terça-feira, agosto 23, 2005

(Mais outra) nova reciprocidade

Não param de nos surpreender as "reciprocidades" estabelecidas com o nosso "Boassas". Desta feita trata-se do admirável e muito musical desNORTE (ainda bem, se há algo que apreciamos é música). Neste caso há até uma passagem pela aldeia, documentada com algumas fotografias (Casa do Cubo, Cruzeiro e Capela de N.ª Sr.ª da Estrela, etc.). Muito obrigado pela referência, sentimo-nos verdadeiramente lisonjeados e honrados por estabelecer esta "reciprocidade" com o desNORTE, que passa, a partir deste momento, a ser mais uma consulta assídua.

Ecologia e construção, uma questão urgente. [Um texto do Professor Jacinto Rodrigues]


ECOLOGIA E CONSTRUÇÃO, uma questão urgente

No actual modelo civilizacional, que tem o petróleo como principal fonte de energia, a construção de edifícios é a maior indústria responsável pelo esgotamento dos recursos naturais e é também a que provoca uma maior contaminação do planeta.

CONSTRUÇÃO versus POLUIÇÃO.
O esgotamento e a poluição resultantes do uso da água, a poluição resultante do uso do petróleo, a poluição de todos os resíduos resultantes da construção são responsáveis por muitas das poluições globais (efeito de estufa, mudança climática, chuvas ácidas, etc.).
O relatório Handbook of Sustainable Building, 1996, ed. James & James, London, refere que 40 por cento dos gastos de energia são utilizados na construção e 40 por cento da poluição resulta da indústria de construção. O consumo mundial da energia aparece assim distribuído: metade da energia é gasta na construção, nos transportes e na indústria.
A consciência ecológica parece ter acordado mais depressa no que diz respeito ao esgotamento e poluição resultantes da opção feita pelos transportes e pela indústria. Só raramente se colocam problemas ecológicos sobre a opção adoptada no tipo de construção. Assim, só muito recentemente surgiram programas europeus que apelam para uma mudança nos materiais, nos processos construtivos e no método de funcionamento (bioclima, gestão controlada e uso de energias renováveis). O programa francês HQE (Haute Qualité Ambientale - Alta Qualidade Ambiental) está essencialmente a ser usado nas construções públicas especialmente ligadas ao sector educacional.
Na Europa, é na Holanda que se verifica uma maior aplicação dum “método de preferência ambiental” e somente agora se avança com o projecto de lançar o programa Thermic, a desenvolver por toda a comunidade europeia, no que diz respeito aos métodos de construção, aos materiais utilizados e às opções energéticas na manutenção climática dos edifícios.

O CASO DE PORTUGAL
As opções construtivas em Portugal e, sobretudo a política energética defendida, colocam o nosso país numa situação calamitosa. Em muitos aspectos, Portugal tem as melhores condições para uma outra política energética, baseada em energias renováveis (vento, sol, hídrica, biomassa, etc.). Seria de todo o interesse o uso de materiais naturais e saudáveis, biodegradáveis, através de novas tecnologias de construção e processos ecológicos de funcionamento energético e de gestão bioclimática.
Começa agora a falar-se na necessidade de se empreenderem grandes mudanças na produção energética. O Ministério do Ambiente refere uma meta: 40 por cento de produção de energias renováveis no consumo para 2010. Contudo, há ainda que analisar a questão do esbanjamento energético e a problemática da utilização de materiais poluentes nas construções em Portugal. É assim urgente uma mudança no ensino da arquitectura e na formação profissional dos quadros ligados à construção civil e às indústrias dos materiais de construção, assim como uma renovação das estruturas empresariais. Aqui ficam as grandes linhas de intervenção de um programa estratégico essencial:
- As faculdades de arquitectura terão de iniciar um debate estratégico de desenvolvimento, elegendo outros “modelos” de arquitectura que não serão necessariamente os modelos hegemónicos. A crítica da crítica da arquitectura não se pode desenvolver a partir de aspectos formais. Interessam conceitos que permitam mostrar outras arquitecturas e outras cidades centradas numa perspectiva de desenvolvimento ecologicamente sustentado. Em vez do debate ficar centrado nos gestos estéticos formais, é preciso articular estética e ética e revelar uma forma de habitar diferente, ou seja, mais integrada na renovabilidade energética e na biodegradabilidade.
No fundo, a questão central do ensino da arquitectura e do urbanismo é substituir o modelo-máquina pelo modelo-ecossistema.
- Pontos de urbanização assentes numa malha policêntrica de pólos urbanos e de sistemas de produção energética descentralizados e renováveis: biodepuradoras; minicentrais multienergéticas (aplicação simultânea de eólicas, colectores solares, biogás, etc.)
- Renaturalização da actual paisagem urbana para que a bioclimatização seja realizável. Através de jardins biodepuradores, corredores verdes, bosques, hortas e agricultura biológica urbana articulados com a bioconstrução, desenvolver-se-ão os traços fundamentais do ecourbanismo. A escolha dos materiais de construção é importante. Em vez de betão ou cimento, em exclusividade, pode apostar-se na construção em madeira, cânhamo, aglomerados de bambu, etc.
- É também necessário complementar esta ecopólis com ecotransportes.
- Estas inovações na arquitectura têm que se inserir numa óptica geral de paisagem como bem público. Daí que os planos para um território devam ser pensados em termos de ecossistemas, para uma melhor distribuição e utilização das águas e das fontes de energias renováveis. O policentrismo urbano impõe-se ao desenvolvimento.
Através de um religar de conhecimentos, as universidades deveriam trabalhar no sentido de explicitar uma realidade ecoterritorial articulada com os conteúdos sociais e políticos do ecodesenvolvimento que impõe uma nova forma de pensar. Essa forma de pensar e a ecofilosofia, ou ecossofia, exigem novos comportamentos.

Jacinto Rodrigues

[Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto]
In revista “Pedra e Cal”, ano VI, n.º 25, Janeiro / Fevereiro / Março 2005

quarta-feira, agosto 10, 2005

Será esta a próxima vítima?


(photo . arq. Renato de Brito . all wrights reserved)

É um dos poucos exemplares de arquitectura tradicional de Boassas ainda intacto (e em bom estado de conservação). Sabe-se que foi vendido recentemente e que os novos proprietários pretendem fazer obras. O nosso apelo fica desde já registado, no sentido de que não se venha a destruir mais uma peça do património arquitectónico de Boassas, que esteve, inclusive, na origem da sua classificação recente como "ALDEIA DE PORTUGAL". Não tenhamos dúvidas de que o futuro de Boassas passa, impreterívelmente, pela preservação da sua cultura, das suas tradições, dos seus usos e costumes e... óbviamente, do seu património construído. Permitir a sua destruição é hipotecar o futuro da população da aldeia, é comprometer a réstea de esperança que reside nos passos que têm vindo a ser dados no sentido da promoção e desenvolvimento deste povoado milenar.

quinta-feira, agosto 04, 2005

(Outra) nova reciprocidade

O "boassas" conta, desde o passado dia 27 com uma nova reciprocidade. Trata-se, desta feita, do fantástico BIOTERRA, que era já para nós uma referência e que se torna agora omnipresente... e indispensável. Obrigado!

terça-feira, agosto 02, 2005

Algumas notícias sobre Boassas


(photo . cerveira pinto . all wrights reserved)

Acções recentes da Associação Por Boassas
1. A expensas próprias a APOBO levou recentemente a cabo a limpeza da Avenida Pinto Branco, ou Largo da Capela. Espera-se agora que a população colabore, no sentido de manter sempre aprazível aquela que é, na realidade, a "sala de visitas" da aldeia.
2. Através de contacto com a Junta de freguesia de Oliveira, na pessoa do seu presidente Jorge Teresinho, foi mandado limpar o caminho denominado da "Fonte-da-Pedra", pelo que aqui endereçamos desde já o nosso agradecimento. No entanto, fazemos também o reparo pela forma pouco zelosa com que tal trabalho foi efectuado...
3. Mediante reclamação efectuada para o pelouro do ambiente da Câmara Municipal de Cinfães, foi mandado retirar o autocarro velho que se encontrava na berma da estrada, junto do Campo do Facho (campo de jogos do Grupo Desportivo de Boassas), pelo que aqui fica também expresso o nosso agradecimento. No entanto, na mesma altura, fizemos também mais duas reclamações: uma sobre os depósitos constantes de lixo na berma da estrada Pias-Souto-do-Rio, por baixo da capela de Pias, na margem do Bestança e outra pela destruição da zona arbórea protegida, também junto a Pias, isto sem que, até agora, tenha havido qualquer resultado...
4. Foi formulada à Direcção Geral das Florestas a classificação da árvore denominada "Cipreste da Casa do Outeiro", não tendo ainda havido resposta.
5. Foram efectuados contactos com a direcção da cooperativa "Dólmen", no sentido de haver um apoio do programa "Leader +" para o "II Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas", que se deverá realizar em Abril do próximo ano. Neste sentido estão também já a ser convidados os artistas participantes nesta próxima edição.
6. Está neste momento em preparação o lançamento do primeiro concurso fotográfico sobre Boassas da APOBO, o qual deverá ser lançado ainda este mês. O resultado deverá dar início a uma colecção de postais ilustrados sobre a aldeia, contribuindo para a divulgação das suas belezas patrimoniais e paisagísticas.
7. Está a ser preparado um "dossier" para a integração da APOBO na Associação de Turismo de Aldeia (ATA).

Breves...
A Associação Por Boassas internacionalizou-se, pois o artista/ceramista espanhol Rafael Pérez, e sua esposa Carmen, fizeram-se recentemente seus associados.

Neste momento o número de sócios da APOBO encontra-se prestes a atingir a centena.

A Associação de Turismo de Aldeia (ATA) manifestou a intenção de fazer coincidir a sua reunião/congresso anual com o "Encontro Internacional de Ceramistas em Boassas" previsto para o próximo ano.

A Câmara de Cinfães deu uma subvenção de 720 euros (em duas vezes), mediante a apresentação do plano de actividades e orçamento da APOBO para o corrente ano. (Note-se: isto não é uma anedota!!...)

Carta sobre o Património Construído Vernáculo (II)

A destruição do património construído vernáculo de Boassas tem sido uma preocupação constante e é um dos pontos fulcrais da acção da Associação Por Boassas. Continuamos e concluímos, assim, a publicação da "Carta sobre o Património Construído Vernáculo", na esperança de que se sensibilize quem de direito, para que se pare, definitivamente, a destruição desta imensa riqueza local e que se preserve ainda (e recupere) o que for possível, nesta aldeia agora classificada como "Aldeia de Portugal" e que espera honrar esse epíteto e essa distinção. Trata-se de uma carta complementar à Carta de Veneza, formalizada pela Comissão Científica Internacional sobre a Arquitectura Vernácula (CIAV), "criada em 1976, no seio do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) e que procura aprofundar o estudo e os meios para a preservação da arquitectura dita "popular" em todo o mundo. Composta por peritos de vários países, a CIAV promove um congresso científico anual, colabora na apreciação de candidaturas a património mundial na área da arquitectura popular e elaborou a Carta sobre o Património Construído Vernáculo." (Miguel Brito Correia, in: "Pedra e Cal", ano VI, n.º 25, Março de 2005, pp. 35)

PRINCÍPIOS DE CONSERVAÇÃO
«1. A conservação do património construído vernáculo ou tradicional deve ser realizada por especialistas de diversas disciplinas, que reconheçam o carácter inevitável da mudança e do desenvolvimento, bem como a necessidade de respeitar a identidade cultural das comunidades.
2. As intervenções contemporâneas nas construções, nos conjuntos e nos povoados de expressão vernácula devem respeitar os seus valores culturais e o seu carácter tradicional.
3. O património vernáculo raramente se exprime através de construções isoladas. Será, pois, melhor conservado se forem mantidos e preservados os conjuntos e os povoados representativos de cada região.
4. O património construído vernáculo é parte integrante da paisagem cultural e essa relação deve ser tomada em consideração na preparação de programas de conservação.
5. O património vernáculo abrange não apenas as formas e os materiais dos edifícios, estruturas e espaços, mas também o modo como estes elementos são usados e interpretados pelas comunidades e ainda as tradições e expressões intangíveis que lhes estão associadas.

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS
1. Investigação e documentação
Qualquer intervenção física em património vernáculo deve ser cautelosa e precedida de uma análise completa da sua forma e organização. A documentação recolhida deve ser conservada em arquivos acessíveis ao público.
2. Relação com a paisagem
As intervenções em património construído vernáculo devem respeitar e manter a integridade dos sítios onde este património se implanta, bem como a relação com a paisagem física e cultural e ainda garaatir as relações de harmonia entre as construções.
3. Métodos tradicionais de construção
A continuidade dos métodos tradicionais de construção e das técnicas e ofícios associados ao património vernáculo são fundamentais para o restauro e reconstrução destas estruturas. É através da educação e da formação que estes métodos e este domínio das técnicas e ofícios devem ser conservados, registados e transmitidos às novas gerações de artífices e construtores.
4. Substituição de materiais e de elementos arquitectónicos
As transformações que satisfaçam legitimamente as necessiadades contemporâneas devem ser realizadas com materiais que assegurem uma coerência de expressão, de aspecto, de textura e de forma com a edificação original.
5. Adaptação e reutilização
A adaptação e a reutilização de construções vernáculas devem ser efectuadas respeitando a integridade, o carácter e a forma destas estruturas e compatibilizando a intervenção com os padrões de habitabilidade desejados. A perenidade dos métodos tradicionais de construção pode ser assegurada através da elaboração, pela comunidade, de um código ético ajustável às intervenções.
6. Critérios relativos a alterações
As alterações feitas ao longo do tempo nos edifícios devem ser consideradas como parte integrante da Arquitectura Vernácula. Por isso, a sujeição de todos os elementos de uma edificação a um período histórico único não deve constituir, normalmente, o objectivo das intervenções no património vernáculo.
7. Formação
Para conservar os valores culturais da Arquitectura Vernácula ou tradicional, os governos e as autoridades competentes, as associações e as organizações ligadas a estes objectivos devem dar prioridade:
a) A programas educativos que transmitam os fundamentos do património vernáculo aos técnicos ligados à sua salvaguarda;
b) A programas de formação para apoiar as comunidades a preservar os métodos e os materiais tradicionais de construção, bem como as respectivas técnicas e ofícios;
c) A programas de informação que sensibilizem o público, nomeadamente os jovens, para o valor da arquitectura vernácula;
d) Às redes inter-regionais de arquitectura vernácula para intercâmbio de conhecimentos e experiências.»

(in: LOPES, Flávio; CORREIA, Miguel Brito, Património Arquitectónico e Arqueológico, Cartas, Recomendações e Convenções Internacionais, Lisboa, Livros Horizonte, 2004, pp. 285-288.)

quarta-feira, julho 27, 2005

Carta sobre o Património Construído vernáculo (I)


(Photo . Cerveira Pinto . all wrights reserved)

«Ratificada na XII Assembleia Geral do ICOMOS, realizada de 17 a 23 Outubro 1999, no México, esta carta descreve não só o que é o património construído vernáculo, mas também estabelece princípios para a sua conservação e define orientações práticas relativas a esta temática. Trata-se de um valioso contributo para proteger um legado extremamente vulnerável e ameaçado pela uniformização económica, cultural e arquitectónica a nível mundial.»

O património construído vernáculo ou tradicional suscita a afeição e o orgulho de todos os povos. Reconhecido como uma criação característica e genuína da sociedade, manifesta-se de forma aparentemente irregular, embora possua uma lógica própria. É utilitário e, ao mesmo tempo, interessante e belo. Reflecte a vida contemporânea e é, simultaneamente, um testemunho da História da sociedade. Apesar de ser obra do Homem, é também uma criação do tempo. Conservar e promover estas harmonias tradicionais que constituem uma referência da existência humana é dignificar a memória da Humanidade.
O património construído vernáculo é a expressão fundamental da identidade de uma comunidade, das suas relações com o território e, ao mesmo tempo, a expressão da diversidade cultural do mundo.
O património vernáculo é o meio tradicional e natural pelo qual as comunidades criam o seu habitat. Resulta de um processo evolutivo que inclui, necessariamente, alterações e uma adaptação constante em resposta aos constrangimentos sociais e ambientais. A sobrevivência desta tradição está ameaçada, em todo o mundo, pela uniformização económica, cultural e arquitectónica. saber resistir a esta uniformização é fundamental e é uma tarefa que envolve não só as diferentes comunidades, mas também os governos, os urbanistas, os arquitectos, os conservadores e vários especialistas noutras áreas disciplinares.
Devido à uniformização ad cultura e aos fenómenos da globalização socio-económica, as estruturas vernáculas são, em todo o mundo, bastante vulneráveis, porque se confrontam com graves problemas de obsolescência, de equilíbrio interno e de integração. Torna-se necessário, por isso, estabelecer os princípios de conservação e protecção do nosso património construído vernáculo, em complemento à Carta de Veneza (1964).

PRINCÍPIOS GERAIS
1. As construções vernáculas apresentam as seguintes características:
a) Um modo de construir emanado da própria comunidade;
b) Um carácter marcadamente local ou regional em resposta ao meio ambiente;
c) Uma coerência de estilo, de formas e de aspecto, bem como o uso de tipos arquitectónicos tradicionalmente estabelecidos;
d) Um conhecimento tradicional da composição e da construção, que é transmitido de modo informal;
e) Uma resposta eficaz às necessidades funcionais, sociais e ambientais;
f) Um aplicação eficaz das técnicas tradicionais da construção;
2. A avaliação e a eficácia da protecção do património vernáculo dependem, quer do envolvimento e do apoio das comunidades locais, quer da sua utilização e manutenção contínuas.
3. Os governos e as autoridades competentes devem reconhecer o direito que todas as comunidades têm de preservar os seus modos de vida tradicionais, de os proteger por todos os meios legais, administrativos e financeiros à sua disposição e de os transmitir às gerações futuras.»

Agenda 21

Deparamo-nos no "BIOTERRA" com o programa Agenda 21. O Mestre Arq.º Pinto de Faria já nos havia falado deste projecto, no entanto, talvez por esquecimento, talvez por ir sucessivamente adiando (ou por ambos os motivos) acabamos por nunca procurar devidamente as informações sobre o mesmo. Eis que ele nos vem ter às mãos por intermédio do (agora) omnipresente Bioterra. Talvez seja (mais) uma possibilidade para o desenvolvimento de Boassas e que não há que descurar.

O Bioterra brinda-nos hoje ainda com mais uma preciosidade, um belíssimo artigo (de 27 de Julho de 2005) intitulado, "Que terra queremos deixar às nossas crianças?"

terça-feira, julho 26, 2005

Alunos de arquitectura visitam Boassas

No passado sábado, dia 23 de Julho, Boassas foi visitada por um grupo de alunos do curso de Arquitectura e Urbanismo da Universidade Fernando Pessoa do Porto. A visita foi efectuada no âmbito da disciplina de Reabilitação Urbana e Arquitectónica. Os locais observados, após um café reanimador servido pelo Sr. Fernando foram: a Casa do Cubo (sua capela, azenha, alambique e casas de caseiro); a Casa do Fundo da Rua; a Casa do Cerrado (sobre a qual a arq.ª Vera Almeida, está também a desenvolver um trabalho); a Casa do Outeiro e a Casa do Lódão (Turismo Rural); a capela de Nossa Senhora da Estrela e a Arribada. O almoço, de confecção primorosa, foi servido na Quinta da Barbeita (onde a confusão das contas prejudicou um pouco a "digestão" do saboroso repasto)... Durante a tarde houve ainda tempo para uma visita ao latoeiro (Sr. Rui Teixeira); ao rio Bestança e moinho do Sr. Horácio. A conclusão geral, nesta primeira impressão, foi a de que a aldeia, embora possuidora de um potencial notável, está muito descaracterizada, sendo que algumas "patologias" serão já de difícil resolução. (Algo que, diga-se, há já muito tempo temos vindo a chamar a atenção, sem quaisquer resultados positivos aparentes...)

quinta-feira, julho 21, 2005

POR FAVOR...
POUPE ÁGUA!!!

Inacreditável (II)


Já em Março havíamos alertado para esta situação, no artigo intitulado "Inacreditável". Não tínhamos, então, uma imagem para ilustrar esta barbaridade. Não bastam os incêndios para destruir a floresta portuguesa. Há também quem tenha largas responsabilidades neste cartório, mas que nunca é "chamado à pedra"! Isto independentemente de terem sido apresentadas reclamações junto do Ministério do Ambiente e da própria Câmara Municipal. Recordo que abaixo da estrada (precisamente onde foram feitos estes socalcos) existia um maciço arbóreo idêntico ao que se vê do lado direito da foto, sendo que o terreno está classificado no PDM (Plano Director Municipal) como REN (Reserva Ecológica Nacional) e pelo POARC (Plano de Ordenamento das Albufeiras de Régua e Carrapatelo) como FLORESTA DE PROTECÇÃO. Protecção??? Qual protecção? Haja é quem nos proteja desta gente...

Pequenas coisas (III)

Automóvel
- Evite lavar o automóvel com mangueira. Use antes um balde e uma esponja ou leve-o a uma estação de serviço. Calcula-se que, ao utilizar mangueira, gastará cerca de 570 litros de água; se utilizar a esponja, apenas gastará 57.
- Visite uma oficina regularmente e verifique a emissão de fumo que sai do veículo.
- Poupe combustível evitando a condução nervosa e as acelerações bruscas.
- Procure saber se na garagem aceitam óleos e lubrificantes usados e se alguém os recicla.
- Evite as viagens de automóvel desnecessárias. Assim, está a ajudar a reduzir a poluição provocada pelo óxido de azoto.
- Procure ter o seu carro sempre bem afinado, pois é a maneira mais fácil de o fazer poupar gasolina.
- Mantenha os travões devidamente ajustados. Maus travões podem roubar eficiência quanto ao combustível.
- Adira à iniciativa do Dia Sem Carros.
- Utilize transportes públicos e ande a pé ou de bicicleta sempre que possível.

quarta-feira, julho 20, 2005

Boassas em chamas!

Desta vez somos notícia no Público pelos piores motivos. Ontem, ao regressar de Boassas, ao olhar para a foz do Bestança, como sempre faço ao chegar a Paços de Gaiolo vejo as chamas a lavrar próximo de Boassas, junto do chamado Bairro Novo, acima da estrada municipal. Paro o automóvel, pego no telefone e ligo para o 112. Após largos minutos (que pareceram uma eternidade) a chamar a linha cai... bom serviço este! Não tinha o número dos bombeiros. Tento ligar para os meus pais, em Boassas, para que ligassem para os bombeiros. Telefone desligado... Minutos de aflição, especado, ali, a ver as chamas a consumirem as árvores, muito próximo das casas. Nova tentativa... Nada! Telefono novamente para casa, idem!... O célebre à terceira é de vez cumpriu-se e lá consegui ligar para Boassas. Entretanto toca a sirene em Cinfães... As chamas alastram e passam a estrada na direcção do rio. Por infeliz coincidência vi começar a arder o sítio que ilustra a última fotografia aqui colocada no blog... O pinhal que se localiza do lado esquerdo da fotografia, por cima da ponte... O helicóptero chega cerca de 35 minutos depois. Mais ou menos em simultâneo com os bombeiros, que diga-se estão a cerca de 10 quilómetros... O helicóptero parece-nos imensamente lento... Ataca o incêndio nos locais junto às casas. No pinhal as chamas crescem, tornam-se avassaladoras e aproximam-se de Porto Antigo. Finalmente começa a atacar a frente que lavra no pinhal... Atrasado quase uma hora para a reunião que tinha no Marco de Canavezes, para falar sobre Boassas, com o Dr. Pedro Costa e Silva da "Dólmen", parto finalmente... com o coração apertado e um nó na garganta ...

segunda-feira, julho 18, 2005

(Mais uma) nova reciprocidade

Descobrimos mais esta nova reciprocidade, através de um comentário aqui no "blog". Chama-se "Maracujá". Trata-se de um espaço bastante pessoal mas que nos parece, a todos os títulos muito interessante (para além disso são amantes do Bestança e até usaram o nosso "blog" para o ilustrar... Sentimo-nos lisonjeados)... A referência e respectiva reciprocidade aqui ficam, a partir de hoje, com o nosso expresso agradecimento.

Porto Antigo



Porto Antigo

Aqui onde as casas envelhecem
Sou a todo o momento
O rio partilha comigo seu tempo
A música do lugar envolve o meu corpo nu
Sinto-me uma rocha que vê a vida passar

(por Adriana Carmezim, in "No Silêncio do Amor", Junho de 2005)

(photo by Cerveira Pinto . all wrights reserved)

sexta-feira, julho 15, 2005

Não saímos disto!

A comissão Europeia processou Portugal por incumprimentos legais na área do ambiente e ameaça com mais processos. O comissário europeu com a pasta do Ambiente, Stravos Dimas, advertiu que "Portugal deve corrigir de imediato as insuficiências da legislação nacional, de modo de proporcionar aos seus cidadãos um ambiente limpo e saudável". Vale a pena ler toda a notícia no Público, para vermos como, afinal, tudo continua na mesma (se não pior...).

quarta-feira, julho 13, 2005

Parabéns MiraDouro


O semanário MiraDouro (cuja redacção é em Boassas) faz este mês a bonita idade de 43 anos. São já mais de quatro décadas em defesa dos interesses dos concelhos de Castelo de Paiva, Cinfães e Resende. É, sem dúvida, um dos principais arautos da cultura e do sentir das gentes da região, levando a sua voz às comunidades espalhadas pelo continente e pelo mundo. Não podíamos, pois, deixar passar a ocasião sem lhe endereçar os merecidos votos de parabéns e de vida longa e profícua...

Arquitectura vernacular no Sargaçal


No passado mês de Junho pudémos visitar o belíssimo "Sargaçal", próximo de Vila de Muros", em pleno Vale do Bestança. Este é um dos abrigos aí existentes. Trata-se de uma construção rural, bem representativa da arquitectura vernacular da região, e típica da Serra do Montemouro. Infelizmente é uma espécie em vias de extinção. Toda a arquitectura popular e tradicional do concelho de Cinfães se encontra séria e perigosamente ameaçada. Aquela que era uma grandes riquezas desta região continua a ser vista como sinónimo de "atraso" e "pobreza" e, portanto, a desaparecer todos os dias. Em contrapartida a construção é desenfreada (num concelho constantemente a perder população) e os mamarrachos polulam!... Cultura precisa-se!!!...

(Photo . Cerveira Pinto . all wrights reserved)

terça-feira, julho 12, 2005

Vida Verde

Vai decorrer nos próximos dias 26, 27 e 28 de Agosto, nas Portas do Transval, Boavista dos Pinheiros, Odemira, o "Encontro de Práticas para um Vida Simples, Natural e Sustentável". O encontro é organizado pelas associações Arco-Íris e PédeXumbo, em parceria com a Rede Portuguesa de Ecoaldeias.

Londres, 7 de Julho de 2005

Tardiamente, mas de forma sentida, expressamos aqui a nossa profunda consternação e solidariedade com a população londrina, condenando os actos bárbaros perpetrados no passado dia 7 contra população inocente e indefesa. O relato de um português que viveu estes acontecimentos horrivelmente trágicos é deveras impressionante. Aqui fica como forma de homenagem e de manifestar o nosso vivo repúdio por todas as formas de violência e terrorismo. "Infelizmente, eu estive lá"

HÁ 20 ANOS, FOI ASSIM...
Lamentavelmente o terrorismo não é só anónimo e sem rosto. Há também outras formas, entre as quais aquelas perpetradas pelos próprios estados, como foi
o caso do "Rainbow Warrior", em 10 de Julho de 1985, onde faleceu Fernando Pereira, fotógrafo, jornalista holandês de origem portuguesa e activista do movimento GreenPeace.

segunda-feira, julho 11, 2005

Placa toponímica [Arcádio Blasco]


Uma das placas toponímicas recentemente colocadas em Boassas e realizadas durante o "I Encontro de Ceramistas em Boassas" (2004). Esta é da autoria do grande mestre Arcádio Blasco.

(Photo . Cerveira Pinto . all rights reserved)

quinta-feira, julho 07, 2005

Nova reciprocidade

Detectamos hoje mais um "blog" que remete para o nosso "Boassas". Trata-se do "Portuense" . Agradecemos a amabilidade e decidimos estabelecer também uma reciprocidade adicionando este "blog" às nossas "Ligações Sugeridas".

O exemplo do Padre Himalaya

O Padre Himalaya foi um português visionário, na sua luta por uma melhor relação do homem com o meio ambiente; no aproveitamento das energias renováveis; na naturoterapia; na utilização da ciência para fins pacíficos e para o bem da humanidade; na defesa de um pensamento holístico, etc... Hoje, passados quase cem anos, e graças à sua redescoberta por Jacinto Rodrigues, continua a ser uma inspiração e um exemplo a seguir. Existe, inclusive, um concurso Padre Himalaya.