sábado, outubro 01, 2005

Portugal Paraíso Renovável - Artigo de Pedro Miguel Rocha

Com a devida vénia e agradecimento, transcrevemos o (quanto a nós notável) texto de Pedro Miguel Rocha, publicado no blogue "Solariso", intitulado

"Portugal Paraíso Renovável"

«Já aqui deixei a minha opinião sobre o que penso da construção de uma central nuclear em Portugal, assim como também expressei o meu incondicional apoio à criação de sistemas de produção de energia descentralizados. Aliás não será difícil de compreender que os sistemas descentralizados, que admito serem de forma geral mais caros, criam mais empregos directos e indirectos, estimulam mais e melhor a economia local e exigem aos profissionais envolvidos um maior esforço a nível da sua qualificação de forma a serem competitivos no mercado de trabalho.
Por estas razões discordo da construção de uma central nuclear, que centraliza num espaço reduzido e num numero de pessoas reduzidas uma enorme produção de energia, tornando-se numa espécie de rolha que impede que outras soluções e tecnologias possam evoluir e se tornem competitivas. Nem preciso de argumentar sobre os potenciais riscos ambientais. Basta-me a convicção que uma estratégia de descentralização da produção de energia eléctrica trás mais benefícios para a economia. Será difícil de perceber?!
O propósito do artigo desta semana passa por expor a variedade e disponibilidade energética presente no país de fontes de energia renováveis. Estas estão presentes por todo o território nacional em abundância, o que permite encontrar as soluções mais vantajosas e tecnicamente mais adequadas para uma determinada localização geográfica.
Portugal é de facto um paraíso renovável.
- Biomassa - Eólica - Geotérmica - Hídrica - Mares e Ondas - Solar
Não é difícil de perceber que todos estes tipos de energia se encontram com alguma abundância ou mesmo em grande abundância em Portugal.
Passo a expor um apanhado do potencial existente para cada uma delas no nosso país.

Biomassa
Segundo a informação que obtive a floresta cobre aproximadamente cerca de 38% do território nacional com uma área aproximada de 3.000 milhares de ha, estimando-se que a produção total de biomassa florestal seja de 6,5 milhões de ton/ano. Destes 6,5 milhões de ton/ano podem estar disponíveis para a produção de energia eléctrica cerca de 2,2 milhões de ton/ano.
Tendo em consideração que até à data existe apenas uma central de produção eléctrica a partir de biomassa, (Central de Mortágua), podemos rapidamente concluir que esta fonte de energia está claramente a ser desaproveitada ou queimada no sito errado, (refiro-me aos fogos que todos os anos devastam o país). A central de Mortágua foi construída para uma capacidade de 80.000 ton/ano de biomassa e tem uma potência instalada de 9 MW, estando a central projectada para entregar à rede cerca de 60 GWh o que permite abastecer cerca de 35 mil habitantes. As contas são simples de fazer. Se é possível abastecer cerca de 35 mil habitantes com 80.000 ton/ano em biomassa, qual a população possível de abastecer com 2,2 milhões de ton/ano? Quantos empregos se criam directamente e indirectamente?
Temos ainda dentro deste tipo de energia o Biocombustivel gasoso, (conhecido como Biogás) e o Biocombustivel líquido, (Biodisel).
No primeiro caso têm sido feitos alguns investimentos, nomeadamente no aproveitamento desta energia pela Agro-Pecuária e pelas ETARs. Já no caso do Biodisel muito há a fazer, principalmente no que se refere na criação de condições para a produção de matéria-prima, (por ex: plantação de girassol), para que seja possível alimentar um central de produção deste tipo de combustível.

Eólica
A energia eólica é aquela que tem merecido maior atenção por parte dos nossos governantes e investidores por ser mais rentável comparativamente a outras tecnologias, o que não quer dizer que para as outras tecnologias não hajam investidores. Acontece é que os governos têm privilegiado a criação de condições para o investimento na eólica e vão deixando outras soluções para uma fase posterior.
No caso da eólica em Portugal estava instalada até 2004 uma potência de 584 MW, estimando-se que o potencial existente se encontre entre os 2000 a 3500 MW. Convém ainda dizer que Portugal registou o maior crescimento a nível mundial deste tipo de energia e que actualmente se encontra em desenvolvimento um ATLAS do vento para que de futuro possa haver uma melhor avaliação dos potenciais locais para instalação de parques eólicos.
Recentemente saiu também a notícia da EDP estar a estudar a possibilidade da criação de um Cluster Offshore. Este tipo de aplicação tem um investimento inicial cerca de 30% superior ao das instalações em terra, no entanto permite uma maior produção de energia, podendo atingir uma produção 40% superior. Para além disso, o impacto visual, criticado por aqueles que preferem ter uma central nuclear, é substancialmente reduzido, nestes casos os aerogeradores podem também ser mais baixos uma vez que a altura das ondas não influencia a força do vento.

Geotérmica
Apesar de não sermos propriamente um país onde este tipo de energia abunde, a energia Geotérmica pode e tem um peso importante, nomeadamente nos Açores. Nos Açores o aproveitamento deste tipo de energia chega aos 235 MWt de potência instalada tendo em 2003 contribuído para 25% da energia produzida na Ilha de S. Miguel.
A energia Geotérmica pode ainda atingir nos próximos 10 anos mais 30 MWe.

Hídrica
Consideramos apenas para o aproveitamento desta fonte de energia as mini-hídricas, uma vez que a grande-hídrica envolve um substancial impacto no meio ambiente, nomeadamente no ecossistema fluvial. No entanto a grande hídrica, deve ser considerada mais vantajosa do que outras fontes de energia uma vez que não emite gases de efeito estufa.
Desde 1994 foram licenciadas 122 empreendimentos dos quais encontram-se em funcionamento 44 representando 170 Mw de potência instalada e uma produção de 550 GWh/ano. Se tivermos em conta antigas concessões o total de aproveitamento mini-hídrico no país situa-se em 98 centrais, correspondendo a 256 MW de potência instalada e na produção de 815 GWh/ano.
Apesar da dificuldade em fazer uma estimativa presume-se que o potencial de explorações mini-hídricas ronde os 1000 MW com uma produção média entre os 1500 e 1800 GWh/ano.

Oceanos
Chegamos à energia proveniente do oceano, que não é difícil de imaginar como esta se puderá tornar a médio / longo prazo numa das principais fontes de energia em Portugal. Esperamos apenas que os nossos governantes não deixem ao abandono todo o esforço feito até aqui em Investigação e Desenvolvimento que se tem feito, e onde Portugal se mantém no pelotão da frente no que se refere ao acompanhamento e participação no desenvolvimento de tecnologias e aproveitamento da energia das ondas.
A energia que chega a costa ocidental portuguesa é de cerca de 120 TWh/ano, sendo que as zonas costeiras portuguesas têm das condições mais favoráveis no mundo para a aplicação deste tipo de tecnologia.
Apesar do aproveitamento deste tipo de energia ainda não ter atingido uma fase de comercialização espera-se que este tipo de energia venha a contribuir de forma importante na produção de energia eléctrica num futuro próximo.

Solar
Para a energia Solar, basta saber que Portugal é um dos países com maior disponibilidade de radiação solar em toda a Europa para perceber que esta solução deve ter também um papel importante na produção de energia eléctrica. No entanto aqui deve ser apoiada, (no caso dos fotovoltaicos e energia solar térmica), a instalação por pessoas particulares em vez da criação de grandes centrais.
A energia Solar abrange contudo mais do que os fotovoltaicos e solar térmica ao contrário do que pareceu ter dado a entender António Sá da Costa na entrevista que deu no último numero da revista Águas & Ambiente.
A energia Solar, através da aplicação de conceitos de aquecimento solar passivo nos novos edifícios pode ter também um contributo importante na redução da factura energética, tornando os edifícios energeticamente mais eficientes e consequentemente reduzindo a quantidade de energia dispendida em aquecimento. Existem ainda outras formas de produção de energia eléctrica através da energia solar que não passam obrigatoriamente pelos fotovoltaicos. A energia Solar pode ainda ser usada para coisas tão simples como cozinhar, aplicando tecnologia simples e barata.

Depois desta pequena exposição sobre as diferentes fontes de energias renováveis, e demonstração da sua presença física em Portugal, sabendo que umas têm mais vantagens em relação a outras, assim como estando outras ainda numa fase embrionária referente ao seu aproveitamento, creio não poder haver dúvidas quanto ao potencial que existe em Portugal para o aproveitamento deste tipo de fontes de energia. Criar uma Central Nuclear em Portugal é dificultar abertamente o crescimento do mercado das energias renováveis.
Mas mais importante ainda do que a própria origem da produção energética é o facto de a aposta nas energias renováveis permitir a criação de inúmeras empresas, de assistência técnica, de instalação, de produção, de gestão, consultoria, para além da investigação e estudos, etc… que necessitam de técnicos qualificados nas mais diversas áreas, permitindo criar postos de trabalho distribuídos de uma forma relativamente homogénea por todo o país, levando à um aumento do nível de instrução das populações em zonas mais interiores do país, desenvolvendo a economia local.
Estas são para mim as grandes vantagens em apostar no mercado das energias renováveis em Portugal.
“Criar uma Central Nuclear em Portugal é dificultar abertamente o crescimento do mercado das energias renováveis”
“…as energias renováveis permite a criação de inúmeras empresas, de assistência técnica, de instalação, de produção, de gestão, consultoria, para além da investigação e estudos, etc…que necessitam de técnicos qualificados nas mais diversas áreas, permitindo criar postos de trabalho distribuídos de uma forma relativamente homogénea por todo o país, levando à um aumento do nível de instrução das populações em zonas mais interiores do país, desenvolvendo a economia local.”
Por isso mais uma vez aqui afirmo que sou contra a instalação de uma Central Nuclear no País, e desta vez, sem que me possam acusar de fundamentalismo ambientalista, creio apresentar os argumentos que demonstram o porquê do mercado das energias renováveis ser muito mais vantajoso para a economia do que uma mísera Central Nuclear, com umas míseras centenas de postos de trabalho, criando mais outros míseros postos de trabalho indirectos, e fazendo milhões em lucro.
Fico apenas na esperança que entendam que mais uma vez se trata de criar um novo monopólio ou de criar mais dinamismo e competitividade na economia portuguesa.
A escolha por enquanto ainda é nossa.»

Pedro Miguel Rocha, in blogue "Solariso"

Informamos os nossos leitores que, entretanto, a partir de ontem o mencionado blogue "Solariso" passou a ser mais uma "ligação recíproca" do nosso "Boassas". A comunidade em torno de Boassas não pára de aumentar e de nos surpreender. Muito obrigado Pedro Miguel.

Um livro, a propósito da Agenda 21

aqui havíamos falado anteriormente no programa Agenda 21. Descobrimos agora, graças ao co2laser, que foi recentemente lançado o livro "Autarquias e Desenvolvimento Sustentável - Agenda 21 Local e Novas Estratégias Ambientais" de Luísa Schmidt, Joaquim Gil Nave e João Guerra. Vamos tentar adquirir um exemplar para a associação.

sexta-feira, setembro 30, 2005

"Arquitectura de Terra em portugal"



A propósito do IV SIACOT (Seminário Ibero-Americano de Construção com Terra), vai ser lançado o livro "Arquitectura de Terra em Portugal", uma ilustração e reflexão sobre a arquitectura de terra que se faz no país. Algo que se assinala com agrado, até pela necessidade de encontrar novas "vias" alternativas à construção massificada e "predadora", que se mostra inviável e sem futuro. Neste caso (como tantas vezes sucede) o ensino provém da tradição.

IV Seminário Ibero-Americano de Construção com Terra...

Irá decorrer de 7 a 12 de Outubro o IV SIACOT (Seminário Ibero-Americano de Construção com Terra) e III Seminário de Arquitectura de Terra em Portugal. O evento terá lugar no Convento da Orada, em Monsaraz e é organizado pela Escola Superior Gallaecia, Fundação Convento da Orada, Projecto Ibero Americano Proterra, CdT- Associação Centro da Terra e o instituto norte-americano GCI - Getty Conservation Institut. O programa pode ser visto aqui.
Mais informações podem ser solicitadas através do seguinte endereço: siacot@centrodaterra.org

quarta-feira, setembro 28, 2005

Requiem pela "Quinta do Paço da Serrana" V. Há 20 anos era assim...


A pequena capela de "Nossa Senhora dos Remédios", junto do monumental pinheiro manso. Um espaço de contemplação, sobre o rio Douro (ainda perceptível na foto) e que os bancos de granito sob a frondosa copa dessa árvore secular faziam ressalvar. Aquele que era, sem dúvida, um dos mais belos locais da "Quinta do Paço da Serrana", é agora apenas uma saudade, graças ao poder destrutivo do fogo e à incúria dos homens...

terça-feira, setembro 27, 2005

Outra nova reciprocidade

Registamos hoje a entrada de mais um blogue na nossa "comunidade". Trata-se, desta feita, do interessante co2laser, cuja temática se desenvolve em torno do ambiente e do desenvolvimento sustentável. Pediram-nos para transcrever o texto "Ecologia e construção...", do Professor Doutor Jacinto Rodrigues, ao que acedemos, porque essa é, precisamente, a ideia da publicação destes textos. Aqui fica o registo e também o nosso obrigado.

sexta-feira, setembro 23, 2005

O "Pigarço"


"Na foto vemos Francisco Xis, de alcunha "Pigarço", um dos antigos "marinheiros" dos barcos rabelos do Rio Douro, infelizmente já partido do número dos vivos e por isso mais uma saudade". (Foto e texto do Prof. M. Cerveira Pinto)

Sobre a arquitectura do rabelo aconselhamos este artigo (com a devida vénia ao "A cidade surpreendente"). E também esta foto. Reconhecem o local?

terça-feira, setembro 20, 2005

"Caminho da Arribada" por Yasuyuki Ise


(photo . cerveira pinto . copyright 2005)

Como forma de assinalar o lançamento do "II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas", a realizar em Abril de 2006, aqui fica a foto de mais uma placa toponímica realizada aquando da edição do ano passado.

“Guerrilha verde” nas cidades


Liz Christy, em 1973, juntamente com activistas ecológicos, criou a primeira horta comunitária, num terreno abandonado de Manhattan.
Mais tarde, este terreno cultivado viria a ser destruído e transformado num parque de estacionamento, pela Câmara Municipal.
Não se dando por vencido, este grupo ecológico realizou uma segunda tentativa com a criação de um jardim comunitário. Foi esta experiência na zona de Houston, também em Nova Iorque, que se tornou na experiência exemplar que veio a revelar-se num movimento denominado “guerrilha verde”.
Pouco a pouco, graças ao apoio crescente da opinião pública e também a mudanças no seio de algumas instâncias municipais, foram surgindo avanços mais positivos. As atitudes repressivas foram dando lugar a contratos de arrendamento e nalguns casos à criação de Associações de interesse público ligadas a actividades como a agricultura ecológica urbana.
Os exemplos acabaram por se multiplicar e, nos anos 80, o movimento das “Green Guerrillas” contava mais de 700 jardins legalizados e largas centenas de participantes organizavam uma nova militância de acção directa ecológica.
Nos anos 90 a “Green Guerilla” tornava-se num movimento legalizado e expandia-se. Organizou uma escola com cursos de sensibilização ambiental. E os vários jardins constituíram-se em novas alternativas de práticas sociais: surgiram então jardins mais vocacionados para a horticultura e pomares, outros ainda mais orientados para a prática pedagógica com crianças e outros com características de integração de excluídos.
De uma forma geral, estes novos espaços verdes públicos ou municipais vieram a ser animados numa perspectiva global onde através de múltiplas vertentes - terapêutica, lúdica, pedagógica e de sustentabilidade – se procurava a autonomia e a consolidação de uma estratégia virada para um novo paradigma da cidadania na busca de eco-cidades.
Já referimos neste jornal algumas práticas que vão nesse sentido da acção directa ecológica. Na Alemanha, Joseph Beuys, fundador do movimento dos verdes, procurou plantar 7 mil carvalhos na baixa da cidade de Kassel. Em Itália, a experiência com jardineiros e camponeses que ele tentou animar, constituiu uma rara e subtil ligação de sensibilidade artística com a actividade agrícola.
Estas acções inspiraram múltiplas experiências que ainda hoje se desenvolvem em várias cidades.
Em França são várias as experiências, nomeadamente em torno da Escola Nacional Superior da Paisagem, que introduz concepções novas para espaços verdes e a formação no domínio da agricultura ecológica urbana.
Embora tomando como referência os antigos jardins operários e jardins comunitários do final do séc. XIX e princípios do séc. XX, a prática ecológica agora defendida, não se constitui como uma forma de resistência em torno da subsistência mas situa-se muito mais numa preocupação em torno de uma alimentação de qualidade pela agricultura ecológica, uma nova forma solidária e terapêutica, de cooperação e não exclusão e também uma vontade de aprender uma prática social e pedagógica apontando para a conquista de novos espaços públicos na cidade que se deseja progressivamente transformar em eco-sistema baseado no desenvolvimento ecologicamente sustentado e cada vez mais gerido por redes organizativas da sociedade civil. Todos estes movimentos têm contribuído para retirar dos centros das cidades a presença de automóveis poluentes, tornando-se assim uma forma integrada de defender simultaneamente transportes públicos não poluentes para não afectar a actividade de agricultura ecológica.
Esta nova prática social de vida constitui uma ruptura com a antiga militância. É uma via de intervenção cívica pela defesa dos espaços públicos.
Trata-se de ligar a transformação social com o auto-desenvolvimento. Agir civicamente de modo a implicar-se com a vida. Fazer regenerar a natureza e impedir a pulsão suicidária. Inverter a solidão e a falta de estima. Cooperar e não excluir. Cuidar e curar em vez de destruir as pessoas e o planeta.

Jacinto Rodrigues
(professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto)
Artigo publicado no Jornal "A Página" de Outubro de 2003

domingo, setembro 18, 2005

Workshop com Arcadio Blasco

"Aspectos Técnicos e Plásticos da Cerâmica Mural"
O Cencal vai realizar novamente na 2ª quinzena de Outubro de 2005 um Workshop sobre Aspectos Técnicos e Plásticos da Cerâmica Mural (Cód.: 543MD011.05) com o escultor e pintor espanhol Arcadio Blasco (que esteve em Boassas no ano passado, aquando do "I Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas"). Esta será mais uma oportunidade para muitos ceramistas poderem contactar com um dos mais reputados especialistas internacionais nesta temática. Para informação mais detalhada e inscrições, os interessados poderão consultar a divulgação desta acção de formação no site do Cencal - http://www.cencal.pt.

Divulgação cultural...

O cantor/fadista cinfanense António Laranjeira irá interpretar obras de sua autoria e de José Afonso; Amália Rodrigues; Alexandra; Manuel de Almeida; Rão Kyao; etc., na FNAC de Sta. Catarina, no Porto, às 17.00 h do próximo dia 25 de Setembro.

segunda-feira, setembro 12, 2005

As torres de Setúbal e a implosão de Portugal.

Já aqui havíamos referido quem têm sido os principais responsáveis pela destruição do país nos últimos tempos. A ver no editorial do "Diário de Notícias" de Sábado (9 de setembro), via Sargaçal.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Requiem pela "Quinta do Paço da Serrana" II. Há 20 anos era assim...


Vendo esta imagem é possível constatar o que se perdeu e se destruiu em 20 anos. É uma calamidade que se abate sobre a região (e sobre o país) e que há que parar, enquanto é tempo (se é que ainda é tempo)...

quarta-feira, setembro 07, 2005

Turismo em Boassas em alta


A Casa do Lódão, (até agora) única casa de turismo a operar em Boassas começa a ter repercussão nacional e internacional. Num ano em que o turismo no Douro irá bater um novo recorde de turistas (cerca de 200 mil, segundo informação colhida no JN de 25/08 do corrente), esta unidade turística recebeu já turistas de vários pontos do país, de Espanha e da Alemanha.

À memória de Fernando Távora (1923-2005)

"Fernando Távora. O reinventor da arquitectura moderna. O decano da arquitectura portuguesa, que trouxe os valores locais e a história para a arquitectura moderna, morreu ontem (Sábado, dia 3), aos 83 anos. Considerado o grande mestre da Escola do Porto, é responsável pelo acerto da arquitectura portuguesa com as vanguardas internacionais" (in, Público, 4/9/2005). A sua obra continua a ser notícia mesmo após a sua morte, pelos piores motivos, é certo. Via Dias Com Árvores, "Pinheiros mansos no alto da avenida".

segunda-feira, setembro 05, 2005

Requiem pela "Quinta do Paço da Serrana"


(photo arq . Renato Brito . all wrights reserved)

Soubemos que, durante este fim de semana, ardeu parte da "Quinta do Paço da Serrana", a fantástica propriedade da família do célebre africanista Serpa Pinto e que é (ou era) parte do mais notável património (cultural; turístico; paisagístico; ambiental; arquitectónico; etc.) da região de Boassas e do concelho de Cinfães. Há anos, aquando da sua aquisição pela câmara municipal, (para fazer uma série de estruturas culturais e turísticas - Casa-Museu Serpa Pinto; estalagem; turismo rural; etc...) os "letrados" de então, que não concordavam, disseram que aquilo só servia para "fazer filmes de terror" (sic). Porfiaram... Ascenderam ao poder e, aí está, após anos de abandono criminoso e incúria... conseguiram! Um grande filme de terror, a preto e branco, com mistura de humor negro... e um intenso cheiro a queimado! Não estamos apenas tristes e chocados. Estamos indignados e revoltados! Quem nos salva da barbárie?...

domingo, setembro 04, 2005

Ainda (e sempre) o I Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas


Aproveitamos, mais uma vez, para falar do I Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas, a propósito da recente visita à aldeia de mais um dos seus participantes (após a visita de Rafael Pérez, em Julho passado). Desta feita tratou-se de Juan Ortí Garcia e da sua companheira Miriam, também ela espanhola e ceramista de créditos firmados. Estiveram cerca de uma semana hospedados na Casa do Cerrado (aliás tal como o haviam feito já no ano passado). Para além de algumas experiências cerâmicas, devido ao trabalho da Sofia, houve ainda tempo para passeios pela aldeia e ao rio Bestança. Prometeram voltar em Abril para o próximo encontro. Oxalá que sim. O Encontro do ano passado continua, assim, a ter repercussão e a levar longe o nome de Boassas. A foto ilustra um momento da exposição, realizada com os trabalhos executados durante o "encontro" e que então esteve patente no Museu Nacional de Cerâmica González Martí, em Valencia, Espanha e que ao fim de um mês havia já recebido 25.000 visitantes! Por contraste, sabemos que há tempos, uma ceramista de Coimbra, que teve conhecimento do evento, telefonou para a Câmara de Cinfães sem que ninguém lhe tenha prestado qualquer esclarecimento sobre o mesmo. Que não sabiam de nada... Elucidativo! Registamos também, para acentuar ainda mais o contraste, as palavras da Sra. Arq.ª Vera Almeida, numa mensagem de correio electrónico que recebemos recentemente, que dizia o seguinte: "Esqueci-me no e-mail anterior de desejar os Parabéns à Sofia e espero que a exposição do seu trabalho, na Bienal de Cerveira, corra pelo melhor e possa dar os merecidos frutos. A Cerâmica é também uma área que me atrai bastante. Não sei se já tive a oportunidade de dizer, mas achei mesmo muito interessante e importante o Encontro de Ceramistas em Boassas, são iniciativas como esta que fazem a diferença neste pequeno país tão pobre de espirito (desculpe o termo), mas é o que penso. Desejo à Sofia também os maiores sucessos! Assim que tiver a oportunidade enviar-lhe-ei um e-mail a Felicitá-la."