido a uma maior flexibilidade ou aquecimento exagerado. Para além disso, poupa gasolina.
- Compre pneus mais duradouros.
- Não compre um automóvel maior do que as suas necessidades. Automóveis mais pesados utilizam até 50 por cento mais combustível do que os modelos mais leves.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Assembleia Geral Extraordinária

Realizou-se no passado Domingo, dia 16, a 2.ª Assembleia Geral da APOBO. A afluência foi bastante grande, estando presentes cerca de metade dos sócios actualmente inscritos. Foram votados os seguintes pontos:
- Criação de uma Empresa de Inserção para a limpeza e vigilância de matas, florestas e pinhais.
- Inclusão de funções de apoio e solidariedade social na empresa a criar.
- Designação dos responsáveis pela candidatura a apresentar ao centro de Emprego da região, Maria Alice da Cerveira Pinto; Sónia Constante e Fernando Cardoso Gregório.
Os três pontos votados foram aprovados por unanimidade, tendo-se assim conseguido alcançar todos os objectivos a que se propunha esta assembleia. Foram ainda esclarecidas algumas dúvidas aos presentes e foi também feito um resumo das actividades mais significativas da associação até à presente data.

terça-feira, outubro 18, 2005

Património de Boassas II


A capela da "Casa do Fundo da Rua"

«O templo religioso integrante da Casa do Fundo-da-Rua é designado vulgarmente por Capela de Nossa Senhora. Esta encontra-se adossada ao edifício principal e contém na sua frontaria o brasão, magníficamente esculpido, de Serpa, Costa, Pinto e Brito.
Trata-se de uma bela construção de características absolutamente barrocas, na sua melhor tradição, em que a profusão ornamental e a textura do granito contrastam com a superfície lisa e austera do reboco caiado.
Todo o trabalho em granito é de uma delicadeza e perfeição exemplares e confirma plenamente a fama dos antigos canteiros e pedreiros de Boassas, donde será de salientar a cruz localizada ao centro e os dois pináculos que a ladeiam e encimam a frontaria, bem como os cunhais, singularmente tratados como se de colunas coríntias se tratasse, encimadas com motivos fitomórficos.
No interior, bastante despojado se comparado com o exterior, será de salientar o retábulo em magnífica talha barroca em madeira à vista e o coro, que permitia aos donos da casa assistir às celebrações religiosas sem terem que sair.»

[In "Boassas, Uma aldeia com história", de Manuel da Cerveira Pinto, publicado préviamente no Jornal Miradouro n.º 1213, de 13 de Agosto de 1999]

segunda-feira, outubro 17, 2005

Pegada Ecológica II...

aqui havíamos falado em "pegada ecológica". Agora, graças à indicação do "Solariso" é possível calcular a "Pegada Ecológica". Basta clicar aqui e seguir as indicações...

domingo, outubro 16, 2005

Jogo ecológico do Greenpeace ganha prémio

O Jogo da Memória “Selva”, criado pela AlmapBBDO para o Greenpeace, levou o Bronze no prêmio MMOnline/MSN na categoria ‘Além do Banner’. "A brincar, a brincar dizem-se as verdades". Em Português...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Arquitectura popular desaparecida


A "Casa do Rêgo". Um notável exemplar de arquitectura vernácula, infelizmente já desaparecido. Mais um caso (depois deste já aqui mencionado) a engrossar a listagem da delapidação constante do património construído desta aldeia milenar...

quinta-feira, outubro 13, 2005

Para o Sargaçal...II

«Nem a preces nem a blasfémias lhes dá ouvidos o mar»
[Peter Pedersen - Escritor sueco]

quarta-feira, outubro 12, 2005

Guia de Acesso à Justiça Ambiental











Graças ao blogue do "Grupo Vida Urbana e Ambiente" ficamos a saber do lançamento, pela Euronatura, em Maio passado, deste livro. Será mais um a ficar na nossa lista de encomendas e esperamos venha a ser proveitoso. Entretanto, para quem quiser consultar, há uma edição em formato electrónico.

terça-feira, outubro 11, 2005

O Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado...

Alternativa ao Capitalismo na Era da Globalização

Por: Jacinto Rodrigues

Resumo
Não é possível construir uma sociedade de justiça social sem mudança do modelo territorial energético, baseado na sustentabilidade ecológica.
A ecologia, como fundamento substantivo da política e da técnica, torna-se essencial para a alternativa ao paradigma do capitalismo na fase da globalização.

Palavras-chave:

Desenvolvimento ecologicamente sustentado
Ecodesenvolvimento
Eco-ciência planetária


Mesmo para o cidadão comum, de hoje, é uma evidência constatar a evolução do capitalismo e reconhecer a especificidade desta etapa que se designa de globalização.
Porém, a questão essencial é saber se a natureza do sistema capitalista mudou.
a) Será que desapareceram a exploração, dominação e as injustiças sociais que advêm desse modelo social?
B) Encontrou este modelo capitalista um processo de concertação dos seus antagonismos, inerentes ao seu processo de funcionamento?
c) Que ocorreu em relação à capacidade de resposta dos grupos sociais explorados e dominados, aos novos processos de economia transnacionalizada na sua nova fase do capitalismo financeiro, “financiarização”, de cibernetização tecnológica, “informatização” e alargamento manipulatório “mediatização”? (AMIN 1997))
No estado actual, a etapa da globalização alargou a economia de mercado para uma fase cada vez mais gravosa para com o equilíbrio da biosfera. O valor de uso dos produtos tornou-se presa de interesses financeiros dominantes. O oligopolismo, ou seja, o capital financeiro sobrepôs-se à lógica de investimentos produtivos. A geopolítica do capital transnacionalizado impôs modelos sociais/militares e tecnológicos mundializados.
A generalização de uma tecnologia que produza um antagonismo crescente em relação à biosfera.
Esse antagonismo crescente revela-se essencialmente pelo facto de que este modelo tecnológico funciona como uma predacção exterminadora dos bens planetários criando simultaneamente resíduos superiores à reciclagem de que dispõe a biosfera.
Os eco-sistemas são violentados pelo alargamento duma tecnologia produtora de esgotamento energético e matérias-primas, ao mesmo tempo que gera lixos tóxicos.
A generalização desse antagonismo capitalismo versus natureza, acompanha e agrava outros antagonismos essenciais. Cresce o fosso ente os grupos cada vez mais reduzidos, detentores do meios de dominação, produção e alienação e o resto da sociedade que, por sua vez, se decompõe em grupos sociais integrados e outros excluídos.
Cresce o fosso entre regiões onde o crescimentos se realizou à custa da periferia despojada dos seus próprios meios naturais de subsistência.
Por outro lado, ocorrem antagonismos também entre os próprios detentores do capital porque a concentração e a concorrência inerente ao modelo mercantil acentua rivalidades em torno da conquista do poder dominante. A concentração faz-se através do aniquilamento dos mais fracos que têm de se sujeitar a essa geo-estratégia de concentração.
O modelo tecnológico, aparece com uma lógica de produtivismo quantitativo que insinua um progresso social. A tecno-ciência mecanicista/positivista (sem uma base ecológica e assente na energia fóssil e na poluição) constitui a trama essencial da produção. Com efeito, dos transportes à agro-indústria, o modelo tecno-científico hegemoniza o tipo de crescimento da economia capitalista.
O sistema de ensino do Estado, privado ou empresarial, constitui um pilar de reprodução do próprio sistema. A socialização cultural é substituída pela institucionalização escolar. Esses referentes paradigmáticos interferiram na estrutura cognitiva, criando e reflectindo uma concepção de ciência e de cultura. Os “epistemes” são produzidos e reproduzidos nesta “grelha de interpretação”(WALLACE 1963) que interessem a manutenção social.
A organização territorial consolida a integração social de maiorias e exclusão de minorias não adaptativas.
A concentração urbana caracteriza esse habitat alheado do eco-sistema. Mas a organização territorial desta fase de globalização tem gerado dispositivos topológicos (FOUCAULT, 1976)) que constituem formas de integração e de dominação cada vez mais sofisticadas. A maquilhagem formal, a espectacularidade das edificações, escondem adestramentos comportamentais das populações e marcam com geo-estratégias complexas, a reprodução alargada da força de trabalho, o domínio manipulatório e/ou compulsivo de hábitos (BOURDIEU-PASSERON, 1964)), de formas de vida e de consumo.
Durante o processo da mundialização da economia capitalista, através das formas coloniais ou neo-coloniais, as sociedades tradicionais de economia de subsistência apresentaram, e apresentam ainda hoje, resistências à imposição desse modelo capitalista, social, tecnológico, territorial e educativo.
Essas sociedades tradicionais não têm actividades puramente económicas. A caça e a agricultura são actividades familiares e comunitárias. Como refere Polanyi,(POLANYI, 1980)) os princípios dessas sociedades vernaculares são formas de reciprocidade que estabelecem um tecido de obrigações mútuas estreitando os laços entre os membros da comunidade. (Goldsmith, 1995)
A tecnologia e o habitat das sociedades vernaculares constituem as formas de estar duma sociedade em busca da auto-suficiência, que obedece às imposições do nicho ecológico em que a comunidade se insere
O processo educativo na sociedade, confunde-se com a socialização, vigorando o processo de adaptação à comunidade e ao eco-sistema de que são dependentes.
O processo colonial e neo-colonial instaura-se essencialmente pelo sistema tecnológico e pelos novos dispositivos territoriais. São estes elementos fortes que facilitam a “pilhagem” e produzem a catástrofe das populações nativas.
O habitat e a tecnologia tradicionais, não produziam esgotamento dos bens naturais. Os detritos eram reciclados pelo ecosistema local.
A transmissão de doenças era menos fatal nas comunidades isoladas do que em populações concentradas e em situações degradadas das aglomerações urbanas.
As relações de economia de mercado vieram acelerar a desintegração dos ecosistemas pois os valor de uso ao ser substituído por valor de troca, provocou a delapidação das florestas, aumentou a desertificação e intensificou processos de concorrência que levaram a conflitos étnicos e às guerras.
Ao estabelecermos estas constatações sobre as sociedades vernaculares não queremos, contudo, considerá-las isentas de limitações e portanto não é nosso ensejo apresentá-las como o paradigma alternativo ao modelo técnico-científico do capitalismo.
As ideologias colonial e neo-colonial esforçaram-se em tecer juízos de valor sobre as sociedades vernaculares, querendo ddemonstrar a supremacia do modelo cultural e civilizacional dos países de economia dominante. Foi o pretexto para legitimarem a colonização. Foi e é o discurso ideológico dominante.
Quisemos caracterizar a situação das sociedades vernaculares mostrando como as sociedades colonizadoras, contribuíram para o desequilíbrio entre o homem e a biosfera.
O que se pretende nesta comunicação é formular uma decifração ecológica dos paradigmas entre essas sociedades, que ultrapasse a mera análise “económica”. Por isso formular uma alternativa significa ultrapassar os quadros referenciais do paradigma científico e moderno. Significa também ultrapassar antigos paradigmas em que a sujeição da humanidade ao envolvimento ecosistémico era quase total.
Ultrapassar a atitude destruidora do modelo capitalista e ultrapassar a atitude adaptativa do modelo de sociedade tradicional é o desafio que se põe para a formulação dum paradigma futurante.
Entre destruição e sujeição existe a possibilidade de uma sociedade capaz de integrar os ecosistemas de um modo activo, de maneira a tornar mais conscientes as relações dos homens com os seres vivos e com o biótopo.
O alargamento da consciência planetária, o aparecimento de propostas ecotécnicas (energias renováveis e uma produção com resíduos recicláveis) e ainda o surgimento das novas formas de organização territorial ecologicamente sustentada, permitem apontar como possível, esta “utopia” social, baseada no desenvolvimento ecologicamente sustentado.
Para isso há que encarar as soluções para os antagonismos sociais mas também formular, simultaneamente, respostas às conflitualidades na biocenose e entre a biocenose e o biótopo.
Não existem portanto, soluções político-económicas em estrito senso. Política e economia enquadram-se numa eco-política mais geral, como seja a gestão do próprio planeta. Em última instância é de uma eco-sofia em processo a que teremos de recorrer para esta hipótese alternativa de paradigma.
A história da humanidade aparece apenas como um processo parcelar duma mais vasta aventura planetária. No entanto, para a humanidade, as experiências já vividas nos diferentes modos de produção, nos diversos complexos tecnológicos e energéticos, nos diversos paradigmas político-filosóficos, permitem experiência e teoria para o desenvolvimento futuro.
As aspirações por uma sociedade mais justa e solidária, ficaram assinaladas ao longo da história, por grandes movimentos de libertação. Estes movimentos sociais, só de uma forma vaga e às vezes paradoxal, referenciaram a problemática ecológica. Essas aspirações confundiram-se, umas vezes, com o mimetismo passivo à mãe terra, outras vezes, com o grito Prometaico, portador da sociedade industrial. Outras vezes ainda, ao contrário, orientaram-se para uma sabotagem do surto tecno-científico do sistema fabril.
Com o advento da teoria ecológica, reformulam-se os quadros da ciência positivista e das ideologias sociais. Reencontramos proximidades entre a geo-cosmogonia mágica nativista e as revelações duma complexidade holística da teoria ecológica. Mas há diferenças qualitativas no alargamento da consciência planetária e na capacidade de controlo da humanidade para o equilíbrio ou desequilíbrio entre a organização social e a biosfera.
Se, através da tecnociência se conseguiram autênticos massacres na biosfera, criando a poluição generalizada, a devastação das florestas, a desertificação dos solos, a contaminação das águas, a partir da investigação eco-técnica é possível a produção de protótipos de energias renováveis que não esgotem os bens naturais nem poluam o planeta.
A evolução do conhecimento nas ciências do território, permite a implantação de novos habitats integrados no ecosistema.
O habitat, território, desenvolvimento, bioagricultura, ecotécnica, produção e reciclagem, são corolários sistémicos para um desenvolvimento ecologicamente sustentado.
É nesta configuração territorial e com estes novos dispositivos eco-tecnológicos que se podem propiciar novos comportamentos e atitudes solidárias mais consentâneas com as aspirações de justiça social.
Estes lugares matriciais podem assim, facilitar uma socialização solidária, uma eco-territorialização e uma eco-técnica imprescindíveis para a concretização desta utopia realizável.
Esta utopia não é um “modelo”. É um processo de mudança alternativa à sociedade tradicional de subsistência e à sociedade de globalização do capitalismo neo-liberal.
No terreno prático, o que se pretende, neste artigo, é defender o eco-desenvolvimento (SACHS, 1995) como alternativa para qualquer das sociedades. Qualquer que seja a etapa de crescimento, terá que ter uma opção tecnológica e territorial ecologicamente sustentável que possa auferir experiência prática, teórica e científica da humanidade.
As sociedades vernaculares ou tradicionais, têm uma proximidade material das preocupações ecológicas. Mas, ao mesmo tempo, encontram-se longe das opções reflexivas que podem garantir pela eco-técnica actual, uma melhoria das tecnologias apropriáveis, tradicionais. Contudo, nas sociedades do capitalismo global, será necessária a reconversão da tecnociência à ecotécnica. Terá que surgir uma “medicina planetária” (LOVELLOCK, 1998) capaz de curar as mazelas do crescimento produtivista.
Cresceram os perigos gerados pelo modelo de crescimento. A vida quotidiana dos cidadãos é cada vez mais marcada pelos desastres ecológicos, quer sejam alimentares quer sejam climatéricos.
Há cada vez mais movimentos que tomam consciência planetária desses perigos e mais claramente surgem alternativas concretas no domínio da eco-técnica, da organização territorial e do modo de vida. São experiências exemplares que tendem a multiplicar-se.
Novas formas organizativas, como redes não hierarquizadas onde a unidade se estabelece pelo direito à diferença, despontam em todos os países. Da federação destas organizações e da participação duma “ciência cidadã” (IRWIN 1998) surgem já expressões dum internacionalismo solidário no desenvolvimento ecologicamente sustentado, visível em Seatle e Porto Alegre.

Jacinto Rodrigues
(professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto)

Referências bibliográficas
(1) Amin, Samir, “Imperialismo e Desenvolvimento Desigual”, 1998, Ed. Ulmeiro
“Eurocentrismo”, 1999, Ed. Dinossauro
“Desafios da Mundialização”, 2001, Ed. Dinossauro
(2) Bourdieu-Passeron, “Les Heretiers”, 1964, Ed. Minuit, Paris
(3) Foucault, Michel, “La gouvernementalité” in « Magazine Litteraire », nº 269, 1998
«Surveiller et Punir», 1976, Ed. Gallimard, Paris
(4) Goldsmith, Edouard “Desafio ecológico”, 1995, Ed. Inst. Piaget
(5) Irwin, Alane, “Ciência Cidadã”, 1998, Ed. Inst. Piaget
(6) Lovellock, James, “Ciência para a Terra”, 1998, Ed. Terramar
(7) Polanyi, K. “The Great Transformation”, 1980, N.Y.
(8) Sachs, Ignacy, “Norte-Sul: Confronto ou Cooperação?” in “Estado do Ambiente no Mundo”, 1995, Ed. Inst. Piaget
(9) Wallace, A.F.C. “Culture and Personality”, 1963, Ed. Rondon House, N.Y.

(Artigo publicado no Jornal MiraDouro n.º 1471, de 24 de Setembro de 2004)

segunda-feira, outubro 10, 2005

"Ao fim do dia, à soleira..." A propósito do I Concurso de Fotografia da APOBO


Esta imagem, com a qual se apresenta o regulamento do I Concurso de Fotografia da Associação Por Boassas, revela bem a capacidade de preservação da memória desta arte. O Sr. José Tendais, com o seu trajo característico (de notar os socos), conversa ao fim do dia com um casal de idosos, na soleira da "Casa do Pigarço", infelizmente, também ela já apenas uma memória, pois foi fruto do "vandalismo" que tem destruído este notável património da aldeia...
O regulamento do concurso é o que segue:

CONCURSO DE FOTOGRAFIA

Boassas . “Aldeia de Portugal”

A APOBO [Associação Por Boassas] vai promover o seu I Concurso Internacional de Fotografia, subordinado ao tema «Boassas . “Aldeia de Portugal”».
O concurso visa a promoção e divulgação da aldeia de Boassas e zona envolvente, alertando e sensibilizando as pessoas para a importância dos valores patrimoniais da povoação e da área rural que a envolve, incentivando-as para sua conservação e preservação.
Ao propormos nesta 1.ª edição o tema «Boassas . “Aldeia de Portugal”» pretendemos divulgar a figura turística de que, graças à APOBO, a povoação agora faz parte e salientar todos os aspectos, nas suas mais variadas vertentes, que levaram a esta recente classificação.

Regulamento

1. O I Concurso Internacional de fotografia, organizado pela Associação Por Boassas, é da responsabilidade da referida associação.
2. O concurso está aberto a todos os interessados, nacionais ou estrangeiros, à excepção dos membros do júri.
3. As inscrições são gratuitas.
4. O concurso tem como tema: «Boassas . “Aldeia de Portugal”»
5. Cada concorrente pode apresentar a concurso o máximo de três fotos.
6. As fotos, a cores ou a preto e branco, devem ter as seguintes dimensões:
- Dimensão mínima: 20x30
- Dimensão máxima: 30x40
Todas as fotografias devem ser montadas em janela de cartolina tipo “Bristol”, de modo a atingirem a dimensão de 40x50.
7. Cada trabalho deve conter no verso, em letra bem legível, o pseudónimo do concorrente e o título. As fotos a concurso devem ser acompanhadas da Ficha de Inscrição (ou fotocópia da mesma) devidamente preenchida.
8. a) Os trabalhos a concurso devem ser entregues em mão ou enviados pelo correio até ao dia 30 de Dezembro de 2005 (data de carimbo dos CTT), indicando no remetente apenas o pseudónimo, para:
I CONCURSO DE FOTOGRAFIA DA ASSOCIAÇÃO POR BOASSAS
CASA DO CERRADO, BOASSAS, OLIVEIRA DO DOURO
4690 – 405 CINFÃES
NOTA: A APOBO não se responsabiliza por quaisquer danos ou extravio dos trabalhos.
b) Conjuntamente com os trabalhos deve ser enviada uma carta fechada, contendo a Ficha de Inscrição e o pseudónimo (escrito em letra legível no exterior).
Haverá um júri para a selecção das provas e atribuição dos prémios e das suas decisões não haverá recurso.
Prémios:
1.º prémio: a definir
2.º prémio: a definir
3.º prémio: a definir
O júri pode ainda atribuir Menções Honrosas, de valor a definir
Todos os trabalhos premiados serão ainda publicados em forma de postal ilustrado.
O Júri pode deixar de conceder quaisquer prémios se entender que o nível dos trabalhos a concurso o não justifica.
Os autores dos trabalhos premiados serão avisados individualmente do prémio obtido.
Os trabalhos premiados ficarão propriedade da Associação Por Boassas, que os poderá usar para fim de exposição, publicação nos órgãos informativos e de divulgação da Associação por Boassas (APOBO) ou publicação de postais ilustrados, citando no entanto sempre o nome do autor e mantendo este os respectivos direitos.
Os restantes trabalhos serão devolvidos aos seus autores, desde que expressamente solicitado na ficha de inscrição. Para o efeito deve cada concorrente enviar a quantia de 3,50 € em cheque ou vale de correio.
Os trabalhos apresentados a concurso serão, no todo ou em parte, objecto de exposição (ou exposições) organizadas pela Associação Por Boassas.
Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos em definitivo pela Comissão Promotora. A simples participação no Concurso implica a aceitação total do regulamento.
A direcção da APOBO

domingo, outubro 09, 2005

Energia solar em portugal?...

Ou como a energia solar (e de uma forma geral todas as energias renováveis) continua a ser "promessa adiada" neste país. «(...) Qual é a lógica? Primeiro, a promoção ad nauseum da energia eólica, entregue na sua totalidade à EDP e aos grandes grupos económicos. Segundo, a manutenção de um sistema de dependência do petróleo, cujo principal beneficiário no curto prazo, é o próprio estado. O importante é agasalhar as clientelas partidárias e económicas, mesmo contra o interesse do país, dos cidadãos e das gerações futuras. (...)». A ler e reler neste brilhante artigo do blogue "Sargaçal".

Pegada Ecológica II...

aqui havíamos abordado, embora de forma superficial, este tema cada vez mais premente e actual. Agora chega-nos (mais) um excelente artigo através do blogue "Solariso". Para pensar, reflectir e despertar consciências...

sexta-feira, outubro 07, 2005

A Maimónides (1135-1204)


Recordamos Maimónides como uma das mais célebres figuras do al-Ândalus, na passagem dos 870 anos do seu nascimento. Rabbi Moses ben Maimon (Hebreu: רבי משה בן מיימון; Árabe: Mussa bin Maimun ibn Abdallah al-Kurtubi al-Israili; 30 de Março de 1135 - 13 de Dezembro de 1204). Nasceu em Córdova, Espanha e é conhecido geralmente pelo seu nome grego (Moisés) Maimónides. Foi rabino Judeu, matemático, físico, médico e filósofo. Na Wikipedia (em Inglês)

Assim é visto Portugal no "Architectural Review"

«Portugal's urban landscape is not an inspiring sight, with many fine historic town centers in a dilapidated state, surrounded by chaotic peripheries interspersed with unimaginative new development.» in Architectural Review, Julho de 2004

quinta-feira, outubro 06, 2005

A propósito do Dia Mundial da Arquitectura...

...este pequeno, mas notável, artigo intitulado: "O vegetal como vocábulo da arquitectura". A ler no "Do Meu Jardim"...

Mais "reciprocidades"...

Estamos verdadeira e agradavelmentemente surpreendidos! As "reciprocidades" não param de aumentar, o que, quanto a nós, é um sinal de que o "Boassas" é lido e apreciado... Registamos hoje três novas entradas, nomeadamente para o blogue do "Grupo Vida Urbana e Ambiente" e para o "Ondas2", para os quais passamos a estabelecer a reciprocidade devida. Inversamente, registamos também que o blogue "Do Meu Jardim", para o qual fazíamos já ligação, retribui-nos agora o "link" para o "Boassas". Muito obrigado a todos. Bem hajam.

IV SIACOT


Irá ter início amanhã, dia 7 e prolongar-se-á até dia 12, o IV SIACOT - Seminário Ibero-Americano de Construção com Terra, de que já havíamos falado aqui (e também aqui). A este propósito, damos a conhecer mais um livro sobre esta temática, neste caso de Jean Dethier, com o título «Arquitecturas de Terra, ou o futuro de uma tradição milenar», editado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

terça-feira, outubro 04, 2005

Sardinheiras de Boassas


A Sr.ª Emília "Marranaca" e a Sr.ª Adelaide "Velhinha". Últimas representantes de uma actividade extinta e que foi outrora próspera e concorrida neste povoado milenar.

«(...) Sobre a cabeça protegida por um lenço a “rodilha” apoia a “canastra” que balouça graciosamente, num equilíbrio periclitante, fruto de muitos anos de prática. Na boca havia sempre uma frase dita alto e bom som, um pregão com que se dava a conhecer a sua presença e se chamava o comprador. Onde chegava a sardinheira instalava-se célere o movimento e a algazarra. À cinta um colorido avental, nos pés uns socos já gastos, puídos pelo lajedo áspero das calçadas, isto quando não se encontram nus e descalços. De postura firme e esbelta, a sua silhueta inconfundível era esperada com ansiedade pelas gentes da serra, que viam nela não só alguém que lhes levava um bem precioso, como também as notícias de outros lugares, novidades sobre pessoas conhecidas e amigas que viviam noutras paragens.(...)»

Excerto de "Sardinheiras de Boassas", do livro, Boassas, Uma Aldeia Com História, de Manuel da Cerveira Pinto.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Novas reciprocidades...

Detectamos hoje, casualmente, dois novos "links" para o "boassas". Desta feita a partir do blogue da empenhada associação ambientalista portuense Campo Aberto e do belo e horticultural Terraforma. Registamos o sucedido, agradecemos a amabilidade e, mais uma vez, estabelecemos as respectivas novas reciprocidades.

sábado, outubro 01, 2005

Assembleia Geral Extraordinária

Está a ser enviada aos sócios da APOBO a convocatória para a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária no próximo dia 16 de Outubro do corrente, pelas 15.30 h, no café do sr. Fernando Gregório, em Boassas, com a seguinte ordem de trabalhos:
1. Votação da criação de uma Empresa de Inserção para limpeza e vigilância de matas, florestas e pinhais na área de influência da APOBO, a apoiar pelo Centro de Emprego da região.
2. Ponto da situação e informações eventuais sobre as actividades recentes da associação.
Agradecemos, desde já, a comparência de todos os associados.

Portugal Paraíso Renovável - Artigo de Pedro Miguel Rocha

Com a devida vénia e agradecimento, transcrevemos o (quanto a nós notável) texto de Pedro Miguel Rocha, publicado no blogue "Solariso", intitulado

"Portugal Paraíso Renovável"

«Já aqui deixei a minha opinião sobre o que penso da construção de uma central nuclear em Portugal, assim como também expressei o meu incondicional apoio à criação de sistemas de produção de energia descentralizados. Aliás não será difícil de compreender que os sistemas descentralizados, que admito serem de forma geral mais caros, criam mais empregos directos e indirectos, estimulam mais e melhor a economia local e exigem aos profissionais envolvidos um maior esforço a nível da sua qualificação de forma a serem competitivos no mercado de trabalho.
Por estas razões discordo da construção de uma central nuclear, que centraliza num espaço reduzido e num numero de pessoas reduzidas uma enorme produção de energia, tornando-se numa espécie de rolha que impede que outras soluções e tecnologias possam evoluir e se tornem competitivas. Nem preciso de argumentar sobre os potenciais riscos ambientais. Basta-me a convicção que uma estratégia de descentralização da produção de energia eléctrica trás mais benefícios para a economia. Será difícil de perceber?!
O propósito do artigo desta semana passa por expor a variedade e disponibilidade energética presente no país de fontes de energia renováveis. Estas estão presentes por todo o território nacional em abundância, o que permite encontrar as soluções mais vantajosas e tecnicamente mais adequadas para uma determinada localização geográfica.
Portugal é de facto um paraíso renovável.
- Biomassa - Eólica - Geotérmica - Hídrica - Mares e Ondas - Solar
Não é difícil de perceber que todos estes tipos de energia se encontram com alguma abundância ou mesmo em grande abundância em Portugal.
Passo a expor um apanhado do potencial existente para cada uma delas no nosso país.

Biomassa
Segundo a informação que obtive a floresta cobre aproximadamente cerca de 38% do território nacional com uma área aproximada de 3.000 milhares de ha, estimando-se que a produção total de biomassa florestal seja de 6,5 milhões de ton/ano. Destes 6,5 milhões de ton/ano podem estar disponíveis para a produção de energia eléctrica cerca de 2,2 milhões de ton/ano.
Tendo em consideração que até à data existe apenas uma central de produção eléctrica a partir de biomassa, (Central de Mortágua), podemos rapidamente concluir que esta fonte de energia está claramente a ser desaproveitada ou queimada no sito errado, (refiro-me aos fogos que todos os anos devastam o país). A central de Mortágua foi construída para uma capacidade de 80.000 ton/ano de biomassa e tem uma potência instalada de 9 MW, estando a central projectada para entregar à rede cerca de 60 GWh o que permite abastecer cerca de 35 mil habitantes. As contas são simples de fazer. Se é possível abastecer cerca de 35 mil habitantes com 80.000 ton/ano em biomassa, qual a população possível de abastecer com 2,2 milhões de ton/ano? Quantos empregos se criam directamente e indirectamente?
Temos ainda dentro deste tipo de energia o Biocombustivel gasoso, (conhecido como Biogás) e o Biocombustivel líquido, (Biodisel).
No primeiro caso têm sido feitos alguns investimentos, nomeadamente no aproveitamento desta energia pela Agro-Pecuária e pelas ETARs. Já no caso do Biodisel muito há a fazer, principalmente no que se refere na criação de condições para a produção de matéria-prima, (por ex: plantação de girassol), para que seja possível alimentar um central de produção deste tipo de combustível.

Eólica
A energia eólica é aquela que tem merecido maior atenção por parte dos nossos governantes e investidores por ser mais rentável comparativamente a outras tecnologias, o que não quer dizer que para as outras tecnologias não hajam investidores. Acontece é que os governos têm privilegiado a criação de condições para o investimento na eólica e vão deixando outras soluções para uma fase posterior.
No caso da eólica em Portugal estava instalada até 2004 uma potência de 584 MW, estimando-se que o potencial existente se encontre entre os 2000 a 3500 MW. Convém ainda dizer que Portugal registou o maior crescimento a nível mundial deste tipo de energia e que actualmente se encontra em desenvolvimento um ATLAS do vento para que de futuro possa haver uma melhor avaliação dos potenciais locais para instalação de parques eólicos.
Recentemente saiu também a notícia da EDP estar a estudar a possibilidade da criação de um Cluster Offshore. Este tipo de aplicação tem um investimento inicial cerca de 30% superior ao das instalações em terra, no entanto permite uma maior produção de energia, podendo atingir uma produção 40% superior. Para além disso, o impacto visual, criticado por aqueles que preferem ter uma central nuclear, é substancialmente reduzido, nestes casos os aerogeradores podem também ser mais baixos uma vez que a altura das ondas não influencia a força do vento.

Geotérmica
Apesar de não sermos propriamente um país onde este tipo de energia abunde, a energia Geotérmica pode e tem um peso importante, nomeadamente nos Açores. Nos Açores o aproveitamento deste tipo de energia chega aos 235 MWt de potência instalada tendo em 2003 contribuído para 25% da energia produzida na Ilha de S. Miguel.
A energia Geotérmica pode ainda atingir nos próximos 10 anos mais 30 MWe.

Hídrica
Consideramos apenas para o aproveitamento desta fonte de energia as mini-hídricas, uma vez que a grande-hídrica envolve um substancial impacto no meio ambiente, nomeadamente no ecossistema fluvial. No entanto a grande hídrica, deve ser considerada mais vantajosa do que outras fontes de energia uma vez que não emite gases de efeito estufa.
Desde 1994 foram licenciadas 122 empreendimentos dos quais encontram-se em funcionamento 44 representando 170 Mw de potência instalada e uma produção de 550 GWh/ano. Se tivermos em conta antigas concessões o total de aproveitamento mini-hídrico no país situa-se em 98 centrais, correspondendo a 256 MW de potência instalada e na produção de 815 GWh/ano.
Apesar da dificuldade em fazer uma estimativa presume-se que o potencial de explorações mini-hídricas ronde os 1000 MW com uma produção média entre os 1500 e 1800 GWh/ano.

Oceanos
Chegamos à energia proveniente do oceano, que não é difícil de imaginar como esta se puderá tornar a médio / longo prazo numa das principais fontes de energia em Portugal. Esperamos apenas que os nossos governantes não deixem ao abandono todo o esforço feito até aqui em Investigação e Desenvolvimento que se tem feito, e onde Portugal se mantém no pelotão da frente no que se refere ao acompanhamento e participação no desenvolvimento de tecnologias e aproveitamento da energia das ondas.
A energia que chega a costa ocidental portuguesa é de cerca de 120 TWh/ano, sendo que as zonas costeiras portuguesas têm das condições mais favoráveis no mundo para a aplicação deste tipo de tecnologia.
Apesar do aproveitamento deste tipo de energia ainda não ter atingido uma fase de comercialização espera-se que este tipo de energia venha a contribuir de forma importante na produção de energia eléctrica num futuro próximo.

Solar
Para a energia Solar, basta saber que Portugal é um dos países com maior disponibilidade de radiação solar em toda a Europa para perceber que esta solução deve ter também um papel importante na produção de energia eléctrica. No entanto aqui deve ser apoiada, (no caso dos fotovoltaicos e energia solar térmica), a instalação por pessoas particulares em vez da criação de grandes centrais.
A energia Solar abrange contudo mais do que os fotovoltaicos e solar térmica ao contrário do que pareceu ter dado a entender António Sá da Costa na entrevista que deu no último numero da revista Águas & Ambiente.
A energia Solar, através da aplicação de conceitos de aquecimento solar passivo nos novos edifícios pode ter também um contributo importante na redução da factura energética, tornando os edifícios energeticamente mais eficientes e consequentemente reduzindo a quantidade de energia dispendida em aquecimento. Existem ainda outras formas de produção de energia eléctrica através da energia solar que não passam obrigatoriamente pelos fotovoltaicos. A energia Solar pode ainda ser usada para coisas tão simples como cozinhar, aplicando tecnologia simples e barata.

Depois desta pequena exposição sobre as diferentes fontes de energias renováveis, e demonstração da sua presença física em Portugal, sabendo que umas têm mais vantagens em relação a outras, assim como estando outras ainda numa fase embrionária referente ao seu aproveitamento, creio não poder haver dúvidas quanto ao potencial que existe em Portugal para o aproveitamento deste tipo de fontes de energia. Criar uma Central Nuclear em Portugal é dificultar abertamente o crescimento do mercado das energias renováveis.
Mas mais importante ainda do que a própria origem da produção energética é o facto de a aposta nas energias renováveis permitir a criação de inúmeras empresas, de assistência técnica, de instalação, de produção, de gestão, consultoria, para além da investigação e estudos, etc… que necessitam de técnicos qualificados nas mais diversas áreas, permitindo criar postos de trabalho distribuídos de uma forma relativamente homogénea por todo o país, levando à um aumento do nível de instrução das populações em zonas mais interiores do país, desenvolvendo a economia local.
Estas são para mim as grandes vantagens em apostar no mercado das energias renováveis em Portugal.
“Criar uma Central Nuclear em Portugal é dificultar abertamente o crescimento do mercado das energias renováveis”
“…as energias renováveis permite a criação de inúmeras empresas, de assistência técnica, de instalação, de produção, de gestão, consultoria, para além da investigação e estudos, etc…que necessitam de técnicos qualificados nas mais diversas áreas, permitindo criar postos de trabalho distribuídos de uma forma relativamente homogénea por todo o país, levando à um aumento do nível de instrução das populações em zonas mais interiores do país, desenvolvendo a economia local.”
Por isso mais uma vez aqui afirmo que sou contra a instalação de uma Central Nuclear no País, e desta vez, sem que me possam acusar de fundamentalismo ambientalista, creio apresentar os argumentos que demonstram o porquê do mercado das energias renováveis ser muito mais vantajoso para a economia do que uma mísera Central Nuclear, com umas míseras centenas de postos de trabalho, criando mais outros míseros postos de trabalho indirectos, e fazendo milhões em lucro.
Fico apenas na esperança que entendam que mais uma vez se trata de criar um novo monopólio ou de criar mais dinamismo e competitividade na economia portuguesa.
A escolha por enquanto ainda é nossa.»

Pedro Miguel Rocha, in blogue "Solariso"

Informamos os nossos leitores que, entretanto, a partir de ontem o mencionado blogue "Solariso" passou a ser mais uma "ligação recíproca" do nosso "Boassas". A comunidade em torno de Boassas não pára de aumentar e de nos surpreender. Muito obrigado Pedro Miguel.

Um livro, a propósito da Agenda 21

aqui havíamos falado anteriormente no programa Agenda 21. Descobrimos agora, graças ao co2laser, que foi recentemente lançado o livro "Autarquias e Desenvolvimento Sustentável - Agenda 21 Local e Novas Estratégias Ambientais" de Luísa Schmidt, Joaquim Gil Nave e João Guerra. Vamos tentar adquirir um exemplar para a associação.