quarta-feira, julho 20, 2005

Boassas em chamas!

Desta vez somos notícia no Público pelos piores motivos. Ontem, ao regressar de Boassas, ao olhar para a foz do Bestança, como sempre faço ao chegar a Paços de Gaiolo vejo as chamas a lavrar próximo de Boassas, junto do chamado Bairro Novo, acima da estrada municipal. Paro o automóvel, pego no telefone e ligo para o 112. Após largos minutos (que pareceram uma eternidade) a chamar a linha cai... bom serviço este! Não tinha o número dos bombeiros. Tento ligar para os meus pais, em Boassas, para que ligassem para os bombeiros. Telefone desligado... Minutos de aflição, especado, ali, a ver as chamas a consumirem as árvores, muito próximo das casas. Nova tentativa... Nada! Telefono novamente para casa, idem!... O célebre à terceira é de vez cumpriu-se e lá consegui ligar para Boassas. Entretanto toca a sirene em Cinfães... As chamas alastram e passam a estrada na direcção do rio. Por infeliz coincidência vi começar a arder o sítio que ilustra a última fotografia aqui colocada no blog... O pinhal que se localiza do lado esquerdo da fotografia, por cima da ponte... O helicóptero chega cerca de 35 minutos depois. Mais ou menos em simultâneo com os bombeiros, que diga-se estão a cerca de 10 quilómetros... O helicóptero parece-nos imensamente lento... Ataca o incêndio nos locais junto às casas. No pinhal as chamas crescem, tornam-se avassaladoras e aproximam-se de Porto Antigo. Finalmente começa a atacar a frente que lavra no pinhal... Atrasado quase uma hora para a reunião que tinha no Marco de Canavezes, para falar sobre Boassas, com o Dr. Pedro Costa e Silva da "Dólmen", parto finalmente... com o coração apertado e um nó na garganta ...

9 comentários:

António Manuel Dias disse...

O número nacional a contactar em caso de incêndio é o 117. Infelizmente, após uma pequena pesquisa no Google, a única referência que consegui encontrar ao facto foi esta.

APOBO disse...

Caríssimo António, muito obrigado pela informação. De facto eu até sabia o número. No momento só me lembrava do 112... É daquelas coisas que só acontecem nestas ocasiões. Espero que não volte a ser necessário nem um nem outro... De qualquer forma, muito obrigado na mesma. Abraço. cerveira pinto

manueladlramos disse...

De coraçao nas mãos...
Eu já vivi por largos períodos e por duas vezes no "campo". Na primeira vez, na Beira Alta perto de Seia, antes ou depois havia sempre o rasto do Fogo (que nunca me apanhou lá...); em Monchique onde parecia que a serra toda "estava mesmo a pedi-las" de tal modo o mato seco invadira tudo, já "assisti" a um incêndio de grandes proporçoes e à passagem desordenada de bombeiros de diversas corporações que nao sabiam muito bem por onde atalhar na serra... . No local onde então vivia só caíam cinzas mas nos sítios onde "andou o fogo" durante dias e dias as raizes da árvores continuaram a arder! É uma atrocidade esta destruição da floresta, das matas, das bouças (dos animais)... Uma tristeza, uma aflição.
Aqui na cidade, sinto-me mal por estar tão confortávelmente longe. Se vivesse no campo acho que durante o Inverno como a formiguinha não pararia a organizar modos de prevenção!

(grande abraço ;-(

APOBO disse...

Caríssima Manuela. Muito obrigado pelas suas palavras. No meio desta calamidade é reconfortante sabermos que não estamos sós. O último parágrafo tem sido o meu pensamento dos últimos dias. O que fazer para que a nossa associação possa ter forma de "contratar" brigadas para limpar as matas; os terrenos; os caminhos; etc?... Seria uma boa forma de criar emprego. Talvez se possa fazer uma espécie de empresa, que as pessoas contratem para limpar os seus terrenos... Sei lá!...É muito complicado, sobretudo se pensarmos que a associação teve um apoio da câmara, para este ano, de cerca de 360 EUROS, em duas partes (não, não é anedota...). Enfim, muito obrigado mais uma vez. Retribuímos o abraço. Valha-nos o "Dias com Árvores" para nos ir alegrando o coração...

Anónimo disse...

Não posso dizer maisa nada que já não se tenha dito. Mando só um grande abraço, da outra margem.
Ando bastante enervado com isto e o caminho para o Sargaçal está mais triste, cada dia que passa. -- JRF

APOBO disse...

Caro José Rui, muito obrigado. Retribuímos o abraço e, de facto não é necessário dizeres mais nada, pois sabemos bem o que te vai na alma. Coragem, havemos de conseguir fazer alguma coisa. Se calhar as "brigadas" de limpeza de que falo anteriormente, poderiam, durante o verão, funcionar como vigilantes, detectoras de incêndios, ou algo do género, não só na região ed Boassas mas também ao longo do vale do Bestança. Um abraço e até sempre...

Vera disse...

Muito me entristeçe esta calamidade por todo o país!!!Infelizmente as pessoas que têm a sensiblidade não tem o "Poder" e as que estão no poder não tem a sensiblidade...

Sónia Constante disse...

Apesar de uma calamidade o povo de Boassas está de parabéns pois foram eles essencialmente que controlaram este fogo da melhor forma que sabiam. Podemos ser uma aldeia que nem sempre age da melhor forma possível, mas nesta circunstância fomos essenciais porque foi com o nosso esforço conjunto que se salvou Boassas. Também convém referir que muito se fala da falta de limpeza dos terrenos mas muitos estavam limpos o problema é: como não se pode efectuar queimadas nem despejar este material para os contentores ele encontra-se em montes nas beiradas dos campos ou mesmo nos centros estando expostos ao sol ficam secos e tornam-se num combustivel altamente inflamável. Por isso não basta mandar limpar também é necessário dar uma solução ao material que se vai acumulando das limpezas.

APOBO disse...

Penso que uma das soluções possíveis para o "mato" proveniente das limpezas poderá ser o fabrico de "biomassa", que depois, durante o inverno poderá ser utilizada no próprio aquecimento das habitações. É um sistema já utilizado em muitos lados, nomeadamente nas ecoaldeias. Outra parte poderá ser utilizada como "composto" para fertilizar as terras, nomeadamente as de produção de agricultura biológica. Mais uma vez a conclusão a tirar parece ser a de que apenas um desenvolvimento ecológico, integrado e sustentável permitirá, também neste caso, uma solução de futuro. A questão parece ser, como começar?...