terça-feira, julho 29, 2008

As "ameaças" sobre o Bestança


O rio Bestança continua a ser alvo da atenção dos pretensos "desenvolvedores" do país. Depois de encherem a Serra de Montemouro de "ventoinhas", de fazerem no Douro uma das maiores barragens do país (Carrapatelo), de construírem mini-hídricas nos rios Ardena e Cabrum, continuam a insistir em fazer barragens no Bestança. Cinfães é, seguramente, um dos concelhos do país que mais energia produz (e provavelmente dos que menos consome), no entanto a energia não é aí mais barata, nem consta que os habitantes tenham lucrado muito com estes investimentos, já que continua a ser um dos menos desenvolvidos do país...

4 comentários:

Simone Rocha disse...

A propósito da energia produzida em CNF, ainda à pouco tempo comentava com um grupo de amigos residentes na parte baixa (oeste) do concelho sobre a qualidade da energia que chega às nossas casas. É que já desisti de ter na minha mesinha de cabeceira o meu radio-relógio digital, pois sempre que chegava em casa do trabalho o dito aparelho estava à «piscar». Cansei de ter que acertá-lo quase todos os dias e optei por guardá-lo na gaveta!
Confesso a minha ignorância nessa área, mas se realmente produzimos tanta energia, por que é que acontece com frequência «picos» de energia em nossas casas, não creio que seje da potência, pois alguns dos meus amigos têm contadores com grandes potências e dizem acontercer o mesmo em suas casas. Será que só acontece na parte baixa do concelho? E por que mais uma barragem? Quais serão as vantagens? Já não ia à São Pedro do Campo a bastante tempo, qual não é o meu espanto quando me preparava para tirar uma foto à capela e reparo que como pano de fundo surge uma grande hélice... um dos cartões postais que costumávamos ver nos quiosques já não é o mesmo! Quanto é que Cinfães lucrou com a alteração paisagistica de São Pedro do Campo em instalar aquelas eólicas? Agora... uma barragem no Bestança?!
Realmente, «as pessoas são inimigas do que ignoram».
Simone Rocha

Cerveira Pinto disse...

Olá Simone
O seu comentário é pertinente e faz todo o sentido. Na realidade há que ponderar muito bem estes "investimentos". A curto prazo até pode parecer um grande "negócio", este das eólicas, mas, a longo prazo já não será assim tão certo, se tivermos em conta o prejuízo que acarreta para o turismo, por exemplo... São empresas muito poderosas que utilizam todos os recursos possíveis para levar os seus intentos avante. Distribuem dinheiro pelas populações, pelas autarquias, pelas paróquias (!!!???) e até pelas supostas associações "ambientais"!... Por isso singram, quase sem objecções. Quase todas estão instaladas em áreas ecológicas importantes (Reserva Ecológica e Rede Natura) e são construídas estradas de acesso em locais de grande riqueza arquológica que nem sequer foram ainda estudados... Quanto às mini-hídricas, bastava de facto cumprir a legislação que já não seria possível qualquer pretensão, mas...
Enfim, já diz o ditado: "em terra de cegos..."
Obrigado pela sua participação e volte sempre.

Campelo de Sousa disse...

BARRAGEM NO BESTANÇA NÃO !!!

Estou totalmente de acordo com o comentário feito pela Simone Rocha.
Eu penso que Cinfães só tem a perder com as alterações paisagisticas já levadas a cabo, e com aquelas que ainda aí virão a troco de uns milhares de euros !
Quem hoje vai a Cinfães, zonas de Montemuro e Gralheira, já não vale a pena ir carregado com máquina fotografica e com teleobjectivas, pois arrisca-se a que as suas fotografias tenham como pano de fundo os famosos monstros eólicos !
Lá se foi a beleza natural desta terra !!!
E agora mais uma barragem ? E eu é que sou o burro ? tou mesmo a ver que sim ! È só catedráticos neste País !
Eu já acredito em tudo ! Só não acredito na justiça, pelo andar da carroagem até essa já se compra e vende !
As: Campelo de Sousa.
http://montao.blogspot.com

Cerveira Pinto disse...

Caro Campelo de Sousa
Por princípio não sou contra a produção de energia eólica, bem pelo contrário. No entanto a proliferação de eólicas no concelho de Cinfães é feita (como tudo, aliás) sem qualquer critério ou planeamento. Como não há uma ideia para o que deve ser o desenvolvimento do concelho confunde-se este tipo de investimentos com "desenvolvimento". Cinfães só teria a ganhar se planeasse o seu futuro. Por este andar qualquer dia há mais "ventoinhas" em Cinfães do que pessoas...
Obrigado pela participação.