segunda-feira, janeiro 16, 2006

Defensores do Vale do Bestança?...de Boassas?...de Cinfães?...

Na revista da Câmara Municipal de Cinfães do passado mês de Dezembro fomos surpreendidos (ou talvez não) por uma informação publicada na pág. 34, onde são notíciadas as deliberações camarárias que diz o seguinte:
«08.2 - Património cultural, paisagístico e urbanístico. Projecto de cooperação Leader + - "Dinamização dos territórios rurais de Entre Douro e Minho e Douro-Sul": - A DOLMEN informa que está a desenvolver um projecto para a dinamização das Aldeias com potencial turístico da zona de intervenção do programa LEADER +. Nesta primeira fase a aldeia do concelho de Cinfães a fazer parte do projecto será a aldeia de Boassas, na freguesia de Oliveira do Douro. Solicita ainda um apoio financeiro no montante de 500,00 € para que possa suportar as despesas inerentes ao financiamento do projecto. Foi deliberado, por maioria, financiar no montante de 500,00 €, com a abstenção dos Vereadores Eng.º Manuel Pinheiro e Dr. Jorge Ventura, por entenderem que este pedido da Dólmen é pouco credibilizante e por desconhecimento dos pormenores do mesmo.»
Logo a seguir uma proposta para apoiar a Junta de Souselo com 3.000 € é aprovada "por unanimidade"....
É elucidativo, é triste... e não augura nada de bom para Boassas que venha desta vereação!...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

"O pesadelo de Darwin"



Já está em exibição aquele que promete ser o filme/documentário do ano. O interesse despertado é enorme e a própria comunidade científica nacional já o elegeu para análise e debate, como se pode verificar através deste artigo, chamado "O Pesadelo de Darwin, um filme e dois debates", publicado pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN). A ler, a ver e... a debater.

A água do imaginário da urbanidade

É o título de um novo e (como de costume) muito interessante texto do Professor Doutor Jacinto Rodrigues. A ler aqui, no Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável II.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Poluição luminosa II

Poluição de luz urbana será considerada ilegal no Reino Unido. A partir de Abril as autarquias locais vão ser obrigadas a garantir que a iluminação pública em locais como centros comerciais, desportivos, urbanizações e zonas de escritórios seja dirigida para o chão e não para os lados ou para o céu. (A ler no "ONDAS")
aqui havíamos falado neste problema... Mas, obviamente, os resultados são nulos. O aumento de "pirilampos" aumenta exponencialmente pelos montes e parece ser directamente proporcional ao abandono, desertificação e despovoamento do mundo rural... (Não deixa de ser caricato. Quando era miúdo os montes tinham gente, mas estas não tinham electricidade; hoje os montes estão cheios de candeeiros mas não têm ninguém...)

II Congresso Ibérico de Ecologia



Se deseja saber mais sobre este congresso clique AQUI.

terça-feira, janeiro 03, 2006

As "previsões" do Sargaçal para 2006



O "Sargaçal" brinda-nos com algumas previsões para o "ano novo ambiental", às quais não falta algum humor, embora um pouco "negro", o que, diga-se, acaba por estar de acordo com a actual situação nacional...

(A fotografia foi colhida no Sargaçal, em Novembro passado e é mais um exemplar do património construído existente no Vale do Bestança que urge preservar e divulgar...)

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Obras na capela de Boassas revelam "pentagrama"



O aparecimento deste símbolo na fachada sul da capela de N.ª Sr.ª da Estrela em Boassas apenas vem salientar aquilo que já aqui havíamos referido: A necessidade premente de que obras em edifícios de valor patrimonial da aldeia sejam acompanhadas devidamente por pessoas com formação na área do património, da arquitectura e da arqueologia.
Este símbolo ainda hoje é usado pelas pessoas de Boassas, que o desenham nas soleiras e ombreiras das portas como forma de obterem sorte e se protegerem do "mau olhado" ou "coisa ruim". Entre outras curiosidades sabe-se que durante a Idade Média o pentagrama era também chamado de "Laço Infinito" e era o símbolo da verdade e da protecção contra demónios. Era usado como um amuleto de protecção pessoal e guardião de portas e janelas. Os Templários, ordem militar de monges formada durante as Cruzadas, que ganharam grande riqueza e proeminência através de doações a todos aqueles que se juntavam à ordem, e que amealhou também grandes tesouros trazidos da Terra Santa, tinham o pentagrama como um dos seus símbolos. Sobre este símbolo: também na Wikipedia (em inglês).

terça-feira, dezembro 27, 2005

Assembleia Geral ordinária - Convocatória

Está a ser enviada aos sócios da APOBO a convocatória para a Assembleia Geral ordinária do corrente ano, a realizar no próximo dia 30 (sexta-feira), pelas 15.30 h, na sede provisória da Associação Por Boassas, sita na Casa do Cerrado, em Boassas, com a seguinte ordem de trabalhos:
1. Discussão, votação e aprovação do Orçamento para o próximo ano.
2. Discussão, votação e aprovação do Plano de Actividades para o próximo ano de 2006.
3. Ponto da situação e informações eventuais sobre as actividades recentes da associação. Agradecemos, desde já, a comparência de todos os associados.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Sustentabilidade e Eficiência Energética na Arquitectura e Construção

Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos promove um seminário sobre "Sustentabilidade e Eficiência Energética na Arquitectura e Construção".
O seminário decorrerá entre os dias 19 e 28 de Janeiro de 2006, no Espaço Cubo, em Lisboa. No dia 19, pelas 16h45, o Professor Doutor Jacinto Rodrigues irá fazer uma palestra sobre o «Padre Himalaya e o Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável». Seguidamente será apresentado o filme documentário «A Conspiração Solar do Padre Himalaya». Para mais informações clique aqui.

Aprender em Curitiba

(Uma experiência urbana no brasileiro estado do Paraná, que faz fronteira com o Paraguai e com a Argentina)

Curitiba, capital do Estado do Paraná, tem quase um milhão e meio de habitantes. A sua situação geo-estratégica coloca-a num lugar privilegiado.
O Estado do Paraná faz fronteira com o Paraguai e com a Argentina.
Para além de ter uma boa abertura fronteiriça com esses países, Curitiba encontra-se numa situação específica onde, num raio de 1300 Km, estão situados os maiores pólos económicos do Brasil, ficando assim situada no centro da região mais industrializada da América do Sul. Mas, ao mesmo tempo, o Estado do Paraná confina com uma das maiores e mais belas reservas naturais: as espectaculares cataratas de Iguazú.
A experiência de Curitiba nada tem a ver com uma "utopia" ecológica desligada da envolvente social brasileira. Não é portanto um "modelo" fechado que vive por exclusão esquizofrénica da restante realidade brasileira.Contudo, contendo no seio da sociedade-cidade todos os contrastes e contradições da sociedade brasileira (a pobreza e a opulência) assiste-se também a uma realidade singular que não deixa de nos surpreender. Aqui, nesta experiência urbana, existe uma estratégia envolvente que sem rigidez nem purismos vai entrelaçando desejos e realidades, vai despoletando a participação das populações num movimento de pedagogia social, em que a utopia se concretiza e a realidade vivida tem referências românticas dum idealismo cívico e ecológico que o pessimismo conservador julgava impossível.
Duma forma sintética julgo que o segredo desta experiência reside no facto de se ligarem aspirações sociais aos interesses individuais e esses mesmos interesses às aspirações, graças a uma mobilização contínua na solução dos problemas, gerando-se pela prática a consciência acrescida das populações e do seu papel na transformação e mudança de vida.
O paradigma exemplar desta pedagogia social pode revelar-se em algumas das actuações que referiremos em seguida:

1. Reciclagem dos lixos
A campanha "lixo que não é lixo - lixo que é riqueza" promoveu, à escala do bairro, uma mobilização popular forte. Os mais desfavorecidos, com o apoio de carrinhos distribuídos pela municipalidade, transformaram-se nos "catadores de papel" e descobriam que o lixo era assim moeda de troca no "câmbio verde" organizado pelo município.
O "camião verde" apanhava, em pontos estratégicos, várias recolhas de bairro efectuadas pelos populares e "pagava" o lixo com os certificados que permitiam a troca por alimentos, livros, bilhetes culturais, brinquedos, etc. Nascia também, neste contacto entre a população e a instituição camarária, uma nova realidade: a recolha do papel em Curitiba salvava 1516 árvores por dia.

2. Apoio aos excluídos
A progressiva consciência das populações carenciadas desenvolveu-se também com a experiência da "Fazenda Solidariedade" - quinta agrícola de Campo Magro, onde se faz a reintegração social de desempregados e se promove, graças aos produtos rurais que aí se produzem, a elaboração de uma sopa distribuída por um autocarro refeitório que atende cerca de 92.212 pessoas carenciadas, por ano.

3. 0 Jardim e o Museu Botânico de Curitiba
Para além dos especialistas que investigam e coordenam os trabalhos notáveis do jardim botânico, são também convidadas escolas para o trabalho no jardim, com a orientação de professores. Aí se educa o amor pela terra e a formação ecológica das crianças e jovens.Uma das actuações no jardim botânico foi a criação de um jardim medicinal que propiciou a plantação de espécies fitoterápicas em pequenos vasos que constituem viveiros didácticos que apoiam as "farmácias" caseiras e a "farmácia verde" em conexão com os serviços de saúde.

4. A Universidade Livre do Meio Ambiente
Reciclando postes de eucalipto, que anteriormente serviam de postes telefónicos, construiu-se um equipamento em madeira que serve de logística para a universidade livre, integrada num parque ecológico. Graças ao "design" criativo do arquitecto Domingos Bongestabes, foi possível gerar-se, com materiais pobres, uma interessante estrutura arquitectónica que se integra maravilhosamente no "sítio".
Neste local funciona uma organização não governamental, a Universidade Livre do Meio Ambiente, cuja iniciativa tem sido essencial na investigação ecológica e na formação de quadros promotores do eco-desenvolvimento.
Não se pode deixar também de falar de várias outras experiências sociais, que contribuem para este envolvimento pedagógico entre a municipalidade, as instituições, as associações não governamentais e a sociedade civil: as Feiras Livres de Agricultura, que aproximam os produtores agrícolas dos consumidores; a Feira Verde, onde se comercializam produtos naturais, sem químicos; e o "Shopping Popular", cooperativa de consumo. São iniciativas em que a vida económica se manifesta numa óptica de solidariedade, procurando não apenas respostas quantitativas mas enunciando estratégias qualitativas para um modo alternativo de sociedade. O "Farol do Saber" é também mais um exemplo para melhor se entender este processo que se constrói todos os dias no seio de clivagens sociais antagónicas, entre esperanças e ilusões, num desafio permanente à recuperação estagnante e à mudança. O "Farol do Saber" está a generalizar-se pelos diferentes bairros. É um centro polivalente que funciona como Escola/Biblioteca/Sala de convívio cívico e centro da polícia municipal.
Trata-se de uma arquitectura emblemática. Referenciando-se ao "farol de Alexandria", pretende ganhar visibilidade na cidade. Implantaram-se já alguns desses edifícios modelos em vários bairros. Do lanternim cimeiro da torre, durante a noite, espelham-se os clarões luminosos, assinalando o local da cultura, do encontro cívico e da segurança social.
São estas algumas das sementes desta experiência social. Acompanham e catalizam experiências espaciais.
Na cidade, surgem zonas verdes, parques, redes de transportes públicos que pretendem em comodidade e serviço, dissuadir o tráfego automóvel no centro da cidade. Vão surgindo as propostas de concretização e melhoramento do plano director.
Fizeram-se saneamentos especiais, limparam-se ribeiros e criaram-se novos loteamentos com casas sociais, numa grande diversidade de linguagens e materiais. Está-se a promover, depois do bairro novo e no seguimento da rua das tecnologias, a cidade verde ou a eco-cidade que, distendendo-se ao longo da periferia de Curitiba, acumula experiência, multiplica dinâmicas sociais e aponta para novos modelos de espaços públicos, energias renováveis e sistemas integrados de transportes. Curitiba não é um paraíso, nem um modelo acabado onde se eternizaram ideais imutáveis de uma utopia sem falhas. Curitiba é um processo. Mas um processo onde todos os dias se tentam ganhar mais actores à construção de uma cidade onde se experimentam e inovam mudanças numa sociedade de contradições e antagonismos.

A. Jacinto Rodrigues, professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
(Artigo publicado no Jornal "a Página", ano 8, nº 76, Janeiro 1999, p. 16.)

terça-feira, dezembro 20, 2005

No país do "chico-espertismo"... Para ler e reflectir...


Por Eduardo Prado Coelho - in Público de 17 de Novembro de 2005

"A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados.... igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!"

Eduardo Prado Coelho - in Público de 17 de Novembro de 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005

A Averróis (1126-1198)


Recordamos a passagem do 807 º aniversário da morte de Averróis, cujo verdadeiro nome era Abu al-Walid Muhammad Ibn Ahmad Ibn Munhammad Ibn Ruchd (أبو الوليد محمد بن احمد بن محمد بن احمد بن احمد بن رشد), notável filósofo árabe, nasceu em Córdova (Espanha) em 1126 e morreu em Marrakech (Marrocos) em 10 de Dezembro de 1198. "Foi um dos maiores conhecedores e comentaristas de Aristóteles. Aliás, o próprio Aristóteles foi redescoberto na Europa graças aos árabes e os comentários de Averróis muito contribuíram para a recepção do pensamento aristotélico. Averróis também se ocupou com astronomia, medicina e direito canônico muçulmano." A ler na Wikipedia.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Douro Património Mundial em risco...

Quatro anos após a elevação do Alto-Douro vinhateiro a "Património Mundial da Humanidade", a candidatura encontra-se em risco, devido à "má construção e às lixeiras" que proliferam sem controlo pela zona classificada... Recordamos de imediato as palavras e atitudes de um dos autarcas da região, que na altura aqui comentamos, e que dizia assim: "Não aceitamos que venha alguém de Lisboa ensinar-nos a governar a paisagem que foi construída por nós. Se ela é bonita, foram as gentes da terra que a construíram e preservaram e não as de Lisboa"... Pois, pelos vistos não seria a "mesma paisagem" e não basta vir alguém de Lisboa. Terá mesmo que ser de Bruxelas, lá da distante Europa... Assim que haja oportunidade haveremos de voltar a este assunto. Por ora concluimos apenas que é a triste sina de um país que caiu na mão de...(digamos)...ineptos! Notícia de última hora, a ler no "Público".

segunda-feira, dezembro 05, 2005

«Glosa de Natal»


“A estação dos Natais comercializados chegou. Para quase toda a gente - fora os miseráveis, o que faz muitas excepções - é uma paragem quente e clara no Inverno cinzento. Para a maioria dos celebrantes de hoje, a grande festa cristã fica limitada a dois grandes ritos: comprar, de maneira mais ou menos compulsiva, objectos úteis ou não, e empanturrar-se a si e às pessoas da sua intimidade, numa mistura indestrinçável de sentimentos em que entram igualmente a vontade de dar prazer, a ostentação e a necessidade de se divertir. E não esqueçamos os pinheiros, símbolos antiquíssimos que são da perenidade do mundo vegetal, sempre verdes, trazidos da floresta para acabarem morrendo ao calor dos fogões, e os teleféricos despejando esquiadores na neve inviolada.
Embora não sendo nem católica (excepto de nascimento e de tradição), nem protestante (excepto por algumas leituras e influências de alguns exemplos), nem mesmo cristã no sentido pleno do termo, nem por isso me sinto menos levada a celebrar esta festa tão rica de significados e seu cortejo de festas menores, o São Nicolau e a Santa Lúcia do Norte, a Candelária e os Reis. Mas limitemo-nos ao Natal, esta festa que é de nós todos. Trata-se de um nascimento, de um nascimento como todos deveriam ser, o de uma criança esperada com amor e respeito, trazendo em si a esperança do mundo. Trata-se dos pobres: uma velha balada francesa canta Maria e José procurando timidamente em Belém uma hospedaria para as suas posses, sempre desprezados em favor de clientes mais ricos e reluzentes e por fim insultados por um patrão que «detesta a pobralhada». É a festa dos homens de boa vontade, como dizia uma admirável fórmula que infelizmente já nem sempre se encontra nas versões modernas dos Evangelhos, desde a serva surda-muda dos cantos da Idade Média que ajudou Maria no parto até ao José aquecendo as fraldas do recém-nascido diante de um pequeno fogo, aos pastores cobertos de sebo mas julgados dignos da visita dos anjos. É a festa de uma raça tantas vezes desprezada e perseguida, porque é judeu o recém-nascido do grande mito cristão (falo de mito com respeito, e emprego a palavra no sentido dos etnólogos modernos, significando as grandes verdades que nos ultrapassam e de que precisamos para viver).
É a festa dos animais que participam no mistério sagrado desta noite, maravilhoso símbolo de que São Francisco e alguns outros santos sentiram a importância, mas que os cristãos comuns desprezam, não procurando neles inspiração. É a festa da comunidade humana, porque é, ou será dentro de dias, a dos três Reis cuja lenda quis que um fosse preto, alegoria viva de todas as raças da Terra levando ao menino a variedade dos seus dons. É a festa da alegria, mas também da dor, pois que a criança adorada será amanhã o Homem das Dores. É enfim a festa da própria Terra, que nos ícones da Europa de Leste vemos tantas vezes prosternada à entrada da gruta onde o Menino nasceu, a mesma Terra que na sua marcha atravessa neste momento o ponto do solstício de Inverno e nos arrasta a todos para a Primavera. Por esta razão, antes que a Igreja tivesse fixado o nascimento de cristo nesta data, ela era já, nos tempos antigos, a festa do Sol.
Parece que não é mau lembrar estas coisas que toda a gente sabe e que tantos esquecem.”

Marguerite Yourcenar em: “ O tempo esse grande escultor” - 1976

quarta-feira, novembro 30, 2005

Mais uma vez Cinfães é notícia pelos piores motivos...

Mais um brilhante (e oportuno) artigo de JRF, no seu Sargaçal, em que se dá conta de notícia sobre Cinfães vinda recentemente a lume no Jornal de Notícias. Retrata a situação calamitosa do interior do país, cada vez mais assimétrico relativamente ao litoral em que o caso de Cinfães é dos mais gritantes nos tempos que correm. Nada que "Planos Tecnológicos" e outras poeirentas núvens, lançadas por megalómanos "parques eólicos" consigam dissipar da visão dos habitantes mais atentos deste "mundo perdido" que é o rural. Este aspecto, do despovoamento e da fuga das populações do interior para o litoral foi, inclusive, um dos motivos pelo qual nasceu a APOBO. O citado artigo chama-se "No interior, o Outono veio para ficar" e é de leitura urgente e obrigatória.

segunda-feira, novembro 28, 2005

«Quem conta um conto...»


Variadas vezes temos visto, nos últimos tempos, em publicações de vária índole, referências à aldeia de Boassas como sendo a "2.ª Aldeia Mais Portuguesa de Portugal". Ora como não pretendemos ser "donos" do que nos não pertence, nem queremos ter louros que se sustentem em falsas verdades, teremos que providenciar o esclarecimento que se impõe acerca deste assunto. É que se a publicação de tais erros em opúsculos de divulgação turística, como o que lançou a Câmara Municipal de Cinfães em 2003 (Cinfães, Roteiro Turístico), são apenas lamentáveis e não têm repercussão, outros , manifestamente já não serão tão aceitáveis, como por exemplo nos "sites" "Portal Turístico do Douro" e SCETAD-"Espigueiro" (também da responsabilidade da Câmara Municipal de Cinfães); ou ainda no "site" da ADVBestança (e ficamo-nos apenas pela "internet" para não ferir a susceptibilidade de supostas "honrosas" publicações e trabalhos académicos). Abreviando, uma vez que seria fastidioso e dispiciendo enumerar agora todos os escritos onde vamos encontrando a mesma torpe afirmação, vamos então tentar explicar o que realmente terá sucedido, deitando mão, como vem sendo hábito, ao "Uma Aldeia Com História". Assim:

«Um dos momentos mais altos da história da povoação de Boassas foi, sem dúvida, a sua participação em 1938, no concurso “A aldeia mais portuguesa de Portugal”. No Largo da Capela ou Avenida Pinto Branco, em frente à Casa do Cerrado, ainda hoje se pode ver uma lápide comemorativa da efeméride, com a seguinte singela inscrição - “VIVA BOASSAS - 1938". Deste acontecimento são ainda hoje recordados pela população mais idosa alguns acontecimentos, nomeadamente a participação activa e empenhada da célebre escritora Carlota de Serpa Pinto. De facto tudo parece ter contribuído para que o momento tenha sido excepcional e para que a participação de Boassas tenha sido memorável.
A aldeia atingia o seu apogeu.
O caminho de ferro não tinha conseguido dar ainda o golpe de misericórdia nos bojudos barcos rabelos e consequentemente nos seus intrépidos marinheiros, tarefa postergada nos carrascos portentosos que haveriam de ser as barragens do Douro das vindouras décadas de 60 e 70. As sardinheiras galgavam lestas o caminho da serra de Montemuro, fazendo uma ponte humana entre as margens do Douro e “da Paiva”. O comércio florescia em dezenas de mercearias, tascos e lojas. A agricultura desenvolvia-se em torno da povoação, que parecia uma autêntica cascata num idílico jardim e os seus frutos, com que se atulhavam os ditos rabelos, eram trocados, no Porto, por outros bens e produtos que aportavam constantemente à aldeia.
Ainda não havia chegado a emigração (e imigração) e com ela(s) o despovoamento, o abandono das terras, das casas, dos campos e da própria alma dos que, por um motivo ou outro sobreviveram a esta autêntica sangria. Terá sido, provavelmente, a época em que mais população houve na aldeia. Esta, fervilhava de bulício e animação. Os bandos de crianças, em algazarra, brincavam e corriam pelas ruas e calçadas. Ouvia-se o martelar sincopado dos latoeiros, o escopro dos pedreiros, a plaina do marceneiros, o malhar do milho e do centeio pelas eiras, o cantar alegre das moças que iam buscar a água à “Fonte-da-Pedra” e o chilrear irritante dos carros-de-bois. O alfaiate, o “Toca-o-fê”, tirava as provas dos fatos com que se iriam abrilhantar festas e cerimónias, o barbeiro cuidava de melhorar a aparência de algum mais hirsuto transeunte e o retratista captava para a posteridade os momentos desses momentos únicos. Da Gralheira, do cocuruto da belíssima serra do “Monte de Mouros”, vinham os entendidos nas artes de moer a azeitona e fabricar o precioso e dourado líquido com que então se iluminavam ainda muitas casas. Pelo “Caminho da Costa”, o moleiro e seu cavalo traziam do moinho a farinha com que, nos fornos, se iria confeccionar o pão, em broas enormes de casca estaladiça e também os bolos de sardinha, que impregnavam o ar de aromas de fazer crescer água na boca aos mais incautos gargântuas e pantagruéis.
A vida decorria sem grandes sobressaltos... Nas portas das casas viam-se as chaves nas respectivas fechaduras. Barulho e refregas também as havia de quando em vez, sobretudo ao fim da tarde, quando Baco fazia os seus etéreos efeitos, à porta das tascas e tabernas. Mas também quando no verão, havendo falta de água, começava também a faltar a paciência pela espera, provocada por alguém que havia exagerado a quantidade de cântaros que um mísero fio de água iria encher. E então, porque este era um serviço de mulheres, era uma gritaria, um alvoroço, um vê-se-te-avias de cacetada, cabelos puxados e insultos de fazer corar as pedras da calçada. Acontecimentos logo esquecidos e perdoados no dia seguinte à saída da missa, pois que o Sr. abade, fazia questão de salientar que “verdadeiro cristão só aquele que sabe perdoar”.
E assim se passavam os dias nessa época já longínqua, em que, malogradamente, não quis a sorte que o famoso “Galo de Prata” viesse cantar para o cimo do campanário da capelinha de Nossa Senhora da Estrela, mas sim para as longínquas e graníticas paisagens da Beira, onde ainda hoje abrilhanta a capela local da aldeia de Monsanto.
O próprio evento do concurso da “Aldeia mais portuguesa de Portugal” é ainda referido e lembrado de quando em vez, por homens de letras e jornalistas, como faz, por exemplo, o escritor Guido de Monterey:

«Apesar de todos os pergaminhos com que, desde sempre, se adornou, o lugar de Boassas apenas se abriu para o país ao ser seleccionado para o concurso “A aldeia mais portuguesa de Portugal”, no ano de 1938. Promovido tal concurso pelo Secretariado de Propaganda Nacional, Boassas teve a honra de ser a povoação escolhida para representar a província do Douro Litoral, dado o afastamento prematuro de uma outra do concelho de Arouca (MERUJAS). Como prémio, um “galo de prata”. O Júri que, há dias esteve neste concelho, escolheu o populoso e comercial lugar de Boassas para concorrer ao “Galo de Prata”. Oxalá tenhamos, em breve, o prazer de ver o referido “Galo” na torre da linda capelinha de Nossa Senhora da Estrela. (Do jornal “O Comércio do porto”, notícia de 23 de Junho de 1938).
Participando, por escolha, 22 povoações do Continente, dez foram eliminadas de início, por não possuírem os requisitos exigidos pelo referido concurso. Ficaram, portanto, doze. Entre estas, Boassas. Após a visita do júri, a cada uma das aldeias concorrentes, reuniu este, em Lisboa, a 7 de Outubro de 1938. Em tal sessão, das doze em confronto, mais seis foram eliminadas. Boassas fazia parte destas.»
[MONTEREY, Guido de - Terras ao léu, CINFÃES, (págs. 331/332)]

Assim, o cobiçado “Galo de Prata”, símbolo da “Aldeia mais Portuguesa de Portugal”, acabaria pois, como foi referido, por ir parar à povoação de Monsanto da Beira, que com isso beneficiou de significativa projecção e relevância, encontrando-se hoje devidamente preservada, sendo visitada diariamente por centenas de turistas, estabelecendo um violento contraste com Boassas, que se despovoou, perdeu grande parte das suas tradições, dos seus usos e costumes, e cujo património continua constantemente a ser destruído. Isto, com o beneplácito das próprias autarquias, quando não com a sua própria colaboração, perdendo-se assim as (poucas) possibilidades de desenvolvimento e de melhoria da qualidade de vida da população que, desta forma, não cessa de abandonar a aldeia.
Será caso para afirmar, tivesse Boassas ganho o concurso e, com certeza, “outro galo cantaria”...» (in "Boassas Uma Aldeia Com História" de Manuel da Cerveira Pinto)

É esta, pois, a história da "2.ª Aldeia Mais Portuguesa de Portugal" que, na realidade poderia, quando muito e na melhor das hipótese ter apenas direito a um honroso 7.º lugar. O que se poderá dizer, certamente, é que Boassas foi à meia-final do referido concurso. Nunca que ficou em 2.º lugar. Mas é assim, "quem conta um conto"...

A ler no Sargaçal...

HDRA Encyclopedia of Organic Gardening - A sempre atenta e sugestiva indicação bibliográfica de JRF e ainda o artigo "POSITIVO", porque a crítica positiva também é desejável e tem sempre lugar. Possamos nós ter sempre aspectos positivos para enaltecer e divulgar...

"Portugal vai ser a horta da Europa"

Um artigo muito interessante a ler, urgentemente, no TERRAFORMA sobre esta notícia vinda a público na última edição do "Expresso". Ou como a agricultura intensiva pode trazer graves danos ambientais. Continuamos, insistentemente, a copiar os "erros" dos outros. Com tantos bons e notáveis exemplos, porque haveremos sempre de optar pelas mesmas soluções?...

sábado, novembro 26, 2005

Notas para uma estratégia de Ecopolis (3)

3.ª e última parte do artigo do Professor Doutor Jacinto Rodrigues, publicado na revista «Arquitectura e Vida» de Março de 2004

7. AGRICULTURA E INDÚSTRIA ECOLÓGICA

Em articulação com a actividade construtiva e também em função de outras actividades como a industrial, deveria proceder-se a uma eco-agricultura que complementarizasse a abertura de novos postos de trabalho às exigências simultâneas da agricultura e indústria numa base ecológica. Um exemplo que me parece interessante estudar é o do incentivo da cultura do cânhamo. Queremos aqui referir, evidentemente, o cânhamo industrial, isto é, a planta Cannabis Sativa L. cujo teor de T.H.C. é inferior a 0,3, não sendo por isso susceptível de ser utilizada como droga. Refira-se ainda que o cultivo desta planta industrial é subvencionado pela União Europeia.A cultura do cânhamo foi praticada no Norte, Centro e Sul de Portugal, ao longo de várias épocas, nomeadamente no fabrico das velas e do cordame para os barcos à vela.
Tem a seguinte particularidade: é uma produção agrícola de fácil manutenção, beneficia os solos e permite, para além da tecelagem, o fabrico de papel e outros materiais. Acontece ainda que, através de processos recentes, esta planta está a ser utilizada na bioconstrução.
Também a transformação tecnológica do bambú chinês “miscanthus” poderá vir a possibilitar uma articulação entre a actividade agrícola e a bioconstrução.
São também possíveis outro tipo de actividades agrícolas (permacultura, agricultura biodinâmica) capazes de promover agro-pecuárias ecológicas.

8. TRANSPORTES ALTERNATIVOS

Os transportes públicos não poluentes deveriam constituir uma alternativa à invasão do trânsito urbano.Com os corredores verdes, para além da função depuradora, criam-se circuitos pedonais e ciclovias que poderão permitir conexões entre várias zonas.As passarelas constituem atravessamentos fáceis, permitindo logradouros por onde se espraiam paisagens urbanas.Os centros da cidade, em particular os centros históricos, são avessos ao uso de automóveis.No estado actual, os veículos são poluentes e constituem uma oposição ao uso de hortas urbanas e espaços públicos de lazer e cultura.

9. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE DAS POPULAÇÕES

A prática do urbanismo numa perspectiva ecológica deverá ter em conta a mobilização das populações na detecção dos problemas e sua resolução.
Assim, o eco-urbanismo é, antes de tudo, desígnio estratégico sujeito às múltiplas interacções surgidas ao longo dum percurso que deve ser entendido como processo permanente embora com faseamentos nos objectivos mas que serão sempre sujeitos a constantes avaliações e retroacções.
A “investigação-acção” e o “trabalho de projecto” são as práticas sociais que melhor se coadunam com esta filosofia. A mobilização consciente da população é decisiva. Volto ainda à experiência de Curitiba:
Nalguns festivais culturais, encontros de cinema, teatro ou música promovidos pela municipalidade dessa cidade brasileira, a entrada dos espectáculos é paga com garrafas usadas ou papel para reciclar. Este tipo de mobilização pela positiva é uma forma educativa que sendo alheia a qualquer processo administrativo-repressivo, liga as aspirações às necessidades, promove solidariedade e cooperação num clima social, lúdico e festivo tão necessário à participação popular nos objectivos de interesse público.
Através desse processo, a população vai tomando consciência da problemática ecológica e o planeador deixa de ter a arrogância dum tecnocrata autoconvencido dum qualquer “modelo” estático e “ad eternum...”.

Assim, o eco-urbanismo é um caminho que se faz caminhando, parafraseando o poeta Machado.

No entanto, qualquer intervenção deve ser reflectida e inserida numa óptica projectiva, futurante, pois os dispositivos topológicos são, por natureza, resistentes à mudança. E quando se constroem dispositivos errados, estes funcionam como travão às mudanças, podendo mesmo transformar-se em mecanismos de reprodução de hábitos opostos à necessária e permanente metamorfose social.

Por, Jacinto Rodrigues . Professor catedrático da Universidade do Porto

quinta-feira, novembro 24, 2005

II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas



Encontra-se em preparação a 2.ª edição do Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas, estando já elaborado o respectivo programa que, seguidamente, damos a conhecer. Foram já contactadas diversas entidades, entre as quais o Museu Nacional de Cerâmica González Martí (Valência), na pessoa do seu director, Jaume Coll. Está, neste momento, confirmada a presença dos seguintes artistas/ceramistas: Arcadio Blasco; Rafael Pérez; Myriam Huertas; Juan Ortí; Fernando Malo; Sofia Beça; Javier Fanlo e do músico português, Gustavo Costa. Lembramos que na exposição da 1.ª edição, do Museu González Martí, ao fim de um mês o museu havia registado 25.000 visitantes, tendo pedido o prolongamento do prazo da mesma... As grandes inovações desta próxima edição serão: a criação de um espaço de aprendizagem para as crianças com o acompanhamento de um professor (duas hora por dia, durante a semana); um concerto de encerramento e a abertura de um espaço de exposição. Esperemos que o sucesso se repita. Neste momento, está a ser comercializado em Espanha, através da revista Ceramikarte, o vídeo do 1.º encontro. O programa, para a próxima edição é o seguinte:

II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas
De 8 a 22 de
Abril de 2006

Dia 8 sábado: Recepção dos ceramistas
Apresentação da temática dos trabalhos a realizar.
Tarde: Reconhecimento do local, montagem da exposição e das bancadas de trabalho.
Dia 9 domingo: Sessão de abertura
Inauguração de mostra de trabalhos dos autores presentes.
Modelação (inclui amostras de paletas para experiências de vidrados).
Dia 10 segunda-feira: Modelação.
Dia 11 terça-feira: Modelação.
Dia 12 quarta-feira: Modelação. Acabamento e secagem das peças produzidas.
Dia 13 quinta-feira: Montagem de fornos de Papel, de fornos de lenha e de fornos a gás.
Dia 14 sexta-feira: Chacota das peças. Preparação dos vidrados. Experiências com os vidrados nos vários fornos, para elaboração das paletas de cor.
Dia 15 sábado: Chacota das peças. Vidragem e cozedura das peças.
Dia 16 domingo:[Páscoa] Dia de Descanso. (Passeio e confraternização entre os ceramistas participantes)
Dia 17 segunda-feira: Montagem de fornos de papel e Cozeduras
Dia 18 terça-feira: Cozeduras.
Dia 19 quarta-feira: Cozedura de peças
Dia 20 quinta-feira: Cozedura de peças
Dia 21 sexta-feira: Cozedura de peças.
Tarde: Mesa redonda. Reflexão sobre os resultados.
Noite: Concerto pelo Quarteto Gheegush (Gustavo Costa - bateria e percussão;
Henrique Fernandes - Contrabaixo; João Martins - Saxofone; Jonathan Saldanha - Electrónica)
Dia 22 Sábado: Sessão de encerramentoArrumação e limpeza do espaço de trabalho

Ainda sobre a primeira edição pode ler-se um interessante artigo no "Jornal do Centro", intitulado "Fazer cerâmica com vista para o Douro".

segunda-feira, novembro 21, 2005

Terra Sã 2005 . Lisboa



É já nos próximos dias 25, 26 e 27, em Lisboa. Ainda não sabemos se as "Aldeias de Portugal", à semelhança do que aconteceu no Porto irão estar presentes (e entre elas, Boassas, claro...) Esperemos que sim...

A propósito de turismo...











Temo-nos abstido de falar de turismo, porém estamos convictos de que o futuro de Boassas passa também, impreterivelmente, por um desenvolvimento neste sentido. Não vislumbramos outra alternativa que não esta, para que a aldeia possa sobreviver. Estamos em crer que a povoação possui todas as condições para que possa ser bem sucedida nesta área. Para que, porém, haja algum sucesso haverá que ter em conta que deverão ser, obrigatoriamente, observadas as seguintes premissas:
- Planear o desenvolvimento da região de forma integrada e sustentável
- Oferecer serviços turísticos de qualidade
- Preservar e valorizar a identidade local
- Preservar a natureza
- Promover os produtos e actividades endógenos
- Apostar no desenvolvimento dos valores antropológicos da região (através de todas as formas comunitárias; administrativas; agrícolas; religiosas e outras)
- Incentivar a valorização das culturas locais, incluindo-as na economia sustentável da região (agricultura; produtos biológicos; artesanato; gastronomia, etc.)
- Promover eventos e visitas orientadas e integradas em projectos de animação sócio-cultural, ambiental e outras...
- Contribuir para a organização de grupos culturais recreativos e eco-museus
- Promover a divulgação da região (e seus produtos) no país e no estrangeiro
Este é o desenvolvimento que almejamos para a aldeia e região onde se insere, tendo como certo que os primeiro passos estão já a ser dados neste sentido, estando a ter já alguma repercussão. Por outro lado, estamos convictos também de que a contrariação deste tipo de desenvolvimento e a continuação da aplicação do modelo das últimas décadas irá, seguramente, inviabilizar a possibilidade de desenvolvimento e de futuro da aldeia e sua região.